O homem marroquino suspeito de agredir e aplicar um golpe em mulheres da mesma nacionalidade em Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), no mês passado, foi preso preventivamente em uma operação nesta terça-feira (11). Ele atraiu as refugiadas, que emigraram com vistos temporários, com a promessa de regularização documental, emprego e moradia, tomando o dinheiro pago pelo serviço falso e as despejando. O homem é investigado pelos crimes de estelionato, lesão corporal e dano, também com indícios de que estaria realizando a promoção ilegal de imigração no Brasil. Junto dos filhos, as vítimas receberam acompanhamento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Família, partindo para a capital de São Paulo na última sexta (7) em busca de “uma vida digna”, conforme a chefe da pasta.

A 11ª Subdivisão Policial de Cornélio Procópio chefiou a operação, cumprindo os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão na residência do suspeito, que tem 28 anos e está no Brasil há cerca de seis meses. Aparelhos eletrônicos serão submetidos à perícia para o esclarecimento dos fatos com auxílio de tradutor e aplicativo de tradução, visto que o homem somente fala árabe. “Foi solicitada a quebra de sigilo telefônico para verificarmos se houve mais vítimas, porque tudo leva a crer que outras pessoas pagaram para ele regularizar a situação delas aqui no Paraná, bem como se há outro crime que ele tenha cometido na região”.

O marroquino está preso na Cadeia Pública de Cornélio Procópio e passou por audiência de custódia. O delegado Adriano Diogo informou que o homem alegou possuir restrições alimentares ao solicitar a liberdade provisória. “Ele disse que, por ser de religião muçulmana, a alimentação é específica e ele não pode comer a carne feita no país. O Ministério Público manifestou para a revogação da prisão e colocar a tornozeleira eletrônica nele, e está concluso para o juiz decidir”.

O suspeito manteve sua versão original do ocorrido, dizendo que uma das vítimas é irmã de um amigo, que o procurou pedindo ajuda contando que as mulheres estavam em situação de rua na capital paulista. Por ter ficado “com dó”, teria pago as passagens de ônibus para Cornélio Procópio para que ficassem no apartamento dele até se estabelecerem e encontrarem outro local para ficar.

O homem pode responder pelos crimes de lesão corporal e dano, por ter agredido e quebrado o celular de uma das refugiadas, e estelionato contra vulneráveis, “tendo em vista a condição das mulheres, sem saber o idioma no país, com crianças pequenas e sem dinheiro”, elencou Diogo. Com o prosseguimento das diligências, serão atestados possíveis indícios de promoção ilegal de imigração no país. A Embaixada do Marrocos no Brasil e a PF (Polícia Federal) foram acionadas.

Despejo e agressão

As vítimas são uma mulher de 27 anos, mãe de uma menina de três anos que emigrou do Marrocos (Norte da áfrica) há cinco meses após a separação do marido, e outra mulher de 29 anos, que chegou ao Brasil há um mês acompanhada da filha de um ano e o mais velho de sete. Elas se conheceram em uma mesquita que abrigava refugiados na capital de São Paulo, contatadas pelo suspeito por meio de um aplicativo de mensagens. O homem, residente de Cornélio Procópio, prometeu o aluguel de uma casa em nome das matriarcas e regularizar a documentação das duas famílias.

Elas viajaram juntas de ônibus e chegaram ao município em 17 de julho, passando o fim de semana no apartamento do suspeito até serem expulsas após dois dias. O valor pago para a regularização, cerca de R$10 mil, não foi devolvido. O suspeito levou a mulher mais velha até a rodoviária junto de seus filhos, já a mais nova, para a região central. Lá, agrediu a jovem após ser questionado do motivo de sua ação.

As marroquinas foram acolhidas na Casa de Passagem do município, recebendo assistência da Secretaria de Desenvolvimento Social e Família, e encaminhadas para um hotel no dia 26. Visto que as mulheres só falam árabe, o contato foi viabilizado por um morador que entende a língua e por meio de um aplicativo de tradução.

‘Trabalhar e aprender português’

Legais no país com vistos de turistas, as mulheres optaram por voltar a São Paulo na última sexta, contou a secretária Nanny Marques. “Fornecemos as passagens e fizemos contato com a Assistência Social de lá. Por ser um grande centro, elas decidiram ir para trabalhar e aprender português, têm a intenção de continuar no país. Elas estavam bem, mas não querem voltar para o Marrocos. Uma delas trabalha com flores e decorações e a outra dizia que só queria trabalhar e dar uma vida digna aos filhos, já que no Marrocos não aceitam a condição de separada delas”.

Ambas assinaram declarações de que estavam deixando Cornélio Procópio por vontade própria, com o atendimento da Secretaria orientado pelas polícias Civil e Federal.

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