Professores avaliam tema da redação do Enem como relevante e acessível
Prova abordou valorização do SUS como direito universal; para educadores, tema oferece aos candidatos diversas possibilidades de argumentação
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domingo, 08 de novembro de 2026
Prova abordou valorização do SUS como direito universal; para educadores, tema oferece aos candidatos diversas possibilidades de argumentação
Pedro Rafael Vilela - Agência Brasil 

Brasília - Professores de redação e língua portuguesa elogiaram o tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deste ano, que aborda a valorização do SUS (Sistema Único de Saúde) como direito universal. As provas estão sendo aplicadas neste domingo (8) em todo o país.
Para educadores ouvidos pela Agência Brasil, a proposta é pertinente diante da importância da saúde pública em um país marcado por desigualdades sociais e oferece aos candidatos diversas possibilidades de argumentação e repertório sociocultural, já que é um serviço que faz parte do cotidiano da população e ficou ainda em mais evidência durante a pandemia de covid-19.
"É muito importante a gente falar de saúde pública dentro de um país onde as desigualdades sociais são muito grandes", afirma Tatiana Nunes, professora de redação e linguagens em escolas do Rio de Janeiro.
Para ela, o SUS precisa ser valorizado e receber mais investimentos, considerando a dimensão da população atendida, que ultrapassa a casa de centenas de milhões de usuários.
Tema do cotidiano
A avaliação também é compartilhada por Flávio Miguel, professor de língua portuguesa do ensino médio no Cemab, tradicional instituição de ensino público localizada em Taguatinga, no Distrito Federal. Segundo ele, o tema da redação oferece boas possibilidades de desenvolvimento argumentativo por já estar presente no dia a dia e no debate público. "É um tema fácil de ser trabalhado, diferentemente dos temas dos outros anos".
Para a gerente de Redação do Poliedro Educação, Gabrielle Gulgueira Cavalin, o tema deste ano é "uma grata surpresa", muito necessário e que fugiu da tendência observada em edições anteriores da prova.
"Nos últimos anos, as minorias foram frequentemente contempladas pela prova, e era esperado que, neste ano, outro grupo minoritário fosse o foco da proposta. No entanto, o Enem surpreendeu ao não seguir essa tendência e trabalhar outro eixo temático, especialmente porque, nos últimos anos, tivemos muitas propostas relacionadas ao eixo da cidadania, com foco nas minorias."
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"Quem acompanha as atualidades têm maior chance de se destacar positivamente na realização da prova, posto que, nos últimos anos, principalmente por questões políticas, há a defesa do SUS e da sua ampliação na sociedade brasileira", diz Carolina Siequeroli, gerente sênior da Redação Nota 1000 da Cogna Educação.
A redação é considerada uma das principais provas a ser enfrentada pelos candidatos, uma vez que corresponde a 20% da nota final do Enem. É necessário escrever no mínimo oito e no máximo 30 linhas de texto no gênero dissertativo-argumentativo.
Repertório e análise crítica
Os professores ponderam que é necessário ir além da defesa genérica do SUS e apresentar argumentos fundamentados sobre sua valorização. A palavra-chave da proposta de redação é justamente o termo "valorização". Para Flávio, professor do Cemab, esse é o conceito central que deve orientar a construção dos argumentos e, especialmente, a proposta de intervenção apresentada pelos candidatos.
"É muito importante que os candidatos trabalhem bastante a argumentação em relação a isso, principalmente na proposta interventiva."
Ele explica que a redação exige uma estrutura organizada, com introdução, dois parágrafos de desenvolvimento e conclusão. Na introdução, recomenda apresentar um repertório sociocultural, como referência a filmes, séries, livros, pensadores ou outras informações externas. Nos parágrafos de desenvolvimento, o estudante deve apresentar duas teses e fundamentar os argumentos. "Uma coisa são opiniões, outra coisa são argumentações."
Na mesma linha, Tatiana Nunes enfatiza que o Enem valoriza especialmente o uso de repertórios e a análise crítica. A professora recomenda que os candidatos mobilizem referências consistentes, que tenham relação com o tema e sejam reconhecidas como fontes legítimas de conhecimento.
"O candidato bem preparado vai ter que trazer para a prova repertórios contundentes, principalmente produtivos e legitimados, que não sejam, por exemplo, pautados em fake news."
Para a professora, não basta citar uma obra, um dado ou uma notícia. É necessário demonstrar capacidade de análise crítica. "Argumento mais repertório igual a uma análise crítica contundente, relevante e com clareza", sintetiza.
Textos motivadores
Os educadores agora aguardam a divulgação dos textos motivadores, presentes na prova, e que serve para balizar a redação. São esses textos que formam o recorte temático apresentado pelo Enem, e que deve guiar o trabalho do candidato.
"Os principais desafios para os candidatos seriam, primeiramente, organizar as ideias sobre o que abordar de fato na redação, posto que o tema, por ser bem atual, pode ter vários argumentos relevantes para serem utilizados. Por isso, é preciso que os estudantes escolham estrategicamente seus argumentos, considerando a orientação dos textos motivadores", observa Carolina Siequeroli.



