O futuro das cidades depende menos de soluções isoladas e mais de planejamento, integração e participação da sociedade. Essa foi uma das principais conclusões do 27º EncontrosFolha, realizado na quinta-feira (3), no Aurora Shopping, em Londrina, com o tema “Urbanismo, gestão e sustentabilidade no desenvolvimento de cidades inteligentes”.

O encontro reuniu a arquiteta e urbanista Olívia Orquiza de Carvalho Zara; Roberto Panzarani, professor de Gestão e Inovação no Centro de Referência Empresarial da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e da Universidade Católica de Roma; Thomaz Ramalho, arquiteto e urbanista e diretor do Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba); e a mediadora Carolina Alvim, engenheira civil, presidente da Icon (Governança da Construção Civil de Londrina) e diretora do Ceal (Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina).

A discussão destacou que uma cidade inteligente não se resume ao uso de tecnologia, mas envolve mobilidade, sustentabilidade, planejamento urbano, habitação, serviços públicos, meio ambiente, inovação e qualidade de vida. “Uma cidade inteligente começa no chão, começa na forma como planejamos nossas ruas, nossos bairros, nossa mobilidade, nossas áreas verdes, nossas moradias e nossos serviços públicos”, disse José Nicolás Mejías, CEO do Grupo Folha de Londrina.

Para Rogério Biceglia Martins, diretor executivo da TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina), mobilidade e sustentabilidade são pilares desse modelo. “Quando a gente fala em sustentabilidade, é ecologicamente correto, é um trânsito fluindo de uma forma muito bem organizada, e o olhar para o transporte coletivo. Olhar para a mobilidade é importante para isso”, afirmou Martins.

Oportunidades para inovação

O consultor de negócios do Sebrae Everton Perussi ressaltou que os problemas urbanos também podem ser vistos como oportunidades para inovação. Segundo ele, a governança Londrina Inteligente busca fomentar um ambiente favorável ao desenvolvimento de novos negócios e soluções para os desafios da cidade.

Everton Perussi, do Sebrae, ressalta que os problemas urbanos também podem ser vistos como oportunidades para inovação
Everton Perussi, do Sebrae, ressalta que os problemas urbanos também podem ser vistos como oportunidades para inovação | Foto: Roberto Custodio

A arquiteta Olívia Orquiza abordou a questão da emergência climática. Segundo ela, as cidades precisam rever seus modelos de infraestrutura diante de eventos climáticos cada vez mais extremos. “O que era uma chuvinha vira uma chuvona. O que era um ventinho vira um tornado”, afirmou, alertando que estruturas projetadas para condições climáticas do passado já não respondem adequadamente à realidade atual.

A urbanista defende cidades mais compactas, conectadas, inclusivas, vibrantes e resilientes, com uso misto do solo e espaços públicos ocupados. Para ela, a presença de pessoas nas ruas contribui para a segurança e a vitalidade dos bairros. Também defendeu a inclusão de habitação de interesse social em regiões centrais, reduzindo o espraiamento urbano e os custos de manutenção da infraestrutura.

Planejar a longo prazo

O painelista Thomaz Ramalho trouxe o exemplo do planejamento de longo prazo de Curitiba, que busca consolidar a capital do Estado como referência em sustentabilidade, qualidade de vida e inovação. “Uma cidade inteligente tem que planejar o longo prazo”, afirmou.

Ele também apresentou iniciativas de revitalização do centro de Curitiba, com destaque para o retrofit de edifícios antigos, incentivos fiscais e estímulos à ocupação de imóveis subutilizados. A proposta inclui ainda habitação de interesse social na região central.

Roberto Panzarani, que lançou em junho, em Roma, o livro "Cidade Inovadora (Innovation City)", falou sobre a relação entre inteligência artificial, sustentabilidade e futuro urbano. Para ele, o grande desafio é combinar inovação tecnológica e inovação social. “A cidade inteligente não é somente a parte tecnológica, mas é uma governança inteligente, uma economia inteligente, uma vida inteligente, uma mobilidade inteligente e um meio ambiente inteligente”, afirmou.

O prefeito de Londrina, Tiago Amaral, destacou a importância do debate proporcionado pelo EncontrosFolha, para orientar decisões que terão impacto nas próximas décadas. Segundo ele, pensar uma cidade inteligente e sustentável exige planejamento não apenas para o presente, mas também para os próximos cinco, dez e 20 anos.

“Uma cidade sustentável é aquela pensada para que o dia a dia de quem nela vive seja muito mais simples", afirma Gustavo Baggio, diretor do Sinduscon Paraná Norte
“Uma cidade sustentável é aquela pensada para que o dia a dia de quem nela vive seja muito mais simples", afirma Gustavo Baggio, diretor do Sinduscon Paraná Norte | Foto: Roberto Custodio

Para Gustavo Baggio, diretor do Sinduscon Paraná Norte, a sustentabilidade precisa ser compreendida para além dos canteiros de obras. “Uma cidade sustentável é aquela pensada para que o dia a dia de quem nela vive seja muito mais simples, o trajeto seja mais curto, o serviço mais próximo e o bairro funcione”, afirmou o diretor.

Cooperação

Durante o Encontro, os painelistas evidenciaram que o futuro urbano exige cooperação entre poder público, iniciativa privada, academia, entidades e cidadãos. Mais do que incorporar novas tecnologias, a cidade inteligente precisa ser capaz de planejar, adaptar-se às mudanças climáticas, aproximar serviços da população e criar melhores condições de vida para as próximas gerações.

Na próxima quarta-feira (9), a FOLHA traz reportagem especial com a cobertura do 27º EncontrosFolha, realização do Grupo Folha de Londrina, com correalização do Sebrae, patrocínio do Ceal, TCGL, Sinduscon Paraná Norte e Casa Queens e apoio institucional da governança Londrina Inteligente.

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