Os dados levantados pela Folha de Londrina com base nas informações preliminares do ProGov (Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo), do TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná) precisam servir como alerta para o aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos nas cidades brasileiras, lembrando a previsão da formação de um "Super El Niño", este ano.

Infelizmente, os desastres climáticos deixaram de ser exceção para se tornarem parte da rotina das cidades brasileiras e a prevenção não pode continuar sendo tratada como um item secundário da administração pública.

Segundo o levantamento realizado pela FOLHA, referente a 2025, a maioria dos municípios da RML (Região Metropolitana de Londrina) declarou ao TCE não possuir uma estrutura física de uso exclusivo da Defesa Civil, uma das lacunas identificadas na preparação das cidades para o enfrentamento a desastres climáticos.

O ProGov reúne informações repassadas pelas próprias prefeituras ao Tribunal. No bloco sobre a atuação da Defesa Civil, cada gestão respondeu a 29 questões relacionadas à estrutura, ao planejamento e aos procedimentos adotados para prevenção e resposta a desastres.

Em 2025, segundo dados do Sistema Informatizado de Defesa Civil, da Cedec (Coordenadoria Estadual de Defesa Civil), foram registrados 574 desastres no Paraná. As ocorrências atingiram 246 municípios, mais da metade das cidades do Estado, afetaram 292.237 pessoas e resultaram em 27 mortes.

Das 25 cidades da RML, somente Alvorada do Sul, Assaí, Bela Vista do Paraíso, Florestópolis, Guaraci, Ibiporã, Londrina e Sabáudia declararam contar com uma sala equipada com mesas, cadeiras e computador com acesso à internet para o funcionamento do setor. As outras 17 cidades declararam não dispor desse espaço. A proporção de municípios sem sala exclusiva chega a 68%, acima da registrada em todo o Paraná. Segundo o TCE-PR, 60,9% dos 399 municípios paranaenses não contam com esse tipo de estrutura.

É verdade que uma sala equipada, por si só, não evita enchentes, vendavais ou deslizamentos. Como bem observa a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, a eficiência do trabalho depende muito mais da organização, do planejamento e da integração entre os órgãos públicos do que da existência de um espaço físico específico. Mas a ausência dessa estrutura básica é um sintoma de um problema maior: a baixa prioridade histórica dada à gestão de riscos.

A natureza não consulta calendários eleitorais nem espera o fechamento dos balanços financeiros. Quando a chuva chega em excesso, o vento derruba árvores ou a seca compromete comunidades inteiras, o tempo para agir já passou.

Investir em Defesa Civil talvez nunca renda inaugurações vistosas nem grandes dividendos políticos. Mas salva vidas. E poucas responsabilidades são tão essenciais quanto essa. Em tempos de eventos climáticos cada vez mais severos, estar bem preparado não é mais uma opção. É um dever que se espera do poder público.

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