Falta de professores ameaça formatura do curso de Francês da UEL
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quarta-feira, 03 de abril de 2019
Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha 

Os alunos do último ano do curso de Francês da UEL (Universidade Estadual de Londrina) temem prejuízos na formatura devido à falta de professores no departamento. Com apenas um docente concursado, com carga horária de 40 horas semanais, e outro temporário, que cumpre 20 horas, os formandos estão sem algumas disciplinas e dificuldade para encontrar orientadores para o trabalho de conclusão de curso, o TCC.
A ausência de professores provoca “buracos” na grade dos alunos e professores de outras disciplinas do tronco comum fazem “malabarismos” para reduzir prejuízos aos estudantes. O curso tem, atualmente, 45 alunos - a cada ano, são abertas 20 vagas, distribuídas por meio do vestibular ou do Sisu (Sistema de Seleção Unificado), baseado no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).
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Uma aluna do segundo ano da graduação ouvida pela FOLHA afirma que sua turma tem horários vagos em três matérias, da quais duas são anuais. Ainda segundo ela, os alunos do primeiro ano estão com uma matéria faltando na grade e os alunos do terceiro ano estão sem professores em quatro disciplinas.
A situação dos alunos do quarto ano é a mais preocupante: das cinco disciplinas que os alunos que se formam em 2019 deveriam ter, só têm aula em uma, de literatura - falta, inclusive, a matéria relativa à produção da monografia (TCC). “O quarto ano tem só uma disciplina de 120 horas, mas a carga total é de 480 horas. Eles terão de ter aulas nos sábados e no contraturno para conseguir cobrir essa carga horária”, afirma a aluna.
O balanço foi passado pela coordenadoria do curso aos alunos em uma reunião. O chefe do departamento de LEM (Línguas Estrangeiras Modernas, que inclui as graduações em francês, inglês e espanhol), Jefferson Januário dos Santos, confirma a falta de professores e os remanejamentos de professores de outros cursos para manter os alunos com a grade o mais completa possível.
“O curso de Francês deveria ter quatro docentes em 40h, regime Tide (Tempo Integral de Dedicação Exclusiva, que impede o professor de dividir suas atenções com empregos fora da universidade), enquanto a gente só tem um, mais essa outra [professora] de 20h semanais. E isso está provocando esse problema enorme, estamos com dificuldade até para levar o curso adiante”, diz
A única professora concursada, aliás, acaba sobrecarregada: além de assumir a coordenadoria do curso, ainda coordena o programa Paraná Fala Francês (programa para capacitar docentes, discentes e agentes universitários na língua) e a orientação de graduandos.
Segundo Santos, a falta de professores é consequência da política de não-contratação de servidores aprovados em concursos públicos para repor profissionais que deixam os cargos por aposentadoria, morte ou exoneração.
Isso está provocando esse problema enorme, estamos com dificuldade até para levar o curso adiante
Jefferson Januário dos Santos -
O último concurso foi realizado em 2015, com validade de dois anos, e já foi prorrogado por mais dois. Apesar disso, o governo do Paraná não liberou a contratação - a regra é para todos os cursos e todas as universidades estaduais, que sofrem com falta de mão de obra.
As ausências são supridas por contratações temporárias, mas o cadastro reserva do último processo seletivo já acabou, segundo Santos. Além disso, uma professora temporária para o curso pediu exoneração para assumir uma vaga concursada em uma universidade federal.
O chefe do departamento espera que a situação melhore no segundo semestre, uma vez que foram liberados para o curso a contratação de professores para suprir 80 horas/aula semanais. “A universidade nos autorizou a substituir os aposentados por quatro professores temporários de 20h semanais”, explica.
Entretanto, a demora para a substituição decorre da burocracia necessária para promover o processo seletivo e a posterior contratação.


