A PCPR (Polícia Civil do Paraná) deflagrou nesta semana a megaoperação “Big Fish” em cinco estados para desarticular um grupo voltado à exploração de jogos de azar, de atuação nacional há 10 anos e que teria movimentado cerca de R$ 2 bilhões. A ação, realizada em parceria com o MPPR (Ministério Público do Paraná), aconteceu em 27 cidades dos estados do Paraná - incluindo Londrina -, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Goiás. Até a tarde desta quarta-feira (8), 61 pessoas haviam sido presas preventivamente, sendo que as equipes seguem nas ruas para localizar mais 24 suspeitos com ordens de prisão em aberto. Os envolvidos também são investigados por lavagem de dinheiro, com o centro da atuação em Cianorte (Noroeste), e organização criminosa.

Junto das pessoas apontadas como as principais lideranças do grupo e membros dos núcleos financeiro e operacional, foram presos Victor Hugo Davanço (PODEMOS), presidente da Câmara Municipal de Cianorte, e Marcelo Zaia (PSD), vice da Casa Legislativa de Goioerê, no Centro-Oeste. A PCPR declarou que não poderia relatar o motivo da prisão dos parlamentares devido à Lei de Abuso de Autoridade.

Organização criminosa operava por meio de diversas plataformas digitais e jogos de azar on-line, como o Tigrinho
Organização criminosa operava por meio de diversas plataformas digitais e jogos de azar on-line, como o Tigrinho | Foto: PCPR

Império financeiro

Nos endereços alvos, os policiais apreenderam montantes em reais, dólares e euros, máquinas caça-níquel, armas de fogo, munições, celulares e documentos. Também atuaram para o cumprimento do sequestro de 132 veículos, 111 imóveis e mais de cem cabeças de gado, totalizando R$ 87 milhões. Foram removidos da internet 21 sites de apostas ilegais.

Dois dos maiores grupos dedicados à exploração de jogos ilegais no país, um baseado no Paraná e o outro em Goiás, se uniram para formar o conglomerado empresarial, segundo apurou a PCPR. “Os investigados firmaram parcerias com outras organizações criminosas para fornecer o sistema de jogo criado por eles, chegando a 19 estados brasileiros. Com isso, formaram um verdadeiro império financeiro, com alto poder aquisitivo, casas de altíssimo padrão e veículos de luxo avaliados em até R$ 700 mil”, explicou o delegado Ricardo Monteiro, de Apucarana (Centro-Norte).

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Lavagem de dinheiro bilionária

O grupo teria movimentado mais de R$ 2 bilhões ao longo de quatro anos por meio de 522.753 operações financeiras, tendo Cianorte como o centro da lavagem de dinheiro. Entre os milhares pontos de exploração de jogos ilegais mantidos, 15 mil deles eram do jogo do bicho. Os investigados usavam contas bancárias de laranjas para ocultar a origem dos montantes obtidos, com o patrimônio ilícito escondido por meio de fintechs e de empresas facilitadoras de pagamento.

A investigação apurou ainda que os envolvidos mantinham uma empresa que desenvolvia sistemas e plataformas on-line de exploração de inúmeras modalidades de jogos de azar. Técnicos atuavam na manutenção de sites e softwares utilizados pelo empreendimento.

“Esse núcleo tecnológico foi responsável por criar um sistema que permitiu que as apostas passassem a ser realizadas por meio on-line. Além deste sistema, a organização operava por meio de diversas plataformas digitais utilizadas para viabilizar diferentes modalidades de exploração ilegal, incluindo apostas esportivas e jogos de azar on-line, como o Tigrinho”, informou o promotor de Justiça Filipe Coelho.

Policiais apreenderam valores em reais, dólares e euros
Policiais apreenderam valores em reais, dólares e euros | Foto: PCPR

Operação nacional

A megaoperação foi realizada nos municípios de Londrina, Apucarana, Campo Mourão, Sarandi, Maringá, Cianorte Terra Boa, Curitiba, Goioerê, Cascavel, Cidade Gaúcha, Engenheiro Beltrão, Sabáudia, Marechal Cândido Rondon, Paraíso do Norte, Loanda, Medianeira, Faxinal e Alvorada do Sul (PR); Praia Grande e São Paulo (SP); Anápolis, Valparaíso de Goiás e Goiânia (GO); Caçador (SC); e Castanhal (PA).

A ofensiva é resultado de uma investigação de mais de três anos que teve início na cidade paranaense de Grandes Rios (Norte). Na ocasião, foram apreendidos seis aparelhos eletrônicos que passaram por perícia técnica. As informações obtidas levaram à identificação de uma empresa, sediada em Apucarana, que criou um software para a transmissão dos jogos e o registro de informações relacionadas à atividade ilegal.

Ao longo das apurações, a PCPR e o MPPR analisaram mais de 2,6 terabytes de dados e mais de 520 mil operações financeiras, por meio de 57 afastamentos de sigilo bancário e 62 afastamentos de sigilo fiscal.

Defesa dos vereadores

Em nota, a defesa de Victor Hugo Davanço informou que recebeu com surpresa o cumprimento de ordem judicial que culminou na prisão de seu cliente, relatando que não teve acesso ao conteúdo dos autos e segue monitorando o desdobramento do caso. Disse que medidas jurídicas serão tomadas e que o esclarecimento dos fatos levará à inocência do chefe do Legislativo.

Já a Câmara de Vereadores pontuou que ainda “não recebeu notificação oficial dos órgãos competentes acerca da situação noticiada envolvendo, supostamente, um vereador deste município”.

A reportagem não localizou a defesa de Marcelo Zaia, sendo que a Câmara de Goioerê comunicou que não foram notificados sobre a prisão do vice-presidente.

(Com PCPR)

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