Imagem ilustrativa da imagem Servidores acampam em frente ao núcleo de ensino de Londrina
| Foto: Ricardo Chicarelli - Grupo Folha

O NRE (Núcleo Regional de Ensino) de Londrina amanheceu cercado por servidores em greve nesta quinta-feira (11), em uma nova tentativa de pressionar o Ratinho Júnior (PSD) para negociação da data-base. Em Curitiba, os servidores acampam em frente ao Palácio do Iguaçu. Nenhuma repartição pública, entretanto, está com o acesso bloqueado, avisam os organizadores do movimento.

Em Londrina, os manifestantes promoveram um café da manhã comunitário em volta do NRE, localizado na esquina da Avenida Maringá com a Rua Cristiano Machado. As vias não estão bloqueadas, assim como a entrada da repartição pública. “É importante dizer que o NRE não está inviabilizado, alguns portões estão acessíveis. O pessoal não está trabalhando hoje, mas se quiser trabalhar, pode vir”, diz o presidente da APP-Sindicato em Londrina, Márcio Ribeiro.

De acordo com ele, a vigília dos servidores não tem prazo para terminar e é uma ação para “tentar sensibilizar o governador para vir à mesa de negociação”. Os servidores paralisados pedem uma proposta melhor que a apresentada na semana passada por Ratinho Júnior, que oferecia apenas 0,5% de aumento em 2019 e mais 4,5% parcelado em três anos, mas atrelado a determinado crescimento da arrecadação no ano anterior.

Na quarta-feira (10), em Curitiba, o líder do governo na AL (Assembleia Legislativa) do Paraná, Hussein Bakri (PSD), disse que o governador fez nova proposta, de repor 2% em janeiro de 2020 e os outros 3% parcelados nos anos seguintes, sem o atrelamento à arrecadação. “Independente do que foi dito pelo deputado estadual, não tem nada oficializado, escrito no papel, e é importante que isso seja de fato oficializado para ser avaliado pelas categorias”, defende Ribeiro.

Sem reajuste há 42 meses, os servidores pedem o pagamento das perdas inflacionárias de um ano (4,94%) e um plano de ressarcimento do restante dos 17% da inflação acumulada no período sem recomposições salariais.

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Em Curitiba, os servidores acampados na entrada do Palácio do Iguaçu também não impedem o trânsito de pessoas ou veículos, afirma o presidente estadual da APP, Hermes Leão. “Estamos mostrando um reforço de todo o movimento para que, de fato, o governador Ratinho Júnior possa melhorar a proposta apresentada no ano passado”, afirma.

Segundo Leão, a manutenção do trânsito nas repartições é uma forma de reforçar que o movimento é pacífico. “Nossa reivindicação é muito legítima e a gente entende que o movimento provoca a pressão necessária dentro de um movimento de greve, para buscar uma solução para os impasses que são viáveis para o governador responder”, diz o líder sindical.

Ainda de acordo com ele, o movimento nos núcleos de ensino é uma forma de reforçar o diálogo com as coordenadorias do interior, uma vez que a Secretaria Estadual de Educação indica a intenção de descontar os dias em que os servidores estão em greve – o fato é uma das denúncias das categorias ao Ministério Público do Trabalho sobre práticas antissindicais que o Executivo estaria promovendo para forçar o fim do movimento.

Para Leão, além de a marcação de falta ser ilegal, também desobrigará os professores de reporem as horas de aula e conteúdos que teriam de ser lecionados. “Hoje (quinta), estamos reforçando que o diálogo para que seja respeitado o direito de greve e que seja feita a reposição, porque é direito dos estudantes obterem todos os conteúdos e é nosso dever garantir os direitos deles”, afirma.

A Secretaria Estadual de Educação confirmou que as ausências dos servidores estão sendo registradas e informou, que, como o calendário escolar conta com 200 dias letivos, as aulas ou horas de aulas não ministradas deverão ser repostas.

Os calendários escolares devem ser ajustados e pode haver reposição no período de recesso escolar. “Os parâmetros para a reposição, que incluem a possibilidade de contratação de professores via PSS [processo seletivo simplificado], estão sendo definidos pela SEED em conjunto com os Núcleos Regionais de Educação”, informou a pasta, por meio da assessoria de imprensa.

(Atualizado às 12h19)

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