Inteligência Artificial: quando a tecnologia trabalha a nosso favor
A IA já está no nosso cotidiano, mesmo que nem sempre a gente perceba
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de agosto de 2025
A IA já está no nosso cotidiano, mesmo que nem sempre a gente perceba
Renan Salvador 
Quando a calculadora começou a se popularizar, muita gente ficou assustada. Professores temiam que os alunos parassem de aprender matemática. Pais achavam que seria o fim da conta “de cabeça”. E alguns profissionais até questionavam se aquela pequena máquina não era uma forma de trapacear. Hoje, décadas depois, ninguém duvida de sua utilidade. Mas também sabemos que ela não substitui o raciocínio, apenas o acelera.
A primeira calculadora mecânica funcional foi criada em 1642 pelo matemático francês Blaise Pascal. Chamava-se Pascalina, e foi desenvolvida para ajudar seu pai, que era coletor de impostos. A partir daí, o mundo nunca mais foi o mesmo. Em meados de 1950 vieram as calculadoras eletrônicas e, com elas, verdadeiros ícones como a Casio Cientifica, HP 12C, lançada em 1981 e ainda hoje usada no mercado financeiro, e a HP 50g, bem conhecida entre os engenheiros por sua capacidade de lidar com cálculos simbólicos e matrizes complexas.
Falo isso com experiência própria. Sou engenheiro eletricista, e como muitos colegas da minha geração, aprendi a fazer conta na mão. Foram folhas e mais folhas de almaço, preenchidas com cálculos de derivadas e integrais, eletromagnetismo, E.D.O e por aí vai. A gente aprendia assim, linha por linha. Mas bastava entrar no mercado de trabalho para tudo mudar. Lá, o raciocínio precisava ser rápido, prático, direto. E a calculadora, seja a Casio ou HP, se tornava uma aliada indispensável.
A inteligência artificial vive hoje um movimento semelhante. Ainda existem receio, desconfiança e resistência em alguns setores. Mas o que estamos vendo é o surgimento de uma nova ferramenta, poderosa, que veio para facilitar e potencializar o conhecimento humano, não para substituí-lo.
Leia mais:
A IA já está no nosso cotidiano, mesmo que nem sempre a gente perceba. Ela ajuda a escolher o melhor trajeto no trânsito, organiza compromissos, alerta sobre golpes bancários, traduz mensagens em tempo real e até sugere palavras enquanto digitamos. Em casa, comanda luzes, aspira o chão, ajusta a temperatura. E nos serviços públicos, começa a tornar o atendimento mais ágil, as ruas mais seguras, a gestão mais inteligente.
Na saúde, apoia diagnósticos. Na educação, personaliza o ritmo de aprendizagem. No comércio, reduz desperdícios. Na vida real, encurta caminhos.
É claro que, como qualquer avanço, a inteligência artificial exige cuidado. Precisamos garantir o uso ético, a proteção dos dados e o acesso democrático. Mas negar seu potencial seria como ter proibido a calculadora com medo de que as pessoas esquecessem de somar.
O que precisamos hoje é o mesmo que precisei lá atrás como estudante e continuo fazendo diariamente, aprender a base. Entender como as coisas funcionam. Desenvolver o pensamento crítico. E só então usar a tecnologia a nosso favor. A inteligência artificial, como toda boa ferramenta, não nos torna menos inteligentes. Ela nos permite ser mais ágeis, mais práticos e, quem sabe, mais humanos nas decisões que realmente importam.
Renan Salvador, engenheiro eletricista, empresário e presidente da Londrina Iluminação S/A.



