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m de leitura Atualizado em 29/01/2022, 07:24

Canga vira negócio e ganha espaço até na decoração de casas

Conhecidas, hoje, como panneaux ou pareôs, elas têm espaço não só na areia, mas também em looks urbanos e na composição de ambientes

PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de janeiro de 2022

Marina Costa/ Folhapress
AUTOR autor do artigo

Foto: iStock
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Da praia para o sofá, as cangas ganharam status de mantas despojadas Da praia para o sofá, as cangas ganharam status de mantas despojadas
Da praia para o sofá, as cangas ganharam status de mantas despojadas |  Foto: iStock
 

São Paulo - Típicas das praias, as cangas ganharam novas estampas, usos e até nomes. Hoje, conhecidas como panneaux ou pareôs, elas têm espaço não só na areia, mas também em looks urbanos e na decoração de ambientes - e é nessa versatilidade, combinada com estampas exclusivas, que algumas marcas têm apostado para atrair diferentes perfis de consumidores.​

A demanda pelos pareôs da Panou é maior no verão, período que concentra metade das vendas anuais, mas 40% dos clientes utilizam o adereço no dia a dia, diz Adriana Ferraz, 35, estilista e sócia-fundadora da marca criada com o marido, Caio Veronezi, 35. "Existe uma busca por produtos versáteis e os pareôs caem nisso. São produtos que dão a possibilidade de usar tanto na cidade quanto na praia, e a gente consegue acessar os dois mundos com a mesma peça", afirma Veronezi.

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A marca começou como estúdio de estampas, produzindo para outras marcas, e passou a investir em coleções próprias em 2017. A transição entre as duas atividades foi gradativa e, desde 2021, os desenhos de Ferraz são exclusivos para as peças  próprias.

No último ano, a empresa cresceu quase três vezes, em comparação com 2020, segundo os sócios. Na prática, pareôs e panneaux são sinônimos, mas há diferenças. Pareôs remetem às modelagens transpassadas e amarradas no corpo, enquanto panneaux são lenços que, dependendo da aplicação, também funcionam como pareôs, segundo Anay Zaffalon, professora do MBA em negócios da moda da ESPM.

Ela explica que a tendência ganhou força no Brasil há cinco anos, alavancada pelo costume de usar as cangas. "É uma opção um pouco mais elegante que a canga tradicional, de algodão, meio tie-dye, que costumava ser importada. Essa é a versão brasileira, com estampas muito locais, com barrado [moldura nas bordas para delimitar a área ilustrada], e tudo isso dá um apelo mais bonito."

Na Sau, inaugurada em fevereiro de 2021, os panneaux estão no catálogo desde o princípio. Os desenhos foram feitos à mão por Marina Bitu, 31, sócia-fundadora e diretora criativa da marca, nos primeiros modelos lançados. Já na coleção mais recente, as estampas foram desenvolvidas pela artista cearense Auxi Silveira, do Studio Drawxi. Há demanda durante o ano inteiro, mas o uso principal ainda é na praia. Há clientes que usam a peça até como decoração em casa, fazendo as vezes de arte, faceta explorada por outras marcas.

Em média, a Sau produz de 100 a 150 panneaux por coleção, cuja duração varia de dois a três meses. Em 11 meses de operação, o faturamento foi de aproximadamente R$ 500 mil. .Já na Beauvivant, cujo conceito é combinar moda e arte contemporânea, os carros-chefe eram os lenços de seda até 2020, ano em que passou a apostar nos panneaux.

"A experiência foi muito interessante, porque, como os lenços estavam pendurados na vitrine, muitas pessoas entravam na loja achando que era galeria de arte ou que eram tecidos para decoração. Muita gente perguntava: 'posso jogar no sofá?'", conta a designer Itciar Eguia, 49, fundadora da Beauvivant.

Para Zaffalon, da ESPM, a procura pela peça como adereço em casa está ligada ao crescimento do setor de decoração para casa durante a pandemia. "O lenço sempre teve muito apelo de arte. Ele tem barrado [moldura], tem a ideia de quadro, então isso tem trazido o desejo de usar também na decoração, porque as estampas têm sido cada vez mais especiais."

Apesar da variedade de possíveis usos, os panneaux não garantem rentabilidade fácil para as empresas nem equilibram a sazonalidade de verão .Uma das razões é o custo maior para confeccionar estampas localizadas. A peça complementa as coleções, mas é recomendável conhecer a preferência dos clientes antes de investir e acrescentá-la ao catálogo. Isso porque ela ainda se adequa melhor à praia do que à cidade, por características como os tecidos finos e a sustentação apenas por amarrações, segundo Zaffalon.

A professora exemplifica com itens mais populares, como o biquíni cortininha e as calças jeans: "Alguns produtos funcionam para todos e outros são mais específicos. Dão trabalho para serem feitos, para desenvolver o protótipo, mas depois não vendem uma quantidade suficiente, que reduza o custo de desenvolvimento".

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