Li com preocupação na imprensa que a linha férrea de acesso de parte do Norte do Paraná, mais especificamente cortando Londrina e Cornélio Procópio, com acesso ao Estado de São Paulo, até Ourinhos, foi desativa pela empresa concessionária a partir de terça-feira (16).

A alegação, segundo consta, é baixa demanda comercial. Uma medida desse porte ignora, sem qualquer pudor, o olhar estratégico do modal para o desenvolvimento econômico e social.

Isso sem contar a história de quase meio século do trecho, que inclusive alavancou o Paraná e auxiliou o crescimento nacional.

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Fechar este corredor representa aniquilar a capacidade de expansão comercial por um meio de transporte barato e que capilariza a produção. O escoamento de produtos pela via férrea é fundamental, amplia a atração de investimentos no Estado, barateia aquilo que serve a nossa população, sejam commodities, matéria-prima, derivados, etc.

Ademais, quando flagrantemente percebemos uma estagnação de outras vias, com precariedade das rodovias, maior fluxo de cargas, tempo maior de deslocamento, não há como aceitar que o trem possa “dar prejuízo”.

Hoje, qualquer nação vai assumir um processo de modernização injetando recurso neste segmento para ganhar tempo, ganhar escala, e ganhar valor.

Esse movimento da concessionária está, literalmente, na contramão da evolução.

Se há baixa demanda, uma mudança de perfil estratégico de compensação modal pode superar essa questão. Não simplesmente desativar o trecho, mas, sim, recompor e reposicionar outros ativos nesse caminho.

Os municípios da região também alavancaram a sua economia com a implantação do trecho Londrina – São Paulo e deram força para o desenvolvimento macrorregional.

Outra questão sensível é a força de trabalho, quando claramente está em jogo a garantia de postos a ser travada para que não haja nenhum impacto social.

Ao mesmo tempo, olhamos o Governo Federal, o Ministério dos Transportes, apostando claramente em novos empreendimentos, que contemplam inclusive as ferrovias, com uma previsão de R$ 1,5 bilhão para a renovação da malha.

Acredito que o Congresso Nacional, especialmente a Câmara dos Deputados, as entidades representativas do setor desenvolvimentista e econômico do Paraná, enfim, a sociedade, todos precisam se mobilizar para revermos essa postura.

Pretendo, enquanto deputado federal, diligenciar informações sobre a situação e vamos tentar reverter essa “miopia estratégica”.

Não se pode ignorar a conjuntura da medida, o potencial regional e os benefícios que serão esvaziados do Paraná e do Brasil.

Beto Preto, deputado federal (licenciado), secretário de Estado da Saúde, ex-prefeito de Apucarana