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MUNDO

m de leitura Atualizado em 22/07/2022, 15:51

'Não quero dizer que a eleição acabou', diz Trump em vídeo inédito

Gravação foi feita um dia após a invasão do Capitólio por manifestantes

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de julho de 2022

Folhapress
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São Paulo - Vídeo inédito exibido durante audiência pública do comitê da Câmara dos EUA que investiga a invasão do Capitólio mostra que o ex-presidente Donald Trump não quis admitir a derrota para Joe Biden um dia depois do episódio de violência em Washington.  

O ataque é investigado pelo comitê da Câmara, que busca esclarecer o papel de figuras públicas como Trump e de manifestantes no episódio O ataque é investigado pelo comitê da Câmara, que busca esclarecer o papel de figuras públicas como Trump e de manifestantes no episódio
O ataque é investigado pelo comitê da Câmara, que busca esclarecer o papel de figuras públicas como Trump e de manifestantes no episódio |  Foto: Al Drago/Getty Images North America/AFP
 

"Não quero dizer que a eleição acabou", disse Trump em vídeo gravado no dia 7 de janeiro do ano passado e exibido pela primeira vez na quinta-feira (21). "Eu apenas quero dizer 'o Congresso certificou o resultado' sem dizer que a eleição acabou, ok?", completou. 

 "Para aqueles que infringiram a lei, vocês vão pagar. Vocês não representam o nosso movimento, não representam o nosso país. E se você infringiu a lei... não posso dizer isso. Eu já disse 'você vai pagar'", disse o republicano, relutante, a integrantes de sua equipe em outro trecho do vídeo. 

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 Manifestantes invadiram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021, minutos após o ex-presidente Donald Trump, durante ato em Washington, insuflar ativistas a se dirigirem até a sede do Legislativo. A ação obrigou Câmara e Senado a trancarem as portas e a paralisarem a sessão que confirmou a vitória de Joe Biden nas eleições realizadas em 2020. 

 O ataque é investigado pelo comitê da Câmara, que busca esclarecer o papel de figuras públicas e manifestantes no episódio considerado um dos maiores ataques da história à democracia americana. 

 "Um dia depois de incitar uma insurreição baseada em uma mentira, o presidente Trump ainda não conseguiu dizer que a eleição tinha acabado", disse a congressista Elaine Luria, nesta quinta, na oitava audiência pública realizada pelo comitê. 

 As críticas foram endossadas por outros parlamentares. Bennie Thompson, presidente do comitê, afirmou que o republicano "abriu o caminho da anarquia e da corrupção". "[Trump] tentou destruir nossas instituições democráticas", acusou o democrata. 

 Integrantes da comissão afirmaram que Trump tinha poder de desmobilizar a multidão, mas não o fez. Pelo contrário, o ex-presidente ainda ligou para parlamentares republicanos numa tentativa de convencê-los a atrasar a contagem de votos, segundo Luria. 

 Segundo a investigação, Trump ficou na sala de jantar da Casa Branca acompanhando o ataque pela televisão. "[Enquanto isso] sua equipe, conselheiros mais próximos e familiares imploravam que ele fizesse o que se espera de qualquer presidente americano", afirmou Luria. 

 Thompson voltou a dizer que todos os responsáveis pelo ataque, inclusive na Casa Branca, terão de "responder por seus atos perante a Justiça". "Isso terá sérias consequências, caso contrário, temo que nossa democracia não se recupere." 

 Em testemunho gravado, o ex-conselheiro da Casa Branca Pat Cipollone foi questionado sobre as ações de Trump no dia. Ele respondeu que o republicano não tomou qualquer providência para conter o episódio de violência, como ligar para o procurador-geral ou secretário de Defesa americano. 

 Uma testemunha anônima, descrita como funcionária da Casa Branca, relatou que agentes do Serviço Secreto, temendo por suas vidas, ligaram para seus familiares para se despedir durante o ataque. 

 O comitê ouviu nesta quinta as testemunhas Matthew Pottinger, que serviu no Conselho de Segurança Nacional, e a ex-secretária adjunta de imprensa da Casa Branca Sarah Matthews. Ambos renunciaram após 6 de janeiro. Mais de 850 pessoas foram presas pelo ataque ao Capitólio, que deixou cinco mortos e ao menos 140 policiais feridos. 

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