A caixa Andressa Moreira Dias reclama que a mãe dela sofreu um infarto e, após ser submetida a um cateterismo, ficou internada em uma maca no corredor
A caixa Andressa Moreira Dias reclama que a mãe dela sofreu um infarto e, após ser submetida a um cateterismo, ficou internada em uma maca no corredor


No entendimento dos brasileiros, revelou a pesquisa CFM/Datafolha, a maior dificuldade de acesso no âmbito do SUS são as consultas com especialistas (74%), cirurgias (68%), internação em leitos de UTI (64%), exames de imagem (63%), atendimento com profissionais não médicos, como psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas (59%) e procedimentos específicos, como diálises, quimioterapia e radioterapia (58%).

A segregadora Aparecida Donizete Gonçalves tem um mioma uterino e espera desde 2012 por uma cirurgia pelo SUS. Há seis anos, quando ela recebeu o diagnóstico, o custo do procedimento particular era de cerca de R$ 5 mil. Não teve dinheiro para pagar pela intervenção e decidiu aguardar na fila que custa a andar. Nesta terça-feira (26), ela chegou sentindo muitas dores à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Jardim do Sol, na zona oeste de Londrina, às 10h30. Passava das 15 horas e ela ainda aguardava, deitada sobre a grama do canteiro da unidade, uma conclusão do médico sobre o seu caso. "Estou passando mal desde quinta-feira (21). Eles me dão soro com remédio, mas depois que passa o efeito do medicamento, a dor volta. Eu tenho que fazer um exame, mas vou ter que pagar porque se eu for esperar a liberação pelo SUS, eu morro."

No último dia 18, a mãe da caixa Andressa Moreira Dias sofreu um infarto e, após ser submetida a um cateterismo, ficou internada em uma maca no corredor. "A gente não conseguia um leito. Só conseguimos o internamento depois que uma amiga que trabalha no hospital interferiu", contou. Nesta terça, a mãe de Dias foi até a UPA Jardim do Sol acompanhando o marido, que chegou à unidade às 5 horas e, oito horas mais tarde, ainda esperava para realizar um exame. "Falta agilidade ao SUS. E tratar a gente com mais dignidade também. A gente está aqui porque precisa e sempre é demorado. Para conseguir um especialista demora. Se não tiver dinheiro para pagar a consulta tem que esperar meses. Meu pai precisa fazer um exame e já está na fila há uns seis meses. No SUS tem um pouco de tudo: descaso, demora, falta de profissionais", concluiu.

A pesquisa realizada pelo CFM/Datafolha confirma as reclamações dos usuários em Londrina. Os serviços prestados pelo SUS que alcançaram a avaliação mais baixa, considerados péssimos ou ruins, foram: internação em leito de UTI (29%); atendimento em pronto-socorro ou UPA (23%); consultas com médicos especialistas (23%); atendimento em posto de saúde (22%); internações em leitos comuns (21%); realização de cirurgias (19%); e consultas com médicos em postos de saúde (18%). A oferta de vacinas foi o serviço que teve a melhor avaliação.

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O tempo de espera é o fator com avaliação mais negativa do SUS e que acumula os piores resultados dentre os vários aspectos relacionados ao atendimento. A demora constitui o maior gargalo da rede pública para 61% dos entrevistados que buscam uma cirurgia, 56% dos que precisam de um exame de imagem e para 55% dos que aguardam uma consulta.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, o tempo médio de espera na UPA do Jardim Sabará diminuiu nos últimos dois anos, passando de 5 horas para 3 horas e meia. Ele apontou que a época de outono e inverno e a migração de pacientes do sistema suplementar para o público acabam gerando picos sazonais de espera. A média diária de atendimentos na unidade em 2016 era de 290. Em 2018, o número chega a 400.

"Realmente tivemos uma demora acentuada na terça, principalmente no período da tarde. A escala estava completa, com seis médicos, sendo cinco plantonistas e um ortopedista. A média de espera estava em 5h30 em razão desse pico de pessoas", justificou.(S.S. e Pedro Marconi)

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