Com a decretação do estado de emergência, o município de Bandeirantes, no Norte Pioneiro, expõe de forma clara a vulnerabilidade de muitas cidades brasileiras diante da estiagem prolongada. São vários meses desde o último registro de chuva intensa, situação que reduziu de forma drástica o volume dos rios das Cinzas e Laranjinha e comprometeu o abastecimento de água para milhares de moradores.

Hoje, a escassez afeta diretamente a vida cotidiana do município de pouco mais de 30 mil habitantes. Segundo a prefeitura, mais de 2 mil pessoas na área urbana dependem de caminhões-pipa, além de famílias da zona rural que veem seus poços e cisternas secarem. Escolas também tiveram de recorrer a medidas emergenciais para manter as aulas, enquanto o fornecimento de água é racionado em diversos bairros. O quadro é agravado pela queima de bombas em poços artesianos, reflexo da queda no nível do lençol freático.

Em agosto, de acordo com informações do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), a cidade registrou cerca de seis milímetros de chuva. Segundo o prefeito de Bandeirantes, Jaelson Matta, o município aproveitou o decreto publicado em maio pelo Governo do Paraná (n°10.047), que declara situação de emergência no estado por conta da estiagem prolongada, para acessar algumas ações de urgência, como a contratação de caminhões-pipa para abastecer à população mais afetada e a possibilidade de reduzir o tempo gasto em um processo licitatório, que pode chegar a 90 dias.

“O cenário está preocupante”, alertou o prefeito, lembrando que parte do abastecimento de água potável da cidade vem do Rio das Cinzas. “Se continuar secando desse jeito, nós vamos ter dificuldade em continuar captando água”, comentou.

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A situação de Bandeirantes não é isolada, lembrando que desde maio, o governo do Paraná reconheceu oficialmente a emergência hídrica no Estado. A decretação permite acelerar contratações e buscar apoio em programas estaduais, como a perfuração de novos poços e a distribuição de caixas d’água para famílias sem reservatórios. São medidas urgentes e o cenário é muito grave.

O poder público, em seus vários níveis, precisa estabelecer políticas que fortaleçam a segurança hídrica e reduzam a exposição da população a crises cíclicas de estiagem. Investimentos em infraestrutura, planejamento de bacias hidrográficas e programas de incentivo ao consumo consciente são caminhos necessários para evitar que municípios fiquem reféns das intempéries climáticas.

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