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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 18/07/2022, 08:42

EDITORIAL - Tragédia no oeste do Paraná

os episódios recentes devem colocar em alerta os estudiosos da segurança pública

PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de julho de 2022

Folha de Londrina
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Como prevenir que tragédias como a que aconteceu nesta quinta-feira (14) à noite em Toledo e Céu Azul, na região oeste do Paraná, voltem a acontecer? E como os moradores desses dois municípios considerados tranquilos retomarão a vida normal depois que o soldado da PM (Polícia Militar) Fabiano Junior Garcia usou a arma da corporação para matar oito pessoas e depois tirar a própria vida? 

É mais uma  tragédia em um curto período de tempo, no Paraná, envolvendo profissionais de segurança pública. Foram dois crimes que chocaram o país. Ainda é recente na memória da população as imagens de uma câmera de segurança que mostram o policial federal penal Jorge José da Rocha Guaranho invadir a festa de 50 anos do guarda municipal e tesoureiro do PT de Foz do Iguaçu, Marcelo Arruda, e matar a tiros o aniversariante, na frente de amigos e familiares. 

Nesta sexta-feira (15), a Polícia Civil do Paraná concluiu as investigações e disse não ser possível determinar que o caso de Foz seja enquadrado em crime de ódio com motivação política.

Testemunhas que presenciaram a confusão afirmaram, no entanto, que Guaranho, apoiador do presidente Jair Bolsonaro, matou Arruda motivado por divergência política. A decoração da festa do guarda municipal tinha como tema o Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Quanto a Toledo e Céu Azul, tudo indica que a tragédia foi motivada por crime de ódio. Investigações preliminares dão conta que o soldado não estava aceitando o fim do casamento, conforme mensagens que ele mandou a pessoas próximas.   

O PM matou a esposa, três filhos, a mãe, o irmão e dois jovens que encontrou na rua. Chamou atenção que após atirar na mulher e na filha, Garcia saiu de Toledo e viajou 60 quilômetros até Céu Azul, onde matou os outros dois filhos que estavam na casa da avó materna. 

"Ele teve tempo e deslocamento de uma região para outra para se arrepender ou não fazer o que fez. Então, presumo que ele já tinha a intenção de fazer tudo isso e estava decidido”, comentou o comandante-geral da PM do Paraná, coronel Hudson Leôncio Teixeira. 

No início do mês, quando os veículos de imprensa trabalharam os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, uma informação sobre a saúde mental dos policiais brasileiros chamou a atenção: o crescimento dos casos de suicídio de policiais no país, que ficou em 55% entre 2020 e 2021. 

A Polícia Militar foi a que mais registrou suicídios no período, passando de 52 para 80, um aumento percentual de 54%. Já na Polícia Civil o aumento percentual foi mais expressivo, de 61,5%, passando de 13 para 21 mortos.

A PM do Paraná afirma que dispõe de um programa, o "Prumos" que disponibiliza atendimento psicológico aos policiais. É um serviço muito importante. Mas os episódios recentes devem colocar em alerta os estudiosos da segurança pública para se debruçarem nesses casos e fazerem um diagnóstico do problema, analisando, ouvindo especialistas, comparando os números do Brasil e de outros países, estudando alternativas baseadas em evidências e ações que deram certo em outros locais. 

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