Pronto Socorro do HU restringe atendimento por conta de reforma
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quarta-feira, 03 de julho de 2019
Isabela Fleischmann - Grupo Folha 
A partir da próxima segunda-feira (8), o PS (Pronto Socorro) do Hospital Universitário da UEL (Universidade Estadual de Londrina), na zona leste, vai restringir temporariamente o atendimento por conta das obras de reforma e ampliação. O HU atenderá somente casos de urgência e emergência e pacientes encaminhados pela Central de Regulação de Leitos, pelo SAMU e Siate.
As obras iniciaram em julho do ano passado. Com o avanço da reforma, as áreas internas terão de ser interditadas, o que reduz a capacidade de funcionamento. “Não vamos deixar de atender os pacientes graves que nos procurarem, mas manteremos a referência para os Siates, Samu e Central de Regulação”, ressalta a superintendente do hospital, Vivian Feijó. O PSP (Pronto Socorro Pediátrico) não será afetado.
Hoje, o PS tem 2.763,52 metros quadrados. A expectativa é que o espaço seja praticamente dobrado após a reforma, passando para 90 leitos, que estarão disponíveis para a rede de atenção em especial ao trauma e ao atendimento cardiovascular em um espaço de 6.646,53 metros quadrados.
A reforma tem 47% de obras concluídas e a nova ala deve estar pronta até setembro, quando o atendimento será transferido para reformar a parte antiga. Por ser um hospital terciário, o HU já deveria ser restrito para casos de maior complexidade e pacientes encaminhados por ambulâncias, conforme explica Feijó, mas atendia casos leves por dificuldade da rede municipal. Ela afirma que normalmente o atendimento de procura direta não é feito por força especializada como costumeiramente é visto no HU de Londrina.
Feijó lembra que o hospital seguirá “cumprindo a missão de atendimento de alta complexidade na rede de urgência e emergência”. Permanecerão os 48 leitos cadastrados, mas aumenta a dificuldade com a superlotação do PS, que, nesta quarta-feira (3), tinha 73 pacientes.
“Muitas vezes, chega a 100 pacientes no cotidiano. Então vamos ter que adequar a nossa capacidade técnica”. De acordo com Feijó, desses 48 leitos, 26 ficarão suprimidos, mas o hospital adaptará unidades e distribuirá a estrutura física para manter o atendimento com 48. “O que não conseguiremos é atender 90, 100 pessoas, que é o que a gente faz sempre. Teremos 26 leitos remanejados na estrutura adaptada. Hoje atendemos 100, porque tem o espaço maior, e esse espaço fará falta”, justificou.
A superintendente ressalta que o novo PS terá uma hotelaria adequada à necessidade de ambiência e humanização hospitalar. A unidade específica para traumas terá um espaço maior, com uma sala de gesso adequada e espaço específico com 10 leitos para as urgências vasculares, para pacientes infartados, de AVC (Acidente Vascular Cerebral) e doenças relacionadas à angiologia e cirurgia vascular.
LOTAÇÃO DE UPAS
De acordo com Feijó, as secretarias de saúde municipal e estadual, a promotoria pública e outros serviços parceiros no atendimento da rede de atenção foram comunicados da nova formatação de funcionamento do PS. Com o HU sem prestar atendimento espontâneo à porta aberta, a procura direta deverá ser para a rede de atenção de casos mais leves. Os pacientes podem ir ao Pronto Atendimento do Jardim Leonor, às UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) como a do Sabará e a do Jardim do Sol, ao PAI (Pronto Atendimento Infantil), que atendem 24 horas, e às UBSs (Unidades Básicas de Saúde), como a União da Vitória e o Pronto Atendimento do Maria Cecília, que funcionam 16h.
A obra, de R$ 13 milhões, é do governo do Estado e está prevista para encerrar em 2020. Até lá o HU trabalhará com restrições, portanto, os londrinenses não devem procurar o hospital a menos que sejam encaminhados.Segundo Feijó, apesar da ampliação, ainda não se sabe se o HU terá mais servidores. Atualmente o hospital tem um deficit de recursos humanos necessários por conta de aposentadoria, transferência ou exoneração de 600 funcionários. “O RH é sempre discutido nas proximidades do final da obra. Ainda não foi discutido, mas acredito que em um momento oportuno isso será previsto.”
Para Carina Ribeiro, 38, que veio de Bela Vista do Paraíso, a restrição terá impactos na lotação das UPAs. “Está tudo superlotado, nós que somos de cidade pequena para conseguir uma vaga aqui em Londrina é terrível.”
“Minha filha está aqui para ter gêmeas. Eu também já fui atendida aqui no hospital, é muito bom. As UPAs estão cheias, mas graças a Deus nunca precisei muito”, acrescentou Maria das Graças Pelegrini, 58.
Leonardo Souza, 30, também estava no PS aguardando a cesárea de sua companheira. “Casos mais leves é a UPA mesmo, aqui é mais urgência. Acho que não tem condição de atender casos leves aqui, deveria ser remanejado, é uma posição certa”, afirmou.
GREVE
No mesmo dia em que os atendimentos serão restritos, Feijó terá de lidar com mais um imbróglio: os servidores da UEL aprovaram o início da greve para segunda-feira (8). “Ainda não fui comunicada oficialmente da greve, retornei de férias nesta quarta e estou aguardando o comunicado do sindicato para que a gente possa discutir estratégias de adequação ao nosso processo de trabalho”, disse.
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