Domingo de luto em Londres: população homenageou as vítimas
Domingo de luto em Londres: população homenageou as vítimas | Foto: Odd Andersen/ AFP



O domingo foi de tristeza e cautela para moradores e turistas em Londres. Nas ruas, o reforço no policiamento armado chamou a atenção de quem passou pela região central. Londrinenses que moram na capital inglesa contaram que estão apreensivos. Maisson David Ferreira da Silva, 31, estava em casa quando foi surpreendido pelas primeiras notícias dos atentados.

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"Começaram a chegar mensagens para que as pessoas tomassem cuidado e evitassem as áreas. Entrei em contato com a minha família no Brasil e avisei que estava tudo bem", relatou. Silva mora em Londres com a família há 9 anos e decidiu não sair de casa neste domingo. "Como estou próximo a um hospital, a movimentação de ambulâncias foi bem intensa.

Infelizmente, a gente não tem para onde correr. Amanhã vamos ter que encarar o mundo lá fora e pedir para Deus cuidar nós. Na verdade, é uma roleta russa. A qualquer momento, a vítima pode ser você".

Como estratégia, a família passou a evitar pontos turísticos e multidões. Para Silva, nem mesmo a ação rápida da polícia tranquilizou a população. "Os policiais agiram muito rápido, mas não dá a sensação de segurança porque isso é feito depois do atentado e aí as pessoas atingidas já morreram", lamentou. "É triste porque a gente já vem de um lugar tão violento onde amigos tão próximos morrem vítimas do crime ou de acidentes, mas a diferença é que aqui eles usam o nome 'atentado' e chama mais a atenção", concluiu.

O londrinense Glauco Junior Felício, 38, mora em Londres há dez anos e também não saiu de casa no domingo (5), uma forma de proteger os dois filhos pequenos. "A gente nem comenta muito sobre o assunto para não preocupar o mais velho. Ele está bem tranquilo, mas a gente fica meio assustado com tudo isso. As autoridades não falam quase nada. Não dão uma orientação. Passa pela cabeça voltar ao Brasil, mas minha esposa quer ficar porque acha aqui mais seguro", contou. Segundo Felício, policiais de Londres teriam sido convocados neste final de semana para atuar na cidade de Cardiff, no País de Gales. O local foi sede da final da Liga dos Campeões no último sábado.

Outro colega londrinense, Rodrigo Pereira Machado, 29, está na capital inglesa há 1 ano. "Foi impactante. Aqui a mídia não cobre muito os problemas da cidade. Quando alguma coisa aparece na TV é porque é algo muito sério. Mas o pessoal começa a falar que Londres está um caos... No Brasil não tem atentado, mas matam dois ou três por dia. É que as pessoas não veem isso como atentado", ressaltou. A esposa Renata Machado, 22, que também é de Londrina, trabalhou normalmente no domingo. "Independente do que acontece, a vida tem que seguir. Londres não para. Mas isso é preocupante. Não há muita informação por aqui e fica essa incerteza. Na quinta-feira, eu estava no ponto de ônibus com a minha filha e policiais retiraram todo mundo da avenida. O comércio fechou as portas. Em 20 minutos, tudo voltou ao normal e ninguém soube o que aconteceu. Se era suspeita de bomba. Convivemos com isso", relatou.

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