Paraná registra quase um caso de feminicídio por dia
Dados são do 1º semestre de 2025 e mostram que 74 mulheres morreram e outras 105 foram vítimas de tentativa; atos em várias cidades pedem fim da violência
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terça-feira, 22 de julho de 2025
Dados são do 1º semestre de 2025 e mostram que 74 mulheres morreram e outras 105 foram vítimas de tentativa; atos em várias cidades pedem fim da violência

No Paraná, o 22 de julho marca o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. Neste ano, entre janeiro e junho, já foram registrados 179 casos de feminicídio, sendo 105 tentados e 74 consumados no estado. Na prática, o número representa quase uma ocorrência por dia. Outros dados chamam a atenção: 80% dos feminicídios são causados por companheiros ou ex-companheiros e a média de idade das vítimas é de apenas 31 anos.
Os números são organizados pelo MFB (Monitor de Feminicídios no Brasil), iniciativa do Lesfem (Laboratório de Estudos de Feminicídio), vinculado à UEL (Universidade Estadual de Londrina), e retirados do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública).

Conscientização e em memória às vítimas
Organizada pela Semipi (Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa), a 3ª edição da Caminhada do Meio-Dia, em conscientização e em memória das vítimas de violência contra a mulher, acontece simultaneamente em mais de 180 municípios paranaenses.
Em Londrina, a concentração começou por volta das 11h em frente à Catedral, na área central e, 12h em ponto, partiocipantes percorreram um trecho da Avenida São Paulo até o Cine Teatro Ouro Verde.
A RML (Região Metropolitana de Londrina) já registrou cinco feminicídios consumados e outras 9 tentativas de pôr um fim à vida da mulher no primeiro semestre de 2025. Em 2024, foram 26, sendo 13 consumados e 13 tentados.
Coordenadora Regional da Semipi, Deise Tokano explica que o objetivo é sensibilizar e mobilizar toda a população contra um crime cruel e nocivo. Segundo ela, apesar de ser um tema doloroso, é essencial falar sobre o feminicídio para que as mulheres parem de ser mortas, principalmente por pessoas de dentro dos próprios lares. “Um local que deveria ser de proteção, de paz e de paz é de morte, violência e dor”, lamenta.

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Violência vai além da agressão
A violência contra a mulher vai muito além da física. Ela ela pode ser psicológica, sexual, moral e até mesmo patrimonial. Forçar uma relação sexual ou controlar o dinheiro, humilhar, ameaçar e difamar também são violências contra a mulher. Tudo isso pode levar a crises de choro, irritação e ansiedade, assim como de baixa autoestima e autoconfiança e a vontade 'de sumir' ou de morrer.
A guarda municipal Roselaine dos Santos explica que a violência psicológica contra a mulher causa tanto dano quanto a agressão física. O fato de o companheiro proibir a mulher de conversar com algum vizinho ou colega de trabalho, por exemplo, já é um indício de violência. "As mulheres têm que ficar atentas a esses sinais", afirma, alertando que esses ‘detalhes’ podem levar ao agravamento da violência e até mesmo ao feminicídio consumado. "Tem que acabar com a raiz do problema".
Patrulha Maria da Penha
Santos ressalta que a Patrulha da Maria da Penha da Guarda Municipal funciona ininterruptamente, sendo que as mulheres podem acionar o serviço a qualquer momento. A partir desse contato, uma viatura é enviada para o endereço da vítima.
Além disso, as mulheres com algum histórico de violência também recebem um 'botão do pânico' que, quando acionado, já alerta a central para o envio de uma equipe imediatamente.
A denúncia é um fato fundamental para interromper o ciclo de violência, mas que ainda enfrenta barreiras, já que muitas mulheres ainda têm medo de denunciar seus companheiros por questões financeiras ou de dependência emocional.
Santos explica que isso vem mudando e que cada vez mais mulheres estão denunciando as violências sofridas. "As mulheres não têm mais suportado esse tipo de situação, então elas têm procurado o serviço dos órgão de segurança para que possam ser socorridas", afirma.
A vida das mulheres importa
Secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Marisol Chiesa afirma que o ato no centro de Londrina é fundamental para trabalhar a conscientização das pessoas e mostrar que toda a vida importa. A grande maioria dos casos de violência contra a mulher acontece dentro de casa. "É fundamental incentivar que todos entendam a importância da vida de uma mulher", aponta a secretária, complementando que são elas que trazem vida para o mundo.

Como denunciar
Em casos de violência, as mulheres podem ligar para a Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal, no 153, ou para a Polícia Militar no 190. O contato também pode ser feito na Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres no 3378-0113.
Em Londrina, o CAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher) oferece serviço social, psicológico e jurídico para as mulheres acima de 18 anos em situação de violência doméstica e familiar. O CAM fica na Avenida Santos Dumont, n° 408, e funciona das 8h às 18h. O telefone para contato é o 3378-0132.
Em casos mais graves, em que a vida das mulheres estão em risco, é feito o encaminhamento para a Casa Abrigo Canto de Dália, que acolhe as vítimas e seus filhos ou dependentes menores de 18 anos.


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.


