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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 18/07/2022, 08:42

EDITORIAL - Atenção para queda no número de transplantes

A ABTO aconselha as autoridades médicas e de saúde pública a aprimorarem o acolhimento a esses familiares

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de julho de 2022

Folha de Londrina
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Enquanto a fila de pacientes que esperam por um órgão cresce de maneira importante, caem as taxas de transplantes no Brasil. O fenômeno da diminuição dessas cirurgias já vem em queda desde o início da pandemia, em 2020, mas apesar dos índices de infecção pela Covid-19 estarem, agora,  controlados, o número de doadores continua caindo. 

Segundo dados do RBT (Registro Brasileiro de Transplantes) da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), a queda no número de doações de órgãos caiu em 8,6% em 2022  na comparação com 2021. 

Por outro lado, a alta de pacientes foi de mais de 30% e cerca de 50 mil pessoas aguardam por órgãos ou tecidos, de acordo com a entidade.

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No Paraná, o número de receptores ativos de janeiro a maio de 2022 já é 26,95% maior do que em todo o ano passado. São 2.454 pacientes aptos para o transplante à espera de um doador. 

De janeiro a maio de 2022, houve queda em todos os tipos de transplantes, conforme o levantamento da ABTO. Os maiores percentuais foram observados nos transplantes de pâncreas e pulmão, com redução de 37,5% e 25%, respectivamente.

Mas os transplantes de rim, órgão cuja fila de espera é a mais longa, também caíram, 13,8%, assim como os de fígado (11,5%), coração (12,5%), córneas (7,1%) e células hematopoiéticas (12,2%).   

No primeiro semestre de 2022, 8.469 pacientes entraram na lista de espera no país e 804 morreram enquanto aguardavam um doador, segundo a associação. “O número de transplantes de rim, coração e pulmão teve uma redução importante, chegando até a 70%. Nos transplantes de córnea, a queda chegou a 90%”, destacou a médica Ilka Boin, diretora da Unidade de Transplantes de Fígado da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e membro da diretoria da ABTO. Segundo ela, em 2021 houve uma pequena recuperação, porém em 2022, no primeiro trimestre, a entidade não observou melhora. 

Mas nem todos os índices caíram. Um deles, que mostra a quantidade de famílias que não autorizaram a doações dos cresceu 9,5% no período - mais um recorte negativo do cenário que mostra o drama de quem depende da solidariedade para continuar vivendo. A doação de órgãos é, acima de tudo, um ato de amor. 

É pensando justamente nas famílias de potenciais doadores que a ABTO aconselha as autoridades médicas e de saúde pública a aprimorarem o acolhimento a esses familiares. Por isso, é muito importante que as pessoas que desejam ser doadores de órgãos comuniquem a decisão a seus parentes e amigos. Afinal, eles serão os responsáveis por respeitarem o desejo do doador. 

E, como em se tratando de transplantes a palavra de ordem é urgência, o Ministério da Saúde deve buscar formas de melhorar esse quadro de queda no número de transplantes, principalmente intensificando a promoção de campanhas de informação e conscientização. 

Obrigado por ler a FOLHA!