Tempestade causou a queda de uma árvore de grande porte no Bosque Central: dois carros foram atingidos
Tempestade causou a queda de uma árvore de grande porte no Bosque Central: dois carros foram atingidos | Foto: Marcos Zanutto



Árvores caídas, semáforos desligados, casas destelhadas e sem luz, telefonia e internet sem funcionar. Foi esse o cenário provocado pelo temporal que atingiu Londrina na tarde desta quarta-feira (17). O Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) registrou ventos de até 70 km/h. De acordo com a Copel (Companhia Paranaense de Energia), mais de 70 mil domicílios ficaram sem energia elétrica. Já a Sercomtel registrou 20 mil usuários sem internet.

Foram dez postes quebrados pela queda de árvores sobre a rede elétrica na cidade, segundo a Copel. A tempestade causou a queda de uma árvore de grande porte no Bosque Central, na avenida Rio de Janeiro, em direção à Biblioteca Municipal e à agência dos Correios. Ninguém ficou ferido, mas dois carros foram atingidos com a queda e a fiação foi arrancada.

LEIA TAMBÉM:
- Escolas e unidades de saúde foram afetadas

O empresário Hilton Carvalho Nunes, 39, tinha acabado de estacionar seu carro, um Ecosport, quando foi surpreendido por um estrondo. "Foi um susto enorme. O coração bateu mais forte. Ergui minhas mãos para o céu para agradecer", contou. Ele estava pronto para descer do carro, mas decidiu esperar, decisão que o salvou. "Faz uma semana que fiz aniversário e agora nasci de novo. O carro foi destruído, mas estou são e salvo", disse aliviado.

Os prédios da região não foram atingidos, mas ficaram sem energia, como foi o caso do edifício da FOLHA.

"Trabalho aqui há 33 anos e só recentemente vi algo como isso acontecer. Ano passado precisou a moça do Zona Azul morrer e agora uma árvore próxima caiu. Foi assustador o barulho do estouro do transformador", contou o funcionário dos Correios José Carlos dos Santos, 55, citando a o acidente em que um galho matou a agente da Zona Azul Ellen Cristina de Oliveira, 34, em dezembro do ano passado.

Já na Biblioteca Pública o clima era de normalidade, apesar das portas fechadas. "Havia oito pessoas estudando na hora da tempestade. Nada aconteceu, mas o servidor de dados da Maternidade Municipal Lucilla Ballalai fica instalado aqui no prédio. A falta de energia interrompe o acesso deles", explicou Tatiana Santos, 28, técnica de gestão da instituição.

Fortes ventos deixaram rastros de destruição em várias regiões de Londrina
Fortes ventos deixaram rastros de destruição em várias regiões de Londrina



Segundo o Simepar, o maior volume de água caiu entre 14h30 e 15h, quando alcançou a marca de 6 milímetros, o que não é considerado alto. A gravidade dos problemas, no entanto, deveu-se aos fortes ventos, que chegaram a 70 km/h. "Episódios como esse são típicos da primavera, e como se formam muito rápido, são difíceis de prever e não devem ser descartados nos próximos dias", avisou a meteorologista Ângela Beatriz Costa, do Simepar. O sistema meteorológico normalmente se forma sobre o Paraguai e o norte de Argentina e atingiu Cascavel pela manhã. Na região, a chuva registrada chegou a atingir 55 milímetros.

PREJUÍZOS


A impressão para quem trafegou pela avenida Henrique Mansano, na zona norte, era de que um furacão havia passado por ali por conta das inúmeras árvores e galhos pelo chão. Próximo dali, no Jardim Santa Mônica, a queda de árvores provocou a falta de energia em diversas residências. Preocupado com a família, o estudante de arquitetura Mateus de Oliveira Machado estava avaliando os estragos. "Fez um barulhão danado, pensei que estava acabando o mundo", disse.

O padeiro Henrique Sabino estava preocupado com o retorno da energia elétrica na região do Parque Ouro Verde (zona norte). "Estamos vendendo o resto do pão e depois vai fechar. As câmaras frias estão cheias e se não voltar a energia vamos perder tudo, cerca de 2.000 pães", estimou.

Os ventos colaboraram, também, para aumentar a espera pelo atendimento na UPA do Jardim Sabará (zona oeste). Completamente no escuro, cerca de 30 pessoas aguardavam do lado de dentro e, segundo uma funcionária, a orientação era para que os casos com maior urgência se dirigissem à UPA do Jardim do Sol, que não teve problemas estruturais.

Na avenida Arthur Thomas, Estevão Jadir serrava galhos de uma grande árvore caída com uma motosserra, na tentativa de liberar uma via para os veículos. "Eu estava passando aqui e como tenho ferramentas tentei desobstruir uma via porque o tráfego das 18h aqui é horrível", contou. Ele trabalha com o corte de lenha e voltava para casa ao se deparar com a árvore.

No final da tarde funcionários da Copel realizavam a manutenção na rua Goiás, entre as avenidas JK e Maringá. Muitos estabelecimentos comerciais estavam no escuro, bem como na avenida Higienópolis.

Moradores tiveram trabalho para consertar casa destelhada na zona norte
Moradores tiveram trabalho para consertar casa destelhada na zona norte | Foto: Gustavo Carneiro



No Conjunto Hilda Mandarino (zona norte), Irene Aparecida Santos disse que ficou com medo pelas crianças, que não acordaram nem com a queda da árvore na frente da casa dela, que destroçou parte da calçada. Ronaldo de Oliveira, seu genro, trabalha na Secretaria de Obras e veio auxiliá-la. Com um machado já retirava os galhos maiores enquanto esperava por auxílio da Sema (Secretaria do Meio Ambiente).

Milene Maria Lourenço lamentou o destelhamento de sua residência, no mesmo bairro. "Está molhando tudo. Eu estava trabalhando e ligaram para mim, mas estava sem linha de telefone, sem nada'", relatou.

Já Maria de Lourdes dos Santos agradeceu a Deus por ter sua filha junto no momento do vendaval. "Já deu tanto temporal e eu nunca tinha ouvido um barulho daquele jeito. Quando olhei na janela da cozinha tinha um pedaço de telha, as telhas caíram. No banheiro está chovendo ainda, na cozinha está chovendo ainda, os colchões estão molhados, mas graças a Deus estamos aqui", contou.

"Não tem ligação, está tudo mudo, nem celular", reclamou a moradora Maria Aparecida Barros, que reside na zona norte há 26 anos e disse ser a primeira vez que vê uma destruição dessa maneira.

SUSTO

"Nasci de novo", afirmou proprietário de veículo destruído em posto de combustíveis na zona norte. A cena chamou a atenção de quem passava pelo local: uma camionete S10 preta estava completamente destruída na avenida Winston Churchill. O vendaval deslocou a estrutura do posto de modo que uma das bases ficou sobre o veículo. O motorista, que não quis se identificar, disse que chegou a ficar 30 segundos inconsciente por conta da pancada na cabeça e foi retirado do carro pelos frentistas.

Uma árvore quebrou o muro e invadiu a residência de Aparecida Bueno, também na zona norte. Ela, que já tinha pedido à Sema que retirasse a árvore porque estaria podre, não teve a reivindicação atendida a tempo. "Agora eles vão ter que tirar", brincou.

mockup