Prestes a completar o ensino médio no Colégio Estadual Cívico-Militar Maestro Andrea Nuzzi, Juliana Xavier Machado, de 18 anos, elegeu o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como a porta de ingresso ao ensino superior no ano que vem. Para ela, o formato da prova e as dissertações com base em temas mais concretos se adéquam mais ao seu estilo. Após tentar como treineira em 2025, ela aliou o ensino tradicional ao cursinho pré-vestibular da UEL (Universidade Estadual de Londrina) para tentar jornalismo.

Machado faz parte dos mais de 139,6 mil candidatos paranaenses que enfrentam, neste domingo (8), a primeira fase do Enem. Desse total, 115,5 mil estão concluindo o ensino médio, a grande maioria (113,6 mil) pela rede pública de ensino. Criado como uma avaliação do ensino básico, hoje é um dos principais meios de conseguir uma vaga na graduação, seja em instituições públicas ou privadas, que podem oferecer vagas pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada), Fies (Financiamento Estudantil) ou ProUni (Programa Universidade para Todos).

Os dados estão disponíveis no Painel Enem 2026, mantido pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). De acordo com os dados, consolidados no fim de setembro, 130.272 candidatos paranaenses se autodeclararam brancos, 11.022 se declaram pretos e outros 58.948 se autodeclararam pardos. O painel também registra 17.103 inscrições sem declaração de cor ou raça, 3.378 de pessoas amarelas e 1.038 indígenas. A maioria dos inscritos, 86.476, é do sexo feminino, e 53.167 são do sexo masculino.

Aplicação

A primeira prova, com questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias, além da redação, será aplicada no domingo (8). Os portões serão abertos às 12h e fechados às 13h, e a prova se estenderá até as 19h. No domingo seguinte, dia 15, serão aplicadas as provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias. Em todo o Brasil, são mais de 5 milhões de inscrições confirmadas, segundo o Portal Enem.

Para Juliana Machado, o Enem é uma prova cansativa, devido ao alto volume de textos que embasam as perguntas. “No ano passado, após o primeiro dia, passei a semana com dor de cabeça”, relata. Ainda assim, devido ao desempenho considerado bom pelo preparo que tinha até então, decidiu se empenhar mais para tentar um resultado melhor no teste deste ano, que é para valer. “Eu me preparo indo às aulas pela manhã, no cursinho à tarde e, à noite, reviso os conteúdos. Acho que é possível melhorar, mas está muito acima do conhecimento que eu tinha no ano passado”, afirma.

O CEPV (Curso Especial Pré-Vestibular) da UEL tem ao menos 120 vestibulandos que devem fazer a prova no domingo. De acordo com a coordenadora do cursinho gratuito da instituição, Marli Guimarães da Silva, há uma preparação intensiva nas semanas que antecedem as provas, chamada de “Aquece Enem”, com revisão do conteúdo da primeira etapa de terça-feira (3) à última de sexta-feira (6). Entre a próxima segunda-feira (9) e sexta-feira (13), haverá um intensivo com o conteúdo da segunda fase, com turmas nos períodos vespertino e noturno.

“Acima de tudo, entendemos que a preparação para o vestibular e para o Enem vai além da aprendizagem dos conteúdos. É também uma oportunidade de fortalecer a confiança dos estudantes e mostrar que o ingresso na universidade é uma possibilidade real”, diz a coordenadora.

Diferenças entre certames

Apesar de o Enem e o vestibular da UEL terem o mesmo objetivo principal, possibilitar o ingresso dos estudantes no ensino superior, Silva aponta que as provas apresentam diferenças importantes, tanto na organização quanto na maneira de cobrar os conteúdos. “E é essencial que o candidato as conheça”, alerta.

A primeira diferença é que o vestibular da UEL costuma apresentar questões mais direcionadas aos conhecimentos específicos de cada disciplina, exigindo que o candidato tenha uma boa compreensão dos conteúdos que aprendeu ao longo do ensino médio. Já o Enem tem uma característica bastante marcante, que é a contextualização das questões.

“Assim, eu diria que a principal diferença está na forma como os conhecimentos são cobrados. Enquanto a UEL costuma trabalhar de maneira mais específica os conteúdos das disciplinas, o Enem valoriza bastante a interpretação e a aplicação desses conhecimentos em situações do cotidiano. Por isso, não basta o estudante saber o conteúdo; ele precisa compreender o que a questão está pedindo”, diz a coordenadora do CEPV.

Outra diferença está na quantidade de questões, aponta Silva. O Enem é uma prova mais longa, com 180 questões objetivas, divididas em dois dias, além da redação. Isso exige bastante concentração, resistência e organização do tempo.

Apesar das diferenças, Marli Silva diz que não é possível afirmar que uma seja mais fácil ou difícil que a outra. “São avaliações com características diferentes, que exigem formas de preparação também diferentes. Ressalto a importância de que fiquem atentos e não se esqueçam do documento de identificação original e com foto, além das canetas pretas. Água e alimentos acabam sendo opcionais. Procurem chegar com antecedência. Nem o vestibular da UEL nem o Enem permitem atrasos”, alerta a coordenadora do CEPV.

Atenção à redação

Um dos pontos mais importantes do Enem, a redação exige cuidados muito específicos. A instrutora da disciplina no CEPV Larissa Cardozo Rodolfo ressalta que, no Enem, há a exigência de uma proposta de intervenção na conclusão e do uso de repertório sociocultural, o que não é obrigatório na UEL, embora possa ser feito.

LEIA TAMBÉM:

+ Redação da UEL aborda o tema autorresponsabilidade

Além disso, a redação da UEL tem limite de 20 a 25 linhas, enquanto o Enem dispõe de até 30, sendo necessário escrever cinco linhas a mais. “As temáticas do Enem são mais relacionadas a problemas ou temas de relevância social, ao passo que a UEL, nas últimas três edições, privilegiou temas abstratos e reflexivos”, diz.

“Eu acho que pode cair algo relacionado à infância e proteção da infância ou algo relacionado ao ambiente digital”, sugere Manuela Domingues de Almeida Chagas, também professora da disciplina.

“Eu acho que talvez vá seguir o mesmo [molde] do ano passado, acompanhar o eixo temático da PND (Prova Nacional Docente), que foi sobre idadismo e o Enem, sobre envelhecimento populacional. Este ano, a PND foi sobre a importância da leitura, então talvez o Enem caia no eixo temático de educação ou sobre criança e adolescente. Talvez sobre o uso de tecnologias no ambiente escolar. Muitos 'talvezes'”, sugere Mateus Vasconcelos Martins, também docente de redação.

mockup