O espetáculo da imparcialidade seletiva
O recente embate entre ministros sobre a quebra de sigilo e vazamentos seletivos é um verdadeiro banquete de ironias
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de setembro de 2026
O recente embate entre ministros sobre a quebra de sigilo e vazamentos seletivos é um verdadeiro banquete de ironias
Ruy Carneiro Giraldes Neto 
No Supremo Tribunal Federal, a imparcialidade parece ser um artigo de luxo, daqueles que a gente guarda na caixa para não estragar. O recente embate entre ministros sobre a quebra de sigilo e vazamentos seletivos é um verdadeiro banquete de ironias. De um lado, temos a "usurpação de competência"; do outro, a nobre missão de, supostamente, passar a República a limpo.
É fascinante observar como a relatoria, esse conceito tão sagrado do "juízo natural", se torna elástica conforme a conveniência. Se o processo interessa, a competência é absoluta e intocável. Se o processo atrapalha, a decisão monocrática de um colega vira um alvo móvel. A falsa equivalência entre as atuações de André Mendonça e Flávio Dino é a cereja do bolo desse circo jurídico.
Enquanto o inquérito das fake news segue em sua eterna longevidade – afinal, o "fim do mundo" exige tempo, não é mesmo? –, aguardamos ansiosamente a próxima sessão aberta. O espetáculo da transparência, prometido como a salvação da credibilidade da Corte, chega em meio a uma tensão que faria qualquer roteirista de Hollywood corar. O público, claro, assiste a tudo com a esperança de que, ao final, não tenhamos apenas mais um arquivo engavetado por um conveniente "pedido de vista".
No fim, a Justiça brasileira parece aquele jogo onde as regras mudam conforme o jogador que segura a vez. Que venha a terça-feira, com seus convidados ilustres e a certeza de que, no STF, a única coisa que nunca entra em recesso é o nosso espanto.
Ruy Carneiro Giraldes Neto, advogado
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