A afirmação do prof. dr. João Luiz Esteves de que “o governo que temos não é apenas o que merecemos, mas sobretudo o que somos capazes de compreender e realizar de forma coletiva”, ganha contornos ainda mais concretos quando observada sob a ótica das cidades e do mercado imobiliário.

O ambiente urbano é, talvez, o espaço mais visível onde essa ideia se materializa. O ordenamento territorial, a qualidade dos serviços públicos, a eficiência dos processos administrativos, especialmente nos cartórios, licenciamentos e registros, não são fruto apenas da atuação do poder público, mas refletem diretamente o nível de compreensão e de exigência da própria sociedade.

Quando a coletividade compreende a importância de instrumentos como

- planejamento urbano consistente.

- segurança jurídica nos registros imobiliários.

- agilidade e transparência nos processos cartorários.

- equilíbrio entre desenvolvimento econômico e função social da cidade.

ela passa a demandar políticas públicas mais qualificadas e decisões mais responsáveis.

Por outro lado, a baixa participação, a tolerância com a burocracia ineficiente e a pouca familiaridade com temas técnicos acabam por perpetuar entraves históricos, como a morosidade nos registros, a insegurança nas transações imobiliárias e o crescimento urbano desordenado.

Nesse contexto, o setor imobiliário, que envolve profissionais, investidores, gestores públicos e a própria população, assume papel estratégico.

Trata-se de um campo em que a consciência coletiva se traduz diretamente em valor econômico, organização territorial e qualidade de vida. A experiência prática demonstra que cidades que avançam na modernização de seus sistemas registrais, na digitalização de processos e na qualificação do debate urbano não o fazem por acaso. Esses avanços são, em grande medida, resultado de uma sociedade que compreende a relevância desses temas e atua de forma mais consciente e participativa.

Assim, a reflexão proposta deixa de ser abstrata e se torna cotidiana: o nível de eficiência do ambiente urbano e imobiliário é, em grande parte, o reflexo daquilo que conseguimos compreender, exigir e construir coletivamente.

Em síntese, não se trata apenas do governo que merecemos, mas do ambiente urbano que somos capazes de estruturar, com mais segurança, eficiência e visão de futuro.

Marco Antonio Bacarin, gestor Imobiliário, professor da Unifil, diretor conselheiro Creci-Pr

mockup