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m de leitura Atualizado em 10/06/2022, 18:32

Polícia Científica identifica ossada de Leandro Bossi

De acordo com a cúpula da Sesp, as chances de as amostras serem de Leandro são de 99,99%

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de junho de 2022

José Marcos Lopes – Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

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A Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública) informou nesta sexta-feira (10) que a Polícia Científica identificou partes da ossada de Leandro Bossi, desaparecido em 1992 em Guaratuba (Litoral), aos 7 anos de idade. A identificação foi possível a partir do cruzamento de fragmentos ósseos com amostras de DNA da mãe de Leandro. 

Em coletiva nesta sexta-feira em Curitiba, o secretário da Segurança Pública, Wagner Mesquita, afirmou que as chances de as amostras serem de Leandro são de 99,99%. Em coletiva nesta sexta-feira em Curitiba, o secretário da Segurança Pública, Wagner Mesquita, afirmou que as chances de as amostras serem de Leandro são de 99,99%.
Em coletiva nesta sexta-feira em Curitiba, o secretário da Segurança Pública, Wagner Mesquita, afirmou que as chances de as amostras serem de Leandro são de 99,99%. |  Foto: Albari Rosa/AEN
 

Em coletiva nesta sexta-feira em Curitiba, o secretário da Segurança Pública, Wagner Mesquita, afirmou que as chances de as amostras serem de Leandro são de 99,99%. A análise foi feita pelo laboratório genético da Polícia Federal.  

“No ano passado foram enviadas para a Polícia Federal oito amostras ósseas relativas a crianças desaparecidas e foram coletadas amostras de três mães. Agora tivemos esse resultado positivo. Ainda que tenha havido outro exame, feito na época, que mostrou uma resposta diversa, o Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas) nunca fechou esse caso”, explicou. 

Mesquita não soube informar onde os fragmentos ósseos de Leandro foram recolhidos, nem se a ossada é a mesma encontrada em 1993, ao lado dos restos de outra criança desaparecida, Evandro Ramos Caetano. Na época com 6 anos de idade, Evandro também desapareceu em Guaratuba, cerca de dois meses depois de Leandro (o desaparecimento deu origem ao caso que ficou conhecido como “Bruxas de Guaratuba”). 

“O trabalho do Sicride é voltado à localização de pessoas desaparecidas. Em relação à materialidade, à autoria do crime, a Polícia Civil está solicitando o inquérito de 30 anos atrás”, disse Wagner Mesquita. “A informação é que o inquérito está arquivado a pedido do Ministério Público de Guaratuba. Onde a amostra está coletada é uma informação que está no inquérito. Não tem como adiantar uma informação de um inquérito de 30 anos atrás”. 

Segundo o perito Marcelo Malaghini, coordenador do Laboratório de Genética Molecular Forense da Polícia Científica, as primeiras análises do material foram infrutíferas. “Fizemos as análises regularmente feitas na Europa e nos Estados Unidos, mas não foi viável. A seguir o material foi enviado para uma análise mitocondrial, mais sensível, que permite analisar amostras muito limitantes ou degradadas. Foi feito um confronto dos haplótipos e houve compatibilidade. Esse tipo de haplótipo não é comum, pesquisas mostram uma frequência menor que 0,01%”. 

Leandro Bossi desapareceu no dia 15 de fevereiro de 1992, durante um show em Guaratuba. Evandro Ramos Caetano desapareceu no dia 6 de abril. No ano seguinte, restos mortais com uma roupa parecida com a que Leandro usava no dia do desaparecimento foram encontrados perto do corpo de Evandro, em uma área de mata em Guaratuba. 

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+ Sumiço de Leandro Bossi ainda é mistério

CRIANÇAS DESAPARECIDAS 

Atualmente no Paraná há registro de 26 crianças desaparecidas, segundo a delegada Patrícia Paz, do Sicride. “Nos últimos quatro anos resolvemos todos os casos, mas não esquecemos os casos antigos. Continuamos com as investigações e o recebimento de denúncias. Essa continuidade propiciou que, junto com a Polícia Científica, conseguíssemos identificar essa ossada”, afirmou.  

Foram cerca de 900 ocorrências nos últimos quatro anos, segundo a Polícia Civil. No ano passado foram registrados 89 boletins de ocorrências, todos resolvidos. 

De acordo com a delegada, os familiares de Leandro foram informados do resultado das análises antes da divulgação. “A família recebeu a informação de maneira bem emocionada. É uma família que esperava há 30 anos por uma resposta do Estado. Ficaram agradecidos por terem essa resposta.” 

Em todo o Brasil, há cerca de 5 mil restos mortais não identificados que podem pertencer a crianças desaparecidas. A campanha nacional que levou à identificação de fragmentos ósseos de Leandro Bossi recolheu 6 mil amostras de familiares dessas crianças.

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