Governança urbana e responsabilidade coletiva: uma reflexão necessária
Não se trata apenas do governo que merecemos, mas do ambiente urbano que somos capazes de estruturar, com mais segurança, eficiência e visão de futuro
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de abril de 2026
Não se trata apenas do governo que merecemos, mas do ambiente urbano que somos capazes de estruturar, com mais segurança, eficiência e visão de futuro
Marco Antonio Bacarin 
A afirmação do prof. dr. João Luiz Esteves de que “o governo que temos não é apenas o que merecemos, mas sobretudo o que somos capazes de compreender e realizar de forma coletiva”, ganha contornos ainda mais concretos quando observada sob a ótica das cidades e do mercado imobiliário.
O ambiente urbano é, talvez, o espaço mais visível onde essa ideia se materializa. O ordenamento territorial, a qualidade dos serviços públicos, a eficiência dos processos administrativos, especialmente nos cartórios, licenciamentos e registros, não são fruto apenas da atuação do poder público, mas refletem diretamente o nível de compreensão e de exigência da própria sociedade.
Quando a coletividade compreende a importância de instrumentos como
- planejamento urbano consistente.
- segurança jurídica nos registros imobiliários.
- agilidade e transparência nos processos cartorários.
- equilíbrio entre desenvolvimento econômico e função social da cidade.
ela passa a demandar políticas públicas mais qualificadas e decisões mais responsáveis.
Por outro lado, a baixa participação, a tolerância com a burocracia ineficiente e a pouca familiaridade com temas técnicos acabam por perpetuar entraves históricos, como a morosidade nos registros, a insegurança nas transações imobiliárias e o crescimento urbano desordenado.
Nesse contexto, o setor imobiliário, que envolve profissionais, investidores, gestores públicos e a própria população, assume papel estratégico.
Trata-se de um campo em que a consciência coletiva se traduz diretamente em valor econômico, organização territorial e qualidade de vida. A experiência prática demonstra que cidades que avançam na modernização de seus sistemas registrais, na digitalização de processos e na qualificação do debate urbano não o fazem por acaso. Esses avanços são, em grande medida, resultado de uma sociedade que compreende a relevância desses temas e atua de forma mais consciente e participativa.
Assim, a reflexão proposta deixa de ser abstrata e se torna cotidiana: o nível de eficiência do ambiente urbano e imobiliário é, em grande parte, o reflexo daquilo que conseguimos compreender, exigir e construir coletivamente.
Em síntese, não se trata apenas do governo que merecemos, mas do ambiente urbano que somos capazes de estruturar, com mais segurança, eficiência e visão de futuro.
Marco Antonio Bacarin, gestor Imobiliário, professor da Unifil, diretor conselheiro Creci-Pr


