Planejamento define o futuro das cidades inteligentes
27º EncontrosFolha reuniu especialistas para discutir mobilidade, sustentabilidade, inovação e desenvolvimento urbano
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de setembro de 2026
27º EncontrosFolha reuniu especialistas para discutir mobilidade, sustentabilidade, inovação e desenvolvimento urbano
Aline Machado Parodi Especial para FOLHA 

O futuro das cidades depende menos de soluções isoladas e mais de planejamento, integração e participação da sociedade. Essa foi uma das principais conclusões do 27º EncontrosFolha, realizado na quinta-feira (3), no Aurora Shopping, em Londrina, com o tema “Urbanismo, gestão e sustentabilidade no desenvolvimento de cidades inteligentes”.
O encontro reuniu a arquiteta e urbanista Olívia Orquiza de Carvalho Zara; Roberto Panzarani, professor de Gestão e Inovação no Centro de Referência Empresarial da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e da Universidade Católica de Roma; Thomaz Ramalho, arquiteto e urbanista e diretor do Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba); e a mediadora Carolina Alvim, engenheira civil, presidente da Icon (Governança da Construção Civil de Londrina) e diretora do Ceal (Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina).
A discussão destacou que uma cidade inteligente não se resume ao uso de tecnologia, mas envolve mobilidade, sustentabilidade, planejamento urbano, habitação, serviços públicos, meio ambiente, inovação e qualidade de vida. “Uma cidade inteligente começa no chão, começa na forma como planejamos nossas ruas, nossos bairros, nossa mobilidade, nossas áreas verdes, nossas moradias e nossos serviços públicos”, disse José Nicolás Mejías, CEO do Grupo Folha de Londrina.
Para Rogério Biceglia Martins, diretor executivo da TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina), mobilidade e sustentabilidade são pilares desse modelo. “Quando a gente fala em sustentabilidade, é ecologicamente correto, é um trânsito fluindo de uma forma muito bem organizada, e o olhar para o transporte coletivo. Olhar para a mobilidade é importante para isso”, afirmou Martins.
Oportunidades para inovação
O consultor de negócios do Sebrae Everton Perussi ressaltou que os problemas urbanos também podem ser vistos como oportunidades para inovação. Segundo ele, a governança Londrina Inteligente busca fomentar um ambiente favorável ao desenvolvimento de novos negócios e soluções para os desafios da cidade.

A arquiteta Olívia Orquiza abordou a questão da emergência climática. Segundo ela, as cidades precisam rever seus modelos de infraestrutura diante de eventos climáticos cada vez mais extremos. “O que era uma chuvinha vira uma chuvona. O que era um ventinho vira um tornado”, afirmou, alertando que estruturas projetadas para condições climáticas do passado já não respondem adequadamente à realidade atual.
A urbanista defende cidades mais compactas, conectadas, inclusivas, vibrantes e resilientes, com uso misto do solo e espaços públicos ocupados. Para ela, a presença de pessoas nas ruas contribui para a segurança e a vitalidade dos bairros. Também defendeu a inclusão de habitação de interesse social em regiões centrais, reduzindo o espraiamento urbano e os custos de manutenção da infraestrutura.
Planejar a longo prazo
O painelista Thomaz Ramalho trouxe o exemplo do planejamento de longo prazo de Curitiba, que busca consolidar a capital do Estado como referência em sustentabilidade, qualidade de vida e inovação. “Uma cidade inteligente tem que planejar o longo prazo”, afirmou.
Ele também apresentou iniciativas de revitalização do centro de Curitiba, com destaque para o retrofit de edifícios antigos, incentivos fiscais e estímulos à ocupação de imóveis subutilizados. A proposta inclui ainda habitação de interesse social na região central.
Roberto Panzarani, que lançou em junho, em Roma, o livro "Cidade Inovadora (Innovation City)", falou sobre a relação entre inteligência artificial, sustentabilidade e futuro urbano. Para ele, o grande desafio é combinar inovação tecnológica e inovação social. “A cidade inteligente não é somente a parte tecnológica, mas é uma governança inteligente, uma economia inteligente, uma vida inteligente, uma mobilidade inteligente e um meio ambiente inteligente”, afirmou.
O prefeito de Londrina, Tiago Amaral, destacou a importância do debate proporcionado pelo EncontrosFolha, para orientar decisões que terão impacto nas próximas décadas. Segundo ele, pensar uma cidade inteligente e sustentável exige planejamento não apenas para o presente, mas também para os próximos cinco, dez e 20 anos.

Para Gustavo Baggio, diretor do Sinduscon Paraná Norte, a sustentabilidade precisa ser compreendida para além dos canteiros de obras. “Uma cidade sustentável é aquela pensada para que o dia a dia de quem nela vive seja muito mais simples, o trajeto seja mais curto, o serviço mais próximo e o bairro funcione”, afirmou o diretor.
Cooperação
Durante o Encontro, os painelistas evidenciaram que o futuro urbano exige cooperação entre poder público, iniciativa privada, academia, entidades e cidadãos. Mais do que incorporar novas tecnologias, a cidade inteligente precisa ser capaz de planejar, adaptar-se às mudanças climáticas, aproximar serviços da população e criar melhores condições de vida para as próximas gerações.
Na próxima quarta-feira (9), a FOLHA traz reportagem especial com a cobertura do 27º EncontrosFolha, realização do Grupo Folha de Londrina, com correalização do Sebrae, patrocínio do Ceal, TCGL, Sinduscon Paraná Norte e Casa Queens e apoio institucional da governança Londrina Inteligente.


