EncontrosFolha discute gestão e sustentabilidade em cidades inteligentes
27ª edição do evento promovido pelo Grupo Folha de Londrina reúne especialistas na noite da próxima quinta-feira (3), no Aurora Shopping
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terça-feira, 01 de setembro de 2026
27ª edição do evento promovido pelo Grupo Folha de Londrina reúne especialistas na noite da próxima quinta-feira (3), no Aurora Shopping

Construir cidades mais equilibradas, organizadas e preparadas para o futuro exige entender que uma cidade inteligente começa no "chão". Esse é o conceito que guiará as discussões da 27ª edição do EncontrosFolha – Conteúdos com Relevância, que será realizada no próximo dia 3 de setembro, sob o tema “Urbanismo, gestão e sustentabilidade no desenvolvimento de cidades inteligentes”.
Realizado pelo Grupo Folha de Londrina, com correalização do Sebrae, patrocínio do Ceal (Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina, Transportes Coletivos Grande Londrina, Sinduscon Paraná Norte e Casa Queens e apoio institucional da governança Londrina Inteligente, o evento acontece a partir das 18 horas, no Centro de Eventos do Aurora Shopping, em Londrina.
Comandado por três painelistas que se reúnem, ao final, para um debate mediado por uma especialista, o evento mostrará como o planejamento urbano, a sustentabilidade e a inteligência artificial associada ao capital intelectual humano podem ser aplicados na prática para transformar a realidade dos municípios.
Nesta edição, o time de painelistas será composto pela arquiteta e urbanista e docente e pesquisadora da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Olivia Orquiza de Carvalho Zara, pelo arquiteto e urbanista e diretor do Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), Thomaz Ramalho, e pelo professor de governo da inovação tecnológica na Universidade Católica em Roma, Roberto Panzarani.
O debate terá a mediação da engenheira civil Carolina Alvim, doutoranda em estruturas e atuante na área acadêmica e profissional, com foco em gestão, planejamento, inovação, desenvolvimento e integração dos diferentes agentes da cadeia da construção civil.
Ao longo deste ano, todas as edições do EncontrosFolha colocam as cidades inteligentes no centro das discussões e o CEO do Grupo Folha de Londrina, Nicolás Mejía, aponta como fundamental a abordagem do planejamento urbano estratégico como base de uma cidade inteligente, unido a uma gestão pública eficiente capaz de conduzir o município ao desenvolvimento econômico sustentável. “Para isso, precisamos ver a cidade como todo um ecossistema, pensando que a cidade inteligente pode ser construída através de uma cidade equilibrada, organizada e preparada para crescer com qualidade de vida e sustentabilidade.”
O CEO acredita que esse processo passa pela canalização de esforços e ideias no sentido de trabalhar diferentes verticais que possibilitem um crescimento urbano com qualidade. “Tudo isso, lógico, sempre com uma gestão eficiente, pública e privada.”
Assim como Mejía, Alvim defende que nenhuma cidade consegue se transformar de forma inteligente trabalhando de maneira isolada e aposta na união entre academia, iniciativa privada e poder público na busca por soluções. “A governança Londrina Inteligente tem justamente essa capacidade de conectar esses três mundos. Quando conseguimos transformar conhecimento em projetos, projetos em investimentos e investimentos em resultados para a sociedade, a inovação deixa de ser discurso e passa a fazer parte da cidade.”
No caso de Londrina, ela enxerga como o maior desafio conseguir transformar planejamento em execução. “Uma cidade inteligente não pode ser apenas uma cidade que tem tecnologia. Ela precisa ter projetos estruturados, indicadores, responsáveis, cronograma, recursos e, principalmente, continuidade.”
Para o debate desta quinta-feira, Alvim espera que as discussões sejam revertidas em práticas. “Não quero que a gente fique apenas falando sobre o futuro das cidades. Quero discutir como transformar essa visão em ações concretas.”
Sustentabilidade prática e resiliência
A arquiteta e urbanista Olivia Orquiza de Carvalho Zara, que coordena o ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável) 11 no Napi (Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação) Agenda 2030 e atua como ponto focal do ODS 11 no Paraná HUB, ressaltou que a territorialização de metas globais exige diagnósticos locais e adequação à capacidade financeira de cada município.
Sustentabilidade urbana não depende de grandes obras, frisou Zara, mas sim, de boa gestão, integração de secretarias e uso estratégico de dados. O foco deve ser o aprimoramento do plano diretor para definir prioridades viáveis e alinhadas à realidade orçamentária local, a integração entre as secretarias e o uso inteligente de dados para orientar as tomadas de decisão na gestão pública.
Londrina, observou a especialista, conta com a vantagem histórica de uma boa arborização e proteção de fundos de vale. No entanto, diante das emergências climáticas, é preciso avançar, expandindo a infraestrutura verde e garantindo moradias seguras. “A gente precisa juntar as ações de resiliência climática dentro do nosso planejamento.”
Ela também defende o adensamento urbano equilibrado, ou seja, não adensar demais a ponto de saturar a infraestrutura, causar congestionamentos e complicar a vida da população, nem espalhar demais para ampliar os gastos com deslocamento.
Para Zara, o maior desafio atualmente é tirar o conhecimento técnico do papel, integrando a sustentabilidade à rotina de gestão por meio da cooperação entre academia, governos, empresas e sociedade. “Os Napis partem do pressuposto que as soluções para a sociedade paranaense precisam ser codesenhadas em quádrupla hélice.”
Inclusão do cidadão e governança participativa
O programa Curitiba de Volta ao Centro, desenvolvido pelo Ippuc, consolidou um modelo inovador de revitalização urbana ao enfrentar a degradação central e a expansão periférica desenfreada. A iniciativa é recente, de 2025, mas já colhe resultados. Vencedor do prêmio Latam Smart City Awards 2026, na categoria Desenvolvimento Urbano Sustentável e Mobilidade, o programa é estruturado na Lei Complementar 150/2025, que criou um conjunto de incentivos fiscais, urbanísticos e regulamentações para retrofit, atração de investimentos e preservação do patrimônio histórico.
A proposta destaca-se pela governança participativa e escuta cidadã, destacou o diretor do Ippuc, Thomaz Ramalho. Por meio de oficinas divididas por eixos de interesse, desafios de inovação aberta e grupos de trabalho multissetoriais, o projeto alinhou demandas do mercado imobiliário, movimentos sociais e comércio. O objetivo central é reaproveitar a infraestrutura instalada no centro para ofertar habitação acessível e dinamizar a economia local, servindo como projeto-piloto para a atualização do plano diretor da capital. “A gente conseguiu fazer essa discussão também de pensar o Centro como um piloto para a discussão da cidade inteira. Porque o Centro é o coração da metrópole e da cidade.”
Inovação social e cooperação global
Roberto Panzarani afirma que uma cidade verdadeiramente inteligente une tecnologia e inovação social. Autor do livro Innovation City, lançado no último mês de junho, na Itália, o especialista destaca que projetos de infraestrutura, mobilidade e espaços públicos exigem a cocriação com a população para garantir qualidade de vida.
Com base em experiências globais promovidas por ele dentro de seu trabalho, como as Innovation Tours, Panzarani reforça que colocar o cidadão no centro do planejamento é indispensável para reter talentos e jovens na economia do conhecimento. “Acho que, daqui para a frente, é impossível não envolver o cidadão, que tem muita competência. Ele conhece o bairro onde vive e a área onde trabalha.”
Atualmente, Panzarani trabalha para viabilizar a criação de uma “ponte de colaboração” entre Roma e Londrina, para o desenvolvimento de soluções urbanas sustentáveis.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


