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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 14/03/2022, 19:54

EDITORIAL - O jornalismo em tempos de guerra

Na Rússia, os jornalistas que chamarem a guerra de guerra e a invasão de invasão correm o risco de ir para a cadeia

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de março de 2022

Folha de Londrina
AUTOR autor do artigo

Foto: Aris Messinis / AFP
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A imprensa no campo de batalha entre Rússia e Ucrânia chorou a perda no domingo (13) do jornalista norte-americano Brent Renaud. Documentarista e produtor de TV premiado, com experiência na cobertura de diversos conflitos,  ele foi morto em Irpin,  nos arredores da capital da Ucrânia, Kiev. 

Junto com outro jornalista americano, Juan Diego Arredondo, Renaud se dirigia para um campo de refugiados naquelas proximidades, onde eles iriam fazer entrevistas e imagens. Segundo Arredondo, após passarem por um posto de controle, foram atacados a tiros. Renaud foi atingido, não resistiu aos ferimentos, e o colega ficou ferido.

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O perfil de Renaud no Pulitzer Center, do qual foi bolsista, diz que o jornalista de 50 anos já havia registrado as guerras do Iraque e do Afeganistão, os efeitos do terremoto do Haiti, a disputa entre cartéis de drogas no México e a revolta política no Egito, entre outras situações de risco.

Ao longo de sua carreira, colaborou com veículos de comunicação como o The New York Times, a HBO, o Discovery Channel e a NBC. Renaud costumava trabalhar com o irmão, Craig, com quem fundou a produtora cinematográfica Renaud Brothers. De acordo com a biografia no site da empresa, a dupla passou a última década "contando histórias humanas verídicas dos lugares mais perigosos do mundo", diz. 

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Os irmãos Renaud venceram prêmios importantes como Peabody Award, IDA Award, Overseas Press Club Awards, Columbia Dupont Awards e Edward R. Murrow. O último post da produtora no Facebook, de cinco dias atrás, traz uma foto de famílias ucranianas esperando por transporte para fugir do país. 

O papel da imprensa em conflitos é mais do que relatar uma guerra. Os jornalistas têm a função de ajudar as pessoas a compreenderem  a crise e os seus desdobramentos, informar à exaustão, denunciar abusos, violações do direito internacional e, como disse Renaud, "contar histórias humanas verídicas"

Nesse caso da guerra da Rússia contra a Ucrânia, o papel da imprensa é ainda mais emblemático, haja vista as tentativas incansáveis do presidente Vladimir Putin de dificultar o trabalho dos jornalistas e censurar o conteúdo que chega aos russos. 

Imagem ilustrativa da imagem EDITORIAL - O jornalismo em tempos de guerra Imagem ilustrativa da imagem EDITORIAL - O jornalismo em tempos de guerra
|  Foto: Aris Messinis / AFP
 

Para se ter uma ideia, a Rússia instaurou a censura militar na prática à imprensa que atua no país, tanto que o seu parlamento aprovou uma lei que prevê até 15 anos de prisão aos jornalistas que divulgarem o que o governo russo considerar fake news sobre a guerra na Ucrânia. Ou seja, os jornalistas que chamarem a guerra de guerra e a invasão de invasão correm o risco de ir para a  cadeia. 

Obrigado por acompanhar a Folha de Londrina 

foto no destaque: Aris Messinis / AFP

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