Um homem de 32 anos morreu no início da tarde desta sexta-feira (14) enquanto trabalhava em uma escavação da Rua Guilherme Farel, na zona sul de Londrina, onde está sendo construído o Centro de Distribuição de uma rede de supermercados regional. Ele estava dentro da valeta recém-construída quando foi soterrado pela terra, morrendo asfixiado antes mesmo de o Corpo de Bombeiros chegar. A Polícia Científica recolheu o corpo e o encaminhou ao IML (Instituto Médico Legal) de Londrina. O funcionário era casado e havia iniciado o serviço na obra há somente dois dias.

O 5° BPM (Batalhão de Polícia Militar) foi acionado às 13h30. No local, o cabo Robert Ulrich Conson explicou que um segundo trabalhador operava uma escavadeira enquanto a vítima estava dentro da valeta, quando a terra desmoronou. Ambos são funcionários da terceirizada responsável pela implantação da galeria pluvial. “Ele ficou soterrado ali, vindo a ser asfixiado. Tinha o companheiro dele que estava operando a máquina e viu na hora, inclusive tentou tirar a terra de cima dele, o pessoal tentou socorrer. Os bombeiros foram os primeiros a chegar, e quando eles chegaram estava chovendo. Retiraram o corpo de dentro da valeta, até por risco de novo desabamento no local”.

A equipe médica do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) constatou o óbito assim que chegou, não podendo “fazer mais nada, não tinha mais chance de socorrer”, disse o cabo. A Polícia Científica chegou por volta das 15h30. Um perito fotografou a cena e a equipe recolheu o corpo, levando-o ao IML para a realização da autópsia. Policiais civis também estiveram no local, informando que, a princípio, nada aponta para um crime doloso - com intenção de matar -, mas que as circunstâncias do óbito serão apuradas.

A esposa do homem esteve no local antes de o corpo ser recolhido.

A Polícia Científica recolheu o corpo do trabalhador e o encaminhou ao IML de Londrina
A Polícia Científica recolheu o corpo do trabalhador e o encaminhou ao IML de Londrina | Foto: Heloísa Gonçalves

Reanimação sem sucesso

Um funcionário contou à reportagem que a vítima havia integrado à equipe há dois dias, atuando com serviços gerais. Ele não estava próximo à valeta no momento do ocorrido, descobrindo o acidente pela comoção causada entre os trabalhadores. Os companheiros tentaram reanimá-lo, sem sucesso, lamentou o homem. Ele não soube dizer se a obra será paralisada temporariamente.

A reportagem entrou em contato com a rede de supermercados, mas não obteve retorno.

O trabalhador, de 32 anos, estava dentro da valeta quando a terra desmoronou
O trabalhador, de 32 anos, estava dentro da valeta quando a terra desmoronou | Foto: Heloísa Gonçalves

Bloqueio da via

O Centro de Distribuição na Rua Guilherme Farel, que corta a Rodovia Celso Garcia Cid, está em construção há mais de dois meses, objetivando fortalecer a logística regional da rede. Nesta semana, a empresa responsável interditou parte da rua com barreiras de concreto, com passagem indicada somente a moradores, o que levou ao fluxo intenso de trânsito na área.

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A obra é realizada em conjunto e com anuência da Secretaria Municipal de Obras. A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) pontuou que a intervenção “irá beneficiar não somente o empreendimento privado, mas toda população ao redor”. Durante fiscalização realizada no local, agentes da Companhia orientaram o responsável “a seguir todas as orientações sobre segurança e compartilhamento das informações sobre a interdição para os moradores impactados”, reforçando a sinalização viária no local.

As linhas 229 e 907 do transporte público foram afetadas pelo bloqueio, com desvio necessário. Os pontos de parada localizados na via foram transferidos para a marginal da PR-445 e Rua Prefeito Faria Lima. “A CMTU reforça que intervenções que impliquem ocupação ou interdição de vias públicas devem ser previamente autorizadas e realizadas de acordo com as normas municipais, de modo a garantir a segurança e a mobilidade da população”, completou a nota.

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