Pai: uma palavra, três letras e um milhão de significados
A presença do pai no dia a dia dos filhos é fator fundamental para o desenvolvimento emocional e autoestima da criança
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de agosto de 2026
A presença do pai no dia a dia dos filhos é fator fundamental para o desenvolvimento emocional e autoestima da criança

Nas arquibancadas, nas brincadeiras de fim de semana ou em um simples bilhete deixado sobre a cama, a presença de um pai pode se revelar de muitas formas. Ouvir, participar da rotina, incentivar sonhos e ser o apoio nos momentos difíceis fazem parte do que é ser pai. Neste Dia dos Pais, celebrado no domingo (9), histórias de amor, parceria e dedicação mostram que, muitas vezes, são os pequenos gestos que deixam as marcas mais profundas.
O professor universitário Marcelo Silveira, 54, é pai da talentosa Leila Frasson Silveira, 11, atleta da Acethac (Associação Cultural Espaço Thalita Cumi), uma das promessas da ginástica rítmica londrinense. Além dela, Rafael, o primogênito, e Isaque, o caçula, são os maiores presentes que Silveira já conquistou na vida ao lado da esposa, Fernanda Frasson.
Silveira sempre está presente para apoiar e aplaudir a filha. “Entendemos que não basta incentivar, é preciso estar junto demonstrando cuidado, carinho, interesse e incentivando sempre”, conta o pai.
Vê-la competindo e conquistando seu espaço nos tablados e nos pódios é emocionante, algo que mexe com o coração de qualquer pai. “Ver o desenvolvimento da Leila nos movimentos, nas técnicas, na estética do esporte, nas expressões faciais e nas relações interpessoais é gratificante e só nos mostra que acertamos em incentivá-la”, afirma.
Para ele, as vitórias da filha nem sempre significam estar em primeiro lugar no pódio, mas também dar a volta por cima diante das dificuldades. “Os acertos são uma comemoração bem grande. O pódio acaba sendo um prêmio pelo desempenho, mas cada acerto, cada melhoria, cada coreografia bem-feita é uma vitória para ela e também para nós”, ressalta.
Nos treinos e competições, ele e a esposa estão sempre lá para aplaudir e acalmar, trazer tranquilidade e segurança. “Nós vemos um brilho nos olhos da Leila quando estamos na arquibancada acompanhando as competições. Os olhares constantes em nossa direção, uma certa busca por um aceno, um olhar de aprovação, um sorriso de orgulho acabam fazendo toda a diferença, principalmente para o emocional dela”, relata.
O professor acredita que nutrir bons momentos com os filhos faz toda a diferença no amadurecimento emocional da criança. “Estar junto é um exemplo que podemos deixar para que ela saiba que pode sempre contar com a gente e, também, é um exemplo que ela, tendo visto que deu certo e que foi importante para ela, poderá reproduzir com seus próprios filhos”, afirma.
Para Marcelo Silveira, ser pai é uma dádiva de Deus, ainda mais de três, já que um seria pouco, dois estava bom e, com o terceiro, ficou melhor ainda. “Eles recebem todo o incentivo, têm a liberdade de fazer escolhas, sempre com conselhos e, quando é necessário, colocamos em prática correções para colaborar com o crescimento deles. Ser pai, então, é, sim, apoiar e corrigir, é incentivar os sonhos, mesmo que sejam passageiros, é ser amigo também, pois a confiança também passa pela amizade”, afirma.
A ginasta Leila Frasson conta que, apesar de trabalhar bastante, o pai sempre está presente nas competições e nos treinos, levando flores e uma abraço apertado. Mesmo quando não consegue estar presente fisicamente, a ginasta afirma que o pai se faz presente. “Uma vez em que voltei de um campeonato que ele não pôde ir encontrei um bilhete dele na minha cama”, relembra.
A pequena conta do carinho demonstrado: uma vez ele a viu treinando em casa com uma fita improvisada com tecidos e a surpreendeu ao encomendar as fitas e a presenteou. “A ginástica rítmica é um esporte caro, mas ele sempre dá um jeitinho para que eu possa continuar treinando”, afirma, orgulhosa.
Parceria nos negócios
O montador de móveis Wellyngton Matheus Machado Gomes, 27, também nutre um laço de parceria com o melhor amigo de todos: o pequeno Arthur de Oliveira Gomes, de 6 anos. Entre as atividades preferidas da dupla está a pescaria aos finais de semana e brincadeiras com o drone.
O elo entre pai e filho vai muito além da rotina diária: hoje, apesar de muito novo, o filho opina e ajuda a família na Conect Family 3D, empresa que nasceu há quase dois meses com foco em impressões tridimensionais criada por Gomes e pela esposa, Karen Silva Oliveira.
Segundo ele, o filho tem papel fundamental na hora de escolher os brinquedos interativos que vão ser impressos, incluindo os personagens preferidos das crianças. “A gente deixa ele ver os projetos e opinar sobre o que ela acha, se as outras crianças vão gostar”, conta.
Para o pai, esse é um momento especial de aprendizado entre os dois e, também, é uma forma de ensinar o filho a prosperar, já que é de pequeno que se aprende. E foi do pequeno que nasceu a ideia de vender os produtos impressos durante as corridas de aplicativo. “Um dia ele quis oferecer para umas crianças que estavam brincando no parquinho do condomínio e isso me deu a ideia de levar para as corridas, que eu faço bastante”, conta.
Mesmo muito pequeno e com muito a viver pela frente, Arthur afirma que o pai é o seu melhor amigo e, do seu jeito, diz que ama seu papai.
A importância da presença
O psicanalista Sylvio do Amaral Schreiner explica que a presença do pai no cotidiano dos filhos é muito importante, indo muito além de apenas morar na mesma casa ou garantir o sustento material. “Presença é participação, cuidar, conversar, brincar, acompanhar, estabelecer limites, demonstrar afeto e se interessar verdadeiramente pelo mundo da criança”, afirma.
Quando essa relação existe e é saudável, a criança encontra no pai uma base segura para que, aos poucos, possa ir trilhando os próprios caminhos. “Isso favorece a segurança emocional, a autoestima e a confiança necessária para explorar o mundo. O convívio com o pai amplia as experiências da criança. Cada pai tem sua maneira de brincar, conversar, acolher, ensinar e colocar limites. Essa diversidade enriquece sua capacidade de se relacionar e pode ajudá-la a reconhecer os próprios sentimentos, enfrentar frustrações, respeitar regras e lidar com conflitos”, detalha.
A reação dos pais diante das pequenas confidências dos filhos também é um fator importante, na visão do especialista, já que se ela encontra atenção, interesse e acolhimento, ela aprende que pode voltar a procurar os pais. Por outro lado, se é criticada, corrigida ou já recebe aquele sermão, o psicanalista explica que ela pode começar a esconder o que sente pelo receio da reação dos pais.
“Isso não significa concordar com tudo nem evitar limites. Um ambiente seguro é aquele em que a criança pode dizer a verdade sem perder o amor dos pais, mesmo quando é necessário conversar sobre responsabilidades e consequências. Antes de oferecer uma solução, muitas vezes é importante escutar e tentar compreender”, orienta.
A boa relação entre pais e filhos traz benefícios para os pequenos, assim como para os adultos. “Para os pais, uma relação prazerosa e de companheirismo com os filhos também é fonte de crescimento. A convivência permite conhecer de perto uma pessoa que está se formando, acompanhar suas descobertas e rever aspectos da própria história. Muitas vezes, ao cuidar de um filho, o adulto também reencontra algo da própria infância”, explica Schreiner.
LEIA TAMBÉM
+ Sincoval projeta aumento modesto nas vendas do Dia dos Pais
Por fim, o psicanalista aponta que mais importante que a presença concreta do pai, já que muitas crianças que não tem pai na certidão de nascimento, é a existência da função paterna, ou seja, alguém que ofereça proteção, limites, reconhecimento e ajude a criança a se desenvolver e explorar o mundo.
“Essa função pode ser exercida pela mãe, por avós, padrastos, tios ou outras pessoas próximas. Quando o próprio pai consegue ocupar esse lugar com presença, afeto e responsabilidade, há uma coincidência muito favorável: a figura paterna e sua função se encontram na mesma pessoa.”


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.


