UEL precisa suprir 17 mil horas em todos os cursos, mas Estado só libera 8,3 mil
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quarta-feira, 03 de abril de 2019
Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha 

O pró-reitor de Recursos Humanos da UEL, Itamar André Rodrigues do Nascimento, afirma que o déficit mensal de professores da universidade é de 17 mil horas/aula, distribuídas por todos os cursos. “A UEL passa por um problema sério de falta de professores, principalmente pelo alto índice de profissionais que se aposentam e que não são repostos”, afirma.
O problema, generalizado, preocupa os alunos do curso de Francês, que estão com horários livres na grade em todos os anos. Mas, com apenas dois professores no departamento, estudantes do último ano estão com apenas uma disciplina e sem orientadores para a monografia, exigência para a formatura - leia mais aqui.
Segundo Nascimento, o número muito superior de aposentadorias em relação às contratações prejudica o desenvolvimento das graduações ofertadas. “Os alunos têm uma carga mínima para cumprir e tem disciplinas muito específicas que, se o professor se aposentar, remanejamentos não resolvem”, alerta.
Os alunos têm uma carga mínima para cumprir e tem disciplinas muito específicas que, se o professor se aposentar, remanejamentos não resolvem.
Itamar André Rodrigues do Nascimento -
O número foi informado à Seti (Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) - que vai virar uma secretaria subordinada diretamente ao gabinete do governador Ratinho Júnior (PSD) após a aprovação da reforma administrativa na AL (Assembleia Legislativa) do Paraná.
Entretanto, deste total, foram liberados na gestão anterior a reposição de 4 mil horas, ampliadas para 8.366 mil horas em decreto assinado na semana passada e publicado no Diário Oficial do Estado do Paraná de terça-feira (2). A liberação abrange todas as universidades e a maior beneficiada é a UEM (Universidade Estadual de Maringá), que teve 18 mil horas liberadas.
Em que pese a solicitação da UEL seja maior que as autorizadas, neste governo foi feito um esforço de melhorar a situação do atendimento de demanda da universidade
Aldo Nelson Bona -
O futuro superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, disse que a ampliação de contratação de temporários foi permitida após uma análise das demandas das universidades, “na perspectiva de atender [as necessidades] da melhor forma possível, dentro de uma racionalidade e de possibilidade de crescimento”.
Ele ainda afirma que a UEL foi a quem teve o maior crescimento proporcional de contratações permitidas pelo decreto. “Em que pese a solicitação da UEL seja maior que as autorizadas, neste governo foi feito um esforço de melhorar a situação do atendimento de demanda da universidade, ao ponto em que passamos de 4.000 para 8.366 horas liberadas”, compara.
Ainda de acordo com ele, as reposições dos profissionais que deixam as instituições de ensino superior só serão feitas após a conclusão de um estudo para parametrizar as necessidades de recursos humanos de todas as universidades estaduais paranaenses. “Nós queremos parametrizar critérios para contratação de servidores no sistema. Isso nos permitirá fazer justiça em relação às demandas de cada instituição, de maneira equitativa, no Estado. Sabemos que as universidades têm tamanhos e portes diferentes, mas é possível parametrizar a contratação de pessoal”, afirma.


