Mariângela Hungria, pesquisadora da Embrapa Soja, em Londrina, foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 pela revista norte-americana Time. O anúncio coloca a cientista, radicada em Londrina há 34 anos, ao lado de nomes como o ator Wagner Moura e o pesquisador Luciano Moreira (do projeto Wolbachia), sendo os únicos brasileiros na seleta lista deste ano.

O reconhecimento da Time coroa uma sequência de premiações históricas para a microbiologista, que em 2025 já havia vencido o World Food Prize — considerado o "Nobel da Agricultura".

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O trabalho de Mariângela foca na fixação biológica de nitrogênio. A tecnologia consiste em selecionar microrganismos (bactérias) que capturam o nitrogênio do ar e o entregam diretamente às plantas, substituindo fertilizantes químicos nitrogenados.

Alguns números ajudam a entender a escolha da Time. Estima-se que a tecnologia desenvolvida por ela e por sua equipe poupe ao Brasil cerca de US$ 25 bilhões (aproximadamente R$ 120 bilhões) anuais em insumos. Além disso, a substituição de químicos evitou a emissão de 230 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono por ano. A técnica é aplicada em mais de 40 milhões de hectares de solo brasileiro.

Trajetória

Paulista de 67 anos, formada pela ESALQ-USP com pós-doutorados na Cornell University (EUA) e em Sevilla (Espanha), Mariângela escolheu Londrina em 1991 por questões familiares e pela infraestrutura de saúde e educação da cidade.

Na Embrapa Soja, localizada no distrito da Warta, ela liderou a criação de dezenas de tratamentos biológicos que transformaram a produtividade da soja e de outras culturas, tornando a agricultura brasileira uma referência em sustentabilidade global.

"Eu aqui, no interior do Paraná, sempre lutando... tendo dedicado uma carreira aos insumos biológicos, numa época em que era só de químicos”, disse Mariângela Hungria, em entrevista recente para a FOLHA.

Apesar da relevância global, Mariângela mantém uma rotina discreta em Londrina. Frequentadora de cinemas e shoppings da cidade, ela costuma dizer que, fora dos laboratórios, seu papel mais importante é o de cuidadora da filha Marcela, que possui necessidades especiais.

Ciência e arte no topo

O protagonismo científico brasileiro na lista da Time é reforçado por Luciano Moreira. O pesquisador do World Mosquito Program foi lembrado por sua atuação na expansão do método Wolbachia. Moreira foi o articulador da inauguração, em 2025, da maior biofábrica de mosquitos do mundo no Brasil, uma iniciativa crucial para frear a transmissão de doenças como a dengue. Assim como Mariângela, Luciano é apontado como um cientista que conseguiu transpor a bancada do laboratório para gerar impacto direto na saúde pública de milhões de pessoas.

No campo das artes, a presença de Wagner Moura na lista coroa um ano de consagração inédita para o cinema nacional. Moura vive o ápice de sua trajetória internacional após vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator por "O Agente Secreto", longa dirigido pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho. A atuação de Moura não apenas conquistou a crítica estrangeira, mas o colocou em uma campanha histórica rumo ao Oscar de Melhor Ator, reafirmando sua posição como um dos nomes mais influentes da cultura contemporânea.

Ficha Técnica da Pesquisadora:

Nome: Mariângela Hungria da Cunha

Idade: 67 anos

Instituição: Embrapa Soja (Londrina-PR)

Formação: Engenharia Agronômica (USP)

Principais Prêmios: TIME 100 (2026), World Food Prize (2025), Ordem do Pinheiro (Paraná)

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