O Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), do Ministério Público, e a Divisão Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) da Policia Civil, deflagraram nesta quinta-feira (3) a Operação Profundidade. A ação investiga a existência de um esquema criminoso envolvendo servidores públicos e empresários, com atuação no Centro de Reintegração Social de Londrina (Creslon), no Departamento de Polícia Penal do Estado do Paraná (Deppen) e no Conselho da Comunidade de Londrina.

Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão contra oito policiais penais, incluindo um ex-diretor-geral do Deppen e ex-presidente do Conselho da Comunidade de Londrina e um ex-chefe de Inteligência do Deppen. Também são alvos das ordens judiciais seis empresários. A esposa de um dos agentes públicos, apontado como principal beneficiário do esquema, também é investigada. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

Imagem ilustrativa da imagem Policiais penais de Londrina e empresários são alvos de operação do MPPR
| Foto: Divulgação/MPPR

Duas frentes de atuação

Os investigados estariam envolvidos em duas principais frentes de atuação ilícita: o recebimento de propinas de pessoas privadas de liberdade em troca da concessão indevida de benefícios na execução penal e o direcionamento fraudulento de contratações realizadas pelo Conselho da Comunidade de Londrina.

As investigações tiveram início a partir de denúncias anônimas e avançaram com a análise de dados obtidos por meio de quebras de sigilo bancário e fiscal. "Constatou-se que os policiais penais movimentaram em suas contas bancárias altas quantias incompatíveis com seus seus ganhos lícitos", afirmou o promotor de Justiça Renato de Lima Castro. Eles também teriam recebido repasses injustificados de outros investigados e de empresas fornecedoras.

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Equipamentos eletrônicos e dinheiro

As diligências realizadas nesta quinta-feira buscaram reunir novos elementos de prova sobre a atuação dos investigados, identificar a extensão do esquema e esclarecer a origem e a destinação dos recursos movimentados. As medidas judiciais foram autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Londrina.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, documentos e R$ 87,5 mil em espécie. Desse total, R$ 45 mil foram encontrados na residência de um dos alvos, R$ 24,5 mil na casa de outro e R$ 18 mil na residência de um terceiro. Também houve uma prisão em flagrante por porte de arma de fogo.

Contratações

Uma das frentes investigadas envolve supostas fraudes em contratações realizadas pelo Conselho da Comunidade de Londrina. Conforme as investigações, empresas pertencentes a três núcleos empresariais teriam sido utilizadas para simular concorrência e viabilizar o direcionamento dos contratos.

Como contrapartida pelos contratos supostamente direcionados, as empresas teriam realizado pagamentos aos investigados. Segundo as apurações, parte dos valores teria sido depositada de forma fracionada, em diferentes operações, estratégia conhecida como smurfing, com o objetivo de dificultar a identificação da origem dos recursos e burlar mecanismos de controle.

(Com informações do MPPR)

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