Superalimento japonês conquista espaço fora do Japão
O natto, alimento à base de soja fermentada, divide opiniões pela textura viscosa e cheiro forte, mas ainda assim as exportações do produto triplicaram
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segunda-feira, 22 de junho de 2026
O natto, alimento à base de soja fermentada, divide opiniões pela textura viscosa e cheiro forte, mas ainda assim as exportações do produto triplicaram
Tomohiro Osaki e Sarah Lai - France Presse 

Kamakura, Japão - Fios translúcidos e pegajosos pendem dos hashis do turista americano Wesley Smith, que saboreia cada porção viscosa de natto, alimento japonês à base de soja fermentada e aroma intenso que conquista espaço fora do Japão. Presença tradicional no café da manhã japonesa, o alimento fermentado por bactérias divide opiniões por seu cheiro forte, textura viscosa e sabor ácido.
“No começo achei um pouco estranho”, contou Smith à AFP em um restaurante de Tóquio onde é possível comer natto à vontade.
Nos últimos anos, o natto se juntou à onda de alimentos fermentados - do kimchi à kombuchá - cuja popularidade cresceu no mundo.
Segundo dados recentes, as exportações japonesas de natto triplicaram desde 2017 e chegaram a 5.248 toneladas em 2025. China e Estados Unidos lideraram os destinos.
SUPERALIMENTO
Em Los Angeles, Kenji Suzuki, dono do restaurante japonês Suehiro, comemora o aumento de clientes não japoneses que desejam experimentar o prato.
“Quando as redes sociais começaram a falar do natto e de seu status de ‘superalimento’, cada vez mais pessoas quiseram experimentá-lo para ver se era realmente tão perturbador quanto disseram”, explicou.
Em Tóquio, Smith comparou o natto a um “queijo forte”, mas diz duvidar que sua consistência viscosa faça sucesso em larga escala nos Estados Unidos.
Além dos supostos benefícios à saúde, o natto é valorizado no Japão pelo preço acessível. Um pacote com três porções costuma custar cerca de 100 ienes, aproximadamente 0,60 dólar (R$ 3).
"COMIDA DE POBRES"
Nem mesmo o natto escapou da alta de preços, afirma Yoshihiro Noro, ex-presidente da Federação Japonesa de Cooperativas do produto. Segundo ele, a escassez de nafta, derivada do petróleo usado na fabricação das embalagens, está relacionada à guerra no Oriente Médio.
Noro vê nisso uma chance para o produto superar sua imagem de “comida de pobres”. “Poucos alimentos podem ser considerados um ‘superalimento’ e serem tão saudáveis quanto o natto”, afirmou o empresário de 72 anos.
Ele acredita ter desenvolvido uma capacidade de conquistar mais consumidores: o Kamakurayama Natto, descrito como "versão extremamente viscoso", mas sem "cheiro nem amargor".
"Continuem comendo... vocês vão acabar gostando!", garantiu.


