Tarifa de ônibus em Londrina é maior do que em 20 capitais
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quinta-feira, 03 de janeiro de 2019
Simoni Saris/Reportagem Local 

Os londrinenses começaram o ano com alta no preço de um serviço essencial para a população, o transporte público. No dia 1º de janeiro, a tarifa foi reajustada em 7,5% e subiu R$ 0,30, passando de R$ 3,95 para R$ 4,25. A tarifa do Psiu, que possui veículos e serviços diferenciados, saltou de R$ 5,15 para R$ 5,50.O novo preço da passagem de ônibus no município ficou acima do valor cobrado pelo serviço em 20 das 27 capitais brasileiras, incluindo o Distrito Federal, e alcançou o valor da tarifa paga pela população de Curitiba, cidade com 1,9 milhão de habitantes. Os usuários do sistema em Londrina se mostram conformados com o aumento, mas reclamam da qualidade do serviço prestado.
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"Eu ouvi que o preço seria ainda mais alto do que os R$ 4,25. É um absurdo, mas você já vem esperando um aumento para janeiro. Todo ano é assim, né?", disse a diarista Rosinei Josiane Conrado. Ela paga passagem integral para ir e voltar do trabalho, usa o transporte de segunda a sábado, mas ainda não parou para calcular o quanto o reajuste vai pesar no bolso. Do orçamento da diarista, serão mais R$ 14,40 por mês destinados aos gastos com transporte público. Ao final de um ano, são quase R$ 200 a mais.
Conrado se queixa das condições do serviço oferecido em Londrina e vem notando uma queda gradativa na qualidade nos últimos anos. "Os ônibus circulam sempre lotados e não tem mais cobrador. Então, os ônibus ficam mais tempo parados nos pontos e estão atrasando os horários porque o motorista tem que cuidar da porta, cobrar a passagem e ainda prestar atenção no trânsito. É muita coisa para o motorista fazer", queixou-se. "E os ônibus que vão para o meu bairro (conjunto Lindoia) são os mais velhos. Não renovam a frota."
A empregada doméstica Fátima Guidothi também viu a qualidade do serviço cair desde o início do ano passado. "Há sete ou oito meses não era assim. Piorou a qualidade do sistema com a integração de algumas linhas, como a Interlagos-Bandeirantes e a Hedy-Alexandre Urbanas, que são as que eu uso sempre. Antes, o intervalo entre os ônibus era de 20 minutos. Agora a gente fica 40, 50 minutos no ponto esperando o ônibus passar. Deixaram menos ônibus nas linhas."
Guidothi, no entanto, entende que as empresas prestadoras do serviço têm que arcar com muitos custos e considera necessário o reajuste da tarifa. "Todo janeiro tem aumento e nunca é pouco. A empresa até queria sair da cidade", comentou, referindo-se ao ofício protocolado na CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) pela TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) no final de novembro informando que não participaria da concorrência pública que irá licitar o serviço de transporte em Londrina para os próximos 15 anos. No momento o edital está suspenso por determinação judicial.
Para o aposentado Gil Rezende, o aumento "é justo". "A qualidade do serviço está boa e não tenho do que reclamar", afirmou, embora reconheça que os índices de aumento aplicados sobre as tarifas dos serviços básicos sempre ficam acima das reposições salariais. "O valor dos serviços é alto e os salários são insuficientes para as nossas necessidades. Mesmo não pagando passagem de ônibus, eu sinto o peso desses aumentos."
Os R$ 4,25 cobrados pela passagem de ônibus em Londrina atualmente tornam a tarifa do transporte público no município uma das mais caras do Brasil. Entre as 27 capitais brasileiras, apenas seis têm tarifas mais altas do que em Londrina. Em Brasília (DF), os valores variam de R$ 1,55 a R$ 7,80, mas as tarifas da capital federal incluem as linhas que servem as cidades satélites. Situação parecida acontece em Belo Horizonte (MG) e Recife (PE).
Na capital mineira, onde vivem mais de 2,5 milhões de habitantes, o preço varia de R$ 1 a R$ 4,50, dependendo da linha utilizada. A tarifa mais cara vale para as linhas perimetrais, ônibus semi expressos e para a integração com o metrô. Usuários de circulares e alimentadores pagam R$ 3,15 pelo serviço. No Grande Recife, os valores também são diferenciados conforme o anel utilizado. Para distâncias mais longas, o preço da passagem também é maior, variando de R$ 2,10 a R$ 6.
Em Porto Alegre, a tarifa custa R$ 4,30, em Florianópolis, R$ 4,40, e em São Paulo, R$ 4, mas esse valor será reajustado na próxima segunda-feira (7), quando os paulistanos passam a pagar R$ 4,30 para andar de ônibus ou metrô. Em Curitiba, o valor da passagem é R$ 4,25, o mesmo de Londrina.
Vale lembrar que com exceção de Florianópolis, todas as outras capitais onde a passagem de ônibus é mais cara do que em Londrina têm população acima de um milhão de habitantes. São Paulo, que terá uma tarifa apenas R$ 0,05 mais cara do que a de Londrina, é a maior cidade brasileira, com 12,1 milhões de habitantes.


