Os dados mais recentes da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil acenderam um sinal de alerta que não se pode mais ignorar: mais da metade dos brasileiros não leu nenhum livro em 2024. Em cinco anos, o país perdeu cerca de 6,7 milhões de leitores, movimento que expõe não apenas uma mudança de hábitos, mas um enfraquecimento estrutural da relação entre a sociedade brasileira e a leitura.

A pesquisa foi realizada pela Câmara Brasileira do Livro. A principal justificativa é a falta de tempo em uma rotina cada vez mais acelerada. Segundo levantamento do Instituto Locomotiva, 65% da população afirma não ter tempo livre durante a semana. Entre aqueles que têm algum momento de ócio, a maioria o dedica às redes sociais (79%), enquanto apenas 15% escolhem a leitura.

Não por acaso, o País frequentemente fica no fim da fila e ocupa a 59ª posição dentre 70 países em rankings internacionais como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) e o PIRLS (Estudo Internacional de Progresso em Leitura, sendo que apenas um em cada quatro brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura. Uma criança que tem uma família que lê para ela, chega aos 5 anos de idade com 6 mil palavras a mais que aquela que não tem.

Especialistas em educação apontam que o problema começa cedo. A perda de centralidade da escola como formadora do hábito leitor e a fragilização das práticas de mediação, como a contação de histórias, comprometem a construção do vínculo afetivo com os livros. Antes de ser uma habilidade técnica, a leitura é uma experiência simbólica, emocional e social. Sem esse elo inicial, dificilmente se consolida como prática duradoura.

Ao mesmo tempo, iniciativas individuais e coletivas mostram que o desinteresse não é irreversível. Projetos educacionais, grupos de leitura e trajetórias pessoais demonstram que o contato significativo com os livros pode transformar realidades, ampliar repertórios e criar pertencimento. Esses exemplos reforçam que formar leitores não depende apenas de títulos disponíveis, mas de mediação, incentivo e tempo compartilhado.

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