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m de leitura Atualizado em 24/06/2022, 17:59

Rituais indígenas marcam velório de Bruno Pereira, morto no AM

Corpo do indigenista assassinado juntamente com o jornalista Dom Phillips foi velado e cremado nesta sexta-feira (24)

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de junho de 2022

France Presse
AUTOR autor do artigo

Foto: Brenda Alcântara/ AFP
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Recife - O funeral do indigenista Bruno Pereira, assassinado aos 41 anos junto com um jornalista britânico na Amazônia, foi realizado nesta sexta-feira (24) com comoventes rituais de membros de povos originários. 

Os indígenas da aldeia Xucuru cantaram motivos fúnebres ao redor do caixão de Pereira em um cemitério de Paulista, cidade próxima a Recife, onde Pereira nasceu, no estado de Pernambuco.

"A cerimônia que viemos fazer aqui foi uma despedida para trazer da mata sagrada do território Xingu a força do encantamento, porque hoje ele se torna um encantado para nós. É uma grande perda não só para nós, mas para todo o Brasil, todos os que lutam em defesa da vida, porque defender a mãe terra é defender a vida", disse à AFP o cacique Marcos Xucuru. 

Com peças tradicionais, os indígenas dançaram em torno do caixão decorado com uma foto de Pereira, bandeiras de seu estado e de seu time de futebol, o Sport Recife. 

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O corpo, devolvido à família na quinta-feira após procedimentos de perícia e identificação em Brasília, foi cremado nesta sexta-feira (24). 

"Hoje, a terra onde ele nasceu o recebe, seu corpo reencontra o barro, as raízes das plantas, a água e o calor do solo", disse em nota o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados, para o qual Pereira trabalhava. 

"Seu corpo carrega o perfume salgado do mar e o aroma denso da mata que ele defendeu até que os destruidores da floresta o mataram de forma traiçoeira", acrescentou a organização. 

TRAJETÓRIA

Pereira, casado e pai de três filhos, trabalhou por um longo período na Funai, onde dirigiu um departamento especializado na proteção dos povos isolados e de pouco contato com o mundo exterior. 

Ele foi assassinado a tiros em 5 de junho com o jornalista Dom Phillips, de 57 anos, quando retornavam de uma expedição ao Vale do Javari, uma região remota da floresta amazônia considerada perigosa devido ao tráfico de drogas, pesca e mineração ilegais.

O corpo de Phillips, que vivia há 15 anos no Brasil, será velado e cremado no domingo (26) em Niterói. 

Até o momento, quatro suspeitos foram presos pelo crime. A mais recente detenção foi na quinta-feira (23). 

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