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Réu do caso Matheus Evangelista, ex-GM é interrogado no Tribunal do Júri


Vitor Struck - Grupo Folha
Vitor Struck - Grupo Folha

Foi retomado no início da tarde desta terça-feira (3) o julgamento que poderá dar um desfecho para o caso Matheus Evangelista, 18. Passados três anos da abordagem policial que acabou com o jovem morto, o ex-guarda municipal Fernando Ferreira das Neves será julgado pelo Tribunal de Júri de Londrina pelo suposto cometimento de um homicídio qualificado, além de falsidade ideológica e fraude processual. Enquanto dezenas de pessoas acompanham o julgamento através das redes sociais, familiares e amigos do jovem fazem uma vigília do lado de fora do Fórum pedindo por justiça. 

 

Réu do caso Matheus Evangelista, ex-GM é interrogado no Tribunal do Júri
Saulo Ohara-21/1/19
 


Fernando Neves é acusado de ter disparado o tiro que atingiu Evangelista no pescoço, em uma abordagem a um grupo de cerca de 40 jovens que estaria perturbando o sossego, no bairro Jerônimo Nogueira (zona norte de Londrina). Em seguida, o jovem foi levado pelos agentes da GM a o hospital, onde não resistiu aos ferimentos. 


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Amplamente lembrado como um caso de violência envolvendo as forças de segurança, o processo também ficará marcado pela divergência entre os agentes envolvidos a respeito da autoria do disparo. Embora tenha afirmado que a equipe encontrou o jovem baleado, Neves foi denunciado pelo Ministério Público como o responsável pela autoria, também, com base nos depoimentos dos outros dois GMs que participaram da abordagem e até já foram excluídos do processo. 


Após o avanço das investigações no âmbito do município de Londrina, Neves chegou a ser demitido da Guarda Municipal e ficou preso por cerca de dois anos. Entretanto, responde em liberdade desde outubro do ano passado. 


Julgamento 


Durante a manhã desta terça, ao menos dois amigos de Matheus Evangelista e dois guardas municipais foram ouvidos no julgamento. Em seguida, depoimentos prestados anteriormente no processo também foram apresentados ao corpo de jurados.  


Neves foi interrogado logo no início da tarde desta terça-feira. Diante do júri, também foi questionado sobre os motivos de ter retornado ao local no dia seguinte. "Por curiosidade", respondeu.


Após responder às perguntas de sua defesa, que abordou a suposta estratégia da equipe da GM para viabilizar o atendimento médico ao jovem, Neves não respondeu aos questionamentos feitos pelo assistente de acusação, o advogado Mario Barbosa. Já o réu é representado pelos advogados Alfeu Brassaroto Júnior e André Salvador.


O Ministério deu início ao debate oral sobre os detalhes dos eventos que colaboram para o óbito às 15h20. Neste período, a acusação possui 1h30 para o convencimento dos jurados. Em seguida, a defesa do réu possui o mesmo período, havendo, também, mais 1h para a réplica da acusação e 1h para a tréplica da defesa.  


O promotor explicou que, conforme as testemunhas, um segundo tiro foi ouvido pelos jovens. Este disparo teria ocorrido no momento em que o grupo de adolescentes já estava sendo abordado pelos GMs, em posição frontal à parede. Por conta disso, o GM teria assumindo a responsabilidade pelo risco. "É uma segunda qualificadora que é a de tornar impossível a defesa da vítima. Quando eles estavam virados de costas, o tiro atingiu aqui e saiu aqui. Recurso que impossibilitou a defesa da vítima", explicou o promotor Vitor Hugo Nicastro Honesko. 


O promotor ainda lamentou que outro GM envolvido, Michael Garcia, tenha sido beneficiado por um acordo de não persecução penal com a Justiça e tenha se livrado do processo. 


Em seguida, o MPPR trouxe um fato, até então, pouco conhecido no caso. Após os fatos ocorridos na noite do dia 11 de março de 2018, Fernando Neves teria telefonado para um investigador da Polícia Civil em busca de informações sobre a perícia realizada no caso. 


"E por último, um detalhe importante, que foi colocado pelo delegado de polícia no final do inquérito policial dizendo que um guarda municipal tinha ligado para o investigador (nome suprimido) perguntando como que foi o laudo de confrontação porque ele estava preocupado. Esse guarda teria sido Fernando Neves. Então, temos todo este arcabouço, na verdade, um quebra cabeça, que tem que ser montado porque desde o início não foi feita a investigação como deveria ter sido feita. É complicado, mas temos pontos que se colocam em união que indicam que, realmente, Neves foi o autor do disparo que atingiu Matheus", completou o promotor. 


Defesa


A sustentação oral da defesa de Neves teve início às 16h36. 


O advogado André Salvador narrou trechos de depoimentos de jovens que estavam no local. O objetivo foi explorar supostas contradições entre as falas para enfraquecer a tese da acusação contra o seu cliente.


Segundo a defesa, os depoimentos indicam que o GM responsável por efetuar o disparo que vitimou Evangelista possuía características físicas que não correspondem com as de Fernando Neves. 


"Aqui, o que a defesa traz é o depoimento prestado na Delegacia. O que podemos nos atentar são os seguintes fatos. Primeiro, o reconhecimento é sem qualquer margem de dúvida: quem atirou foi o Michael, o de bigode. O delegado se preocupou em trazer sete fotografias e quem ele reconhece? Exatamente a pessoa da foto número quatro, que é o Michael", completou o advogado Alfeu Brassaroto Júnnior.  


Além de apresentar outros depoimentos que apontavam a autoria disparo como sendo do então GM Michael Garcia, o advogado trouxe um trecho do inquérito policial em que delegado responsável apontou detalhes sobre a arma. "Com relação à cápsula, era esperada a negativa tendo em vista que o percursor é da marca Glock. O único que usava Glock no dia era o Michael, era uma arma particular que ele tinha autorização para utilizar na Guarda", apresentou aos jurados.   


Com a palavra, o advogado André Salvador voltou a disparar contra Garcia, que também chegou a cumprir pena em regime fechado, mas acabou sendo beneficiado com um acordo de não persecução penal. "O que eu não entendo é por quê a assistente de acusação não recorreu na sentença de pronúncia que ficou brigando desde o começo, acusando Michael, acusando Neves e não recorreu. Depois, faz o acordo, ele recorre e o Tribunal não conhece. Depois, o juiz, corretamente, com o parecer favorável do promotor, concedeu a liberdade dele. Juiz com parecer favorável da acusação concedeu a liberdade dele", cobrou.   


(Em atualização)


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