As alfaces d’água que tomaram conta da superfície do Lago Igapó na última semana começaram a ser retiradas nesta segunda-feira (29). O serviço foi iniciado no lago 1, na área rodeada pela Avenida Higienópolis e o Iate Clube de Londrina. A necessidade se deu por conta do aumento da quantidade das macrófitas, que aliadas às cianobactérias tóxicas que deixaram a água do corpo hídrico verde-escura, podem levar à morte da vida aquática residente.

Os trabalhadores estão fazendo uso de um barco de pequeno porte para recolher as alfaces d’água, que são consideradas plantas daninhas quando colonizam rapidamente o local em que se encontram. Com crescimento desordenado, levam a prejuízos ao equilíbrio do meio ambiente, podendo atingir até 30 centímetros de diâmetro. Tão preocupante quanto a possibilidade de morte dos peixes é a “quantidade de lixo que as equipes vêm encontrando no lago”, pontuou a Sema (Secretaria Municipal do Ambiente).

Um caminhão foi cedido pela SMAA (Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento) para o transporte do material à CTR (Central de Tratamento de Resíduos), localizada no distrito de Maravilha, zona sul. Uma tela será instalada para impedir a passagem das plantas para os lagos 1 e 2, vindas dos Igapós 3 e 4 por conta do temporal que Londrina enfrentou na madrugada da última segunda (22).

Imagem ilustrativa da imagem Sema inicia retirada de alfaces d’água do Igapó
| Foto: Roberto Custodio

Além dos quatro lagos artificiais que compõem o Igapó, as macrófitas aquáticas estão presentes no córrego do Aterro, ao lado da Rua Bento Munhoz da Rocha Neto (zona sul). O serviço terá continuidade nesta terça (30) e os demais corpos hídricos também serão atendidos, informou a Sema. Ainda não há previsão para a conclusão dos trabalhos.

Sem empresa para limpar os lagos

A retirada é iniciativa da Sema, SMAA e da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). A união foi necessária porque a empresa responsável pela limpeza dos corpos hídricos da cidade rescindiu o contrato com a Prefeitura na semana passada.

Imagem ilustrativa da imagem Sema inicia retirada de alfaces d’água do Igapó
| Foto: Roberto Custodio

A CMTU informou que a própria contratada solicitou o encerramento. Completou que a Companhia “já está fazendo o aditivo no contrato de outra prestadora para a manutenção do serviço de limpeza nos lagos”, que deve ser assinado até a próxima semana. O acordo contempla a limpeza da superfície aquática dos Lagos Igapó 1, 2, 3 e 4, Lago Cabrinha, Lago Norte, “Zerão”, Córrego do Leme, Córrego Pequeno Mundo e Ribeirão Cambé (passagem aquática do Aterro do Lago).

'Pode morrer peixe'

Segundo Orlando Carvalho, professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) Campus Londrina, se as alfaces d’água cobrirem somente 30% da superfície do lago, são aliadas e ajudam a remediar a eutrofização que vem prejudicando o Igapó, já que podem remover nutrientes do ambiente.

Com a falta de chuvas e abundância de nutrientes, elas continuaram crescendo e se reproduzindo, ultrapassando a porcentagem benéfica, o que levou à necessidade da retirada. Se o cenário se mantiver, elas podem levar a diminuição da incidência de luz solar sob a água, e assim, “se as cianobactérias (algas) que hoje estão produzindo oxigênio não tiverem luz, elas vão morrer. Para a decomposição delas, vai ter queda do oxigênio dissolvido na água e pode morrer peixe”, informou Carvalho.

As plantas podem se desenvolver ainda mais com a falta de precipitação. Em caso de chuvas significativas, que não estão previstas para Londrina, sua presença pode diminuir. O docente integra a equipe da UTFPR que busca soluções para o problema juntamente da Prefeitura.

Algas tóxicas a humanos e peixes

As cianobactérias filamentosas que esverdearam o Igapó no início do mês são tóxicas, podendo afetar seres humanos e peixes. Suas toxinas, se ingeridas, podem ser hepatotóxicas ou neurotóxicas, prejudicando o fígado e o sistema nervoso, respectivamente. Já em contato com a pele, podem causar irritações sérias.

O Igapó 1 recebeu o Passeio Eco Náutico João das Águas neste domingo (28), com dezenas de munícipes manejando caiaques. Weliton da Silva, doutor em Botânica e professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina), informou que “qualquer prática que envolva contato direto ou de ingestão da água deve ser proibida”, por conta da periculosidade que ela apresenta. O especialista recomendou a não realização da canoagem no corpo hídrico, “pela saúde da população”.

Carvalho contou que a Sema "está de sobreaviso para que medidas tomar” para resolver o problema das algas. Uma possível solução seria instalar um sistema de aeração, para aumentar o nível de oxigênio da água e evitar a mortandade dos animais. No momento, o órgão e a Universidade não possuem recursos e aeradores próprios para colocar a ideia em prática.

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