Reforma do Zerão começa após dois anos de atraso
Revitalização vai contemplar complexo esportivo e áreas de lazer, com reforço na segurança; trabalho deve ser finalizado até fevereiro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de junho de 2026
Revitalização vai contemplar complexo esportivo e áreas de lazer, com reforço na segurança; trabalho deve ser finalizado até fevereiro

Dois anos após o anúncio, a revitalização do Zerão, na área central de Londrina, começou a sair do papel e foi iniciada oficialmente nesta segunda-feira (8). Servidores da empresa que venceu a nova licitação promoveram as primeiras demolições utilizando escavadeiras, com a parte interna da Área de Lazer Luigi Borghesi como ponto de partida, em frente a academia ao ar livre. O complexo esportivo e pontos degradados nas áreas de lazer também serão alvos de melhorias, que devem ser finalizadas em até oito meses. O investimento é de R$ 2,6 milhões, com contrapartidas municipais e de emenda parlamentar da deputada federal Luísa Canziani (União).
A Prefeitura teve que refazer a licitação após a primeira empresa vencedora não executar os serviços e o contrato ser rescindido. A obra deveria ter sido iniciada em julho de 2024, com prazo de conclusão até fevereiro de 2025. Em janeiro do ano passado, o órgão multou a terceirizada em R$ 438 mil, 20% do acordo de R$ 2,1 milhões. Agora, a 26ª Promotoria de Justiça de Londrina investiga a rescisão amigável do contrato, com o secretário de Obras e Pavimentação, Otávio Gomes, informando que a PGM (Procuradoria-Geral do Município) recomendou que a penalidade fosse anulada.
Com a obra como exemplo, o chefe da pasta informou que diversas outras em Londrina “estão nos gerando preocupações”, se referindo a atrasos. Disse que o município é um agente que contrata empresas executoras, com a vantagem de ter “todos os recursos jurídicos para possíveis punições” em caso de o serviço não ser realizado como acordado.

Melhorias previstas
O novo contrato inclui a restauração e adequação nas áreas para prática de esportes, implantação de elementos acessíveis, reforço de segurança, reformas de calçadas, recuperação de erosões, galerias pluviais, modernização da iluminação e rearranjos para propiciar ambientes adequados para crianças e pessoas com mobilidade reduzida.
No momento, o canteiro de obras está sendo implantado como trabalho preliminar, com remoção de pavimento, pisos de concreto e postes. Em seguida, serão iniciadas as primeiras intervenções nas áreas esportivas, com a retirada e substituição de trechos de alambrado das quadras, recuperação dos pisos, pinturas e instalação de equipamentos.
Inspiração no Parque Ibirapuera
Gomes destacou o paisagismo a ser realizado, com análise de árvores que podem estar sujeitas a erradicação e replantio. “Algumas são bem velhas, foram depredadas com o passar do tempo ou mutiladas por podas em áreas de fiação, então acredito que possamos fazer uma mudança pontual em algum tipo de elemento vegetativo que vermos que há necessidade para evitar possíveis problemas futuros. Quem faz a leitura adequada é a Sema (Secretaria Municipal do Ambiente), então vamos convidá-los para vir aqui”.
A pista de corrida que cerca o Zerão não será contemplada no primeiro momento, visto que demanda “um estudo de mudança de tráfego”. Gomes almeja, futuramente, limitar parcialmente o acesso de veículos para tornar o espaço em um semelhante ao Parque Ibirapuera, em São Paulo, onde todas as vias são usadas por pedestres. “Temos estudos viários a serem elaborados para poder transformar isso em realidade, mas seria maravilhoso termos ainda mais segurança viária para que as pessoas façam seus treinos sem preocupação, inclusive com o trânsito”.
O secretário disse ainda que a revitalização será feita de maneira setorizada, “para não bloquear ou interromper bruscamente o fluxo de uso do espaço, atuando primeiro em um ponto, depois iniciando outro, desativando os itens atuais aos poucos e buscando causar o mínimo de tumulto”.
‘Abandonado’
A FOLHA acompanha a degradação do Zerão há anos, atestando a necessidade de reformas e ouvindo as reclamações de usuários. Com o início das obras, é de alívio a sensação de trabalhadoras do restaurante que fica no trecho entre a Rua Dulcídio Pereira e Avenida Aminthas de Barros.
Juliana Leite, gerente de marketing, frequenta o espaço em dias úteis pelo trabalho e aos fins de semana para praticar esporte. “Teve uma boa melhorada na iluminação, que antes estava bem caída. A manutenção era algo esperado há bastante tempo, a gente vê equipamentos que estão complicados para utilização, como o bebedouro e o parquinho deixando a desejar. As quadras estão detonadas e as barras (da academia ao ar livre) precisam de pintura, precisam de um olhar cuidadoso”, considerou.
A mulher deseja mais policiamento na área, contando que observa a iniciativa privada ocupando o espaço e o tornando mais acolhedor, exemplificando grupos de corrida e o próprio restaurante em que trabalha, e não tanto ações municipais. Michelle Miranda, chefe de cozinha, completou dizendo que muitos transeuntes já a abordaram perguntando onde fica o Zerão, pontuando que não existem placas indicando que eles estão justamente no espaço de lazer. “Eles falam ‘o que é aqui? Onde fica a quadra? A pista de corrida?’. Ninguém nunca sabe”.
Já a chefe de cozinha Karla Keyde pontuou que "a localização aqui é tão boa, tinha tudo pra ser um lugar para as pessoas passearem. Londrina tem poucos lugares para a gente vir ao ar livre, mas você tem tanta coisa que daria para explorar se não estivessem abandonados”.



Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


