PM matou 157 no primeiro semestre no Paraná
Balanço de civis mortos em confrontos foi divulgado pelo Gaeco. Londrina é a segunda cidade com mais mortos
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quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Balanço de civis mortos em confrontos foi divulgado pelo Gaeco. Londrina é a segunda cidade com mais mortos
Rafael Costa - Grupo Folha 
A PM (Polícia Militar) matou 157 pessoas no Paraná no primeiro semestre de 2019, segundo balanço de mortes em confrontos com policiais divulgado nesta terça-feira (24) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPPR (Ministério Público do Paraná).

Outras quatro pessoas foram mortas por policiais civis e uma pela guarda municipal de Campo Largo, na RMC (Região Metropolitana de Curitiba), totalizando 162 pessoas mortas em 125 ocorrências — incluindo oito em situações com policiais de folga.
Com 25 mortos, Londrina foi a segunda cidade do Estado com o maior número de registros no primeiro semestre. No topo da lista, Curitiba teve 32 mortes — incluindo uma em confronto envolvendo a Polícia Civil. Em terceiro, Almirante Tamandaré e São José dos Pinhais, na RMC, tiveram 8 mortes cada, seguidas por Ponta Grossa (5), Sarandi (5) e Campo Largo (5).
O total no Estado cresceu 9,5% na comparação com o segundo semestre de 2018, quando houve 148 mortes, segundo o MP. Já na comparação com o primeiro semestre do ano passado, quando 179 pessoas foram mortas em confrontos, houve queda de 9,5%. A soma anual vem crescendo desde o início do levantamento no Paraná, em 2015.

A avaliação do coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti, é de que os números mais recentes estão estáveis. “No momento eu não seria otimista para dizer que estamos diminuindo, mas, felizmente, a constatação é de que também não estamos aumentando”, disse o promotor.
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De acordo com Batisti, os dados do segundo semestre de 2019 avaliados até agora apontam para “uma leve tendência” de queda que, caso consolidada, poderia resultar em redução do número de pessoas mortas em confrontos com policiais neste ano.
O promotor diz que sucessivos comandos da PM do Paraná vêm expressando preocupação com a questão, o que pode contribuir para a redução do número de mortes no Estado. Segundo Batisti, contudo, a crescente utilização de métodos mais violentos por parte de criminosos agrava o problema ao aumentar o risco para os policiais em situações de embate. “Estamos em um círculo vicioso”, avaliou.
Procurada para se pronunciar sobre os números e políticas do governo estadual para o tema, a Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná) não respondeu até a conclusão deste texto.
O casos mais recentes foram em Reserva, na região dos Campos Gerais, na tarde desta terça-feira (24) quando dois homens morreram e um ficou ferido em um confronto com a Polícia Militar. Segundo a PM, o trio havia rendido um empresário com o objetivo de roubar motocicletas quando foi surpreendido pelos policiais. Um deles morreu após a troca de tiros e o outro a caminho de um hospital em Ponta Grossa. Já um policial militar acabou baleado na perna e também foi encaminhado para um hospital do município. Além das armas usadas no crime, a PM apreendeu 1,2 quilo de maconha em uma casa que seria de um dos suspeitos.
APURAÇÃO
O controle feito pelo Gaeco está ligado ao programa nacional “O MP no enfrentamento à morte decorrente de intervenção policial”, criado pelo CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) para garantir a apuração das mortes de civis em confrontos com policiais e guardas municipais.
Todas as mortes atribuídas a policiais registradas pelo Gaeco são repassadas às promotorias dos locais das ocorrências, que abrem investigações próprias ou pedem inquéritos à Polícia Civil. Casos de maior repercussão, como a apuração das mortes ocorridas na Vila Corbélia, em Curitiba, em dezembro, são apurados pelo próprio Gaeco. As apurações correm independentemente dos IPMs (Inquéritos Policiais Militares), que tramitam na Justiça Militar.
Todos os processos são informados ao CNMP. Não há levantamento do Gaeco sobre o andamento dos 1.275 casos registrados no Estado desde 2015.
“Estamos tentando melhorar para realmente se chegar ao efeito de reduzir ou dar uma inflexão ao volume de mortes pela polícia. E , principalmente, descobrir o que houve ou não. Isso é o relevante”, disse Batisti.


