Falta de ILS prejudica o desenvolvimento da região de Londrina
Ficar à mercê da meteorologia tira a nossa região da mira de muitos negócios que dependem de conexões rápidas, perenes e pontuais
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sábado, 22 de março de 2025
Ficar à mercê da meteorologia tira a nossa região da mira de muitos negócios que dependem de conexões rápidas, perenes e pontuais
Vera Antunes 
A Folha de Londrina destacou, recentemente, uma nota do Departamento de Controle de Tráfego Aéreo (Decea), da Força Aérea Brasileira, que teve ampla repercussão na imprensa ao prever a instalação do ILS no Aeroporto José Richa apenas em 2027. Antes, a previsão é de que seria instalado em 2025. É mais um capítulo de uma novela cuja trama vem patinando há décadas. Os avanços são lentos e dão-se aos tropeços. Continuaremos, porém, cobrando até que a relevância de nossa região seja devidamente reconhecida pelo governo federal, onde está o poder decisório. Um adiamento de dois anos representa muito para quem espera há décadas.
O Instrument Landing System (ILS) é um equipamento que permite pousos e decolagens em condições adversas. Em Londrina, basta chover para o aeroporto fechar, justamente pela ausência do ILS. Mais do que viagens canceladas ou adiadas, a imprevisibilidade traz um enorme prejuízo para o desenvolvimento regional. O ILS impacta diretamente na eficiência e confiabilidade da infraestrutura aérea. Com ele, as conexões e o tráfego aumentam, gerando maior fluxo de voos e pessoas. Sem ele, resta o medo de perder a viagem ou ficar retido, esperando a chuva passar.
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Com o equipamento, existe a certeza da pontualidade, minimizando atrasos e cancelamentos. Isso aumenta a capacidade de tráfego e propicia um uso mais racional e inteligente da estrutura aeroportuária, despertando o interesse das companhias aéreas, que acabam ampliando o número de voos e linhas oferecidas.
Por consequência, a região se torna mais conectada, facilitando o deslocamento de visitantes e investidores. Como o ILS tem um padrão internacional, o aeroporto fica apto para receber aeronaves das mais diferentes origens.
Se pensarmos nas décadas em que Londrina vem sofrendo sem o ILS, podemos imaginar como a falta do equipamento afeta constantemente os negócios, a economia, o turismo, os eventos, os serviços e a indústria - uma vez que também é preciso incrementar o transporte de carga via aérea.
Ficar à mercê da meteorologia tira a nossa região da mira de muitos negócios que dependem de conexões rápidas, perenes e pontuais. A incerteza climática gera custos adicionais como remarcação de passagens, hospedagem, alimentação e deslocamento que não estavam previstos. Ou seja, a ausência do ILS espanta investidores. Fica mais difícil atrair recursos.
Empresas cujos executivos precisam viajar com frequência, por exemplo, certamente deixam de olhar Londrina com bons olhos pela falta do ILS. Reuniões importantes, fechamento de negócios, participação em eventos, tudo vira dúvida quando o aeroporto está sujeito ao fechamento por causa da chuva. Como desenvolver o turismo em suas mais diversas modalidades sem a previsibilidade do transporte aéreo? Qual o impacto que tudo isso traz para a imagem de Londrina?
Há décadas a ausência do ILS nos deixa em desvantagem competitiva. Toda a nossa macrorregião vem sendo prejudicada. Ao mesmo tempo, nossa representatividade acaba em xeque, já que tentamos sensibilizar os governos federais e recebemos respostas evasivas. A nota do Decea, portanto, reflete um comportamento recorrente que resulta em constante descaso com a nossa região.
Por outro lado, a urgência do tema vem unindo o setor produtivo, poder público, imprensa, lideranças e representantes políticos locais. Estamos trabalhando em sintonia para que nossa voz seja ouvida. Londrina precisa do ILS para ontem.
Vera Antunes, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL).


