Imagem ilustrativa da imagem Após última sessão do semestre, servidores desocupam Assembleia
| Foto: Mariana Franco Ramos/Grupo Folha

Curitiba - Após a sessão da manhã desta quarta-feira (10), a última do semestre na AL (Assembleia Legislativa) do Paraná, servidores públicos estaduais desocuparam as galerias da Casa. Aos gritos de "data-base já" e "a greve continua", eles seguiram em marcha até as proximidades do Palácio Iguaçu, onde pretendem permanecer acampados. Os trabalhadores querem que o governador Ratinho Júnior (PSD) encaminhe nova proposta de reposição salarial.

Cerca de 400 pessoas dormiram nas dependências da AL, segundo a APP-sindicato, que representa os professores, e ficaram até o encerramento da votação desta quarta. A ocupação ocorreu na tarde de terça-feira (9), durante a plenária. Por conta do movimento, a segurança na Assembleia foi reforçada. Policiais se concentraram nos corredores do prédio e bloquearam alguns acessos. Não houve, contudo, qualquer registro de confusão.

O líder da oposição na Casa, Tadeu Veneri (PT), pediu que a Mesa Executiva fizesse uma vistoria, como forma de atestar que nada foi danificado. "Nos dias 10 e 12 de fevereiro de 2015, eu estive aqui [durante a ocupação] e não foi quebrado um único vidro ou retirado microfone. Entretanto, disseram que foi e que houve bagunça. Então, para que não haja problema, eu sugiro isso. As pessoas que estão aqui são responsáveis e sabem muito bem o que fazem", opina o petista.

O presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), disse que atenderia a recomendação. Ele e o primeiro secretário, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), foram às galerias conversar com os trabalhadores antes da plenária começar. O tucano falou que o diálogo está aberto e reforçou que não condena a manifestação. "O que eu condeno são os excessos, a radicalização. Ontem [terça], tivemos uma sessão desagradável em função do comportamento de alguns, que acabaram tumultuando", comenta.

"Tivemos também posicionamentos radicais de deputado, reconheço isso, mas não é esse o objetivo", pondera o presidente. O deputado Ricardo Arruda (PSL), que na sessão anterior fez um discurso inflamado contra o reajuste, porém, não compareceu nessa quarta à votação.

Os vencimentos das diferentes categorias estão "congelados" desde 2016. A APP informa que duas reuniões aconteceram com equipes do Executivo para tratar da greve no dia 9, mas em nenhuma houve avanço. Traiano marcou mais um encontro na sala da Presidência para depois da sessão dessa quarta. "Não vou afirmar aqui que será resolvido hoje [quarta], mas o desejo é buscar uma solução", conta.

PROPOSTA

De acordo com o líder da situação, Hussein Bakri (PSD), algumas questões da pauta de reivindicações já avançaram. "É possível fazer uma proposta nos seguintes termos: 2% em janeiro e o restante das demais parcelas [chegando a 4,94%] nos anos subsequentes. É sempre bom lembrar que estamos tratando especificamente da data-base de 2019. O governo entende que está descongelando um processo que vinha há quatro anos", argumenta.

Para o líder do PT, Professor Lemos, há condições de avançar. "A pauta começa com a data-base. Temos o PLC (Projeto de Lei Complementar) 04, que trata da carreira do servidor, a ser retirado, demissões de diretores - queremos as regras em lei -, contratos de PSS (temporários), que não se mexa, jornadas de pedagogos e outros pontos específicos de cada categoria. Não ter punição para nenhum servidor em greve, nem falta, também é legal e constitucional", afirma.

Os parlamentares agora entram em recesso. Eles voltam a se reunir em plenário no dia 5 de agosto, quando o projeto de reposição salarial do funcionalismo, já modificado, deverá ser analisado.

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