Estoque de vacinas da Secretaria Estadual de Saúde ultrapassa 250 mil doses inteiras
Estoque de vacinas da Secretaria Estadual de Saúde ultrapassa 250 mil doses inteiras | Foto: Miguel Schincariol/AFP



Mesmo com os surtos da doença no Brasil, com 11 casos confirmados e quatro óbitos até o último boletim do Ministério da Saúde, divulgado na semana encerrada no dia 8, e a proximidade com São Paulo, que concentra boa parte destes números (oito confirmados e dois óbitos), a Sesa (Secretaria Estadual da Saúde do Paraná) considera possível superar a sazonalidade da doença, mantendo o "cordão de isolamento" mediante o exercício do bom senso de cada habitante do Paraná.

Segundo a pasta, manter o cordão de isolamento da febre amarela no Paraná depende de cada habitante do Estado. "Risco existe, ainda mais no auge da sazonalidades das doenças transmitidas por mosquitos, mas usando repelente para proteção e avaliando o risco-benefício das próprias escolhas, cada cidadão que vive no Paraná consegue colaborar de forma efetiva para os números de confirmações e óbitos daqui prosseguirem no zero", ressalta a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesa, Júlia Cordelinni.

Tanto o Ministério da Saúde quanto a Sesa realizam o monitoramento anual da febre amarela a partir de julho, quando inicia a sazonalidade, e nos dados federais houve 14 notificações, com uma confirmação ainda em 2017. A Sesa, no entanto, afirma que 2018 segue sem qualquer confirmação. Quanto aos óbitos, o último caso confirmado no Paraná foi em 2008, em Laranjal, região central do Estado. Também foi essa última ocorrência de febre amarela autóctone confirmada no Estado.

Quanto ao exercício do bom senso e do comportamento responsável sobre a própria saúde e o impacto disso na vida de outras pessoas abrange, Cordellini recomenda que cada um avalie a real necessidade de tomar a vacina que, segundo a Sesa, está disponível na versão inteira (não fracionada como nos Estados com registro de surtos) nos 399 municípios. "Quem vai viajar para os locais de risco ou até mesmo vive ou vai passar por áreas de mata fechada no Paraná, deve se vacinar e usar repelente. Sendo que aqueles que tomaram a vacina, não precisam, já que desde abril o Programa Nacional de Imunização verificou que uma dose inteira imuniza contra a febre a amarela para o resto da vida", orienta.

LEIA TAMBÉM:

Mudanças na aplicação das doses em Londrina
Especialista tira dúvidas sobre vacina

A superintendente esclarece que na dúvida, boa parte das pessoas podem buscar junto a unidade de saúde dos municípios informações sobre o histórico de vacinação para saber se tomaram a dose da vacina contra a febre amarela, que normalmente é aplicada aos 9 meses de idade. Conforme a superintendente, a Sesa dispõe de um estoque de 250 mil doses inteiras, além do que as 22 regionais e os municípios paranaenses possuem.

Mesmo assim, a vacinação é seletiva e indicada para crianças a partir dos 9 meses e adultos até os 59 anos. "A prioridade é quem reside em áreas de matas e rios ou que fazem atividades como trilhas, pesca e acampamentos. Quem for visitar esses locais, deve procurar a unidade de saúde pelo menos 10 dias antes da viagem. Esse é o tempo necessário para garantir a devida imunização contra a doença", reforça.

A superintendente explica que não houve registros de reações alérgicas graves com relação a vacina da febre amarela no Paraná. Contudo, o Programa Nacional de Imunização alerta que gestantes, mulheres que amamentam, crianças até 9 meses de idade, adultos maiores de 60 anos, pessoas com alergia grave a ovo ou imunodeprimidos só sejam vacinados com indicação médica.

A Sesa assegura que além da vigilância de casos, o Estado também realiza a vigilância do óbito de macacos e coleta de mosquitos. Apenas em 2017, foram investigados 182 pontos em 89 municípios, o que corresponde a 22,3% do território estadual. O último inquérito foi realizado no mês de dezembro e, até agora, todos os resultados foram negativos para a presença do vírus.

Brasil
O Ministério da Saúde utiliza a dose padrão da vacina de febre amarela, com 0,5 ml. Já para a dose fracionada são aplicados 0,1 ml, o que representa 1/5 da dose padrão. Um frasco com 5 doses da vacina de febre amarela, por exemplo, pode vacinar 25 pessoas e um frasco com 10 doses pode vacinar 50 pessoas. Estudo da Bio-Manguinhos/Fiocruz aponta a presença de anticorpos contra febre amarela, após 8 anos, na dose fracionada, semelhante ao observado com a dose padrão neste mesmo período. Estudos em andamento continuarão a avaliar a proteção posterior a esse período.

Em relação ao surto que ocorreu no primeiro semestre de 2017, entre dezembro de 2016 e junho de 2017, foram confirmados 777 casos e 261 óbitos por febre amarela, o que representou a maior transmissão da doença das últimas décadas. A região Sudeste concentrou a grande maioria das notificações, com 764 casos confirmados, seguida das regiões Norte (10 casos confirmados) e Centro-Oeste (3 casos). As regiões Sul e Nordeste não tiveram confirmações.

A vacinação para febre amarela é ofertada na rotina dos municípios com recomendação de vacinação nos seguintes estados: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
É importante informar que a febre amarela é transmitida por meio de vetor (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes no ambiente silvestre). O último caso de febre amarela urbana foi registrado no Brasil em 1942, e todos os casos confirmados desde então decorrem do ciclo silvestre de transmissão.

mockup