Sincoval projeta aumento modesto nas vendas do Dia dos Pais
Sindicato dos varejistas de Londrina projeta alta de cerca de 1,5% no faturamento e tíquete médio em torno de R$ 100
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de agosto de 2026
Sindicato dos varejistas de Londrina projeta alta de cerca de 1,5% no faturamento e tíquete médio em torno de R$ 100

Depois de uma sequência de resultados abaixo das expectativas em datas comemorativas anteriores, o varejo londrinense não está muito otimista com as vendas do Dia dos Pais, celebrado no próximo domingo (9). Alguns comerciantes trabalham com a perspectiva de crescimento nos resultados deste ano e há quem aposte em um avanço de até 10%, mas uma boa parte deles preferiu não investir grandes esforços na data. O Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina) projeta aumento no faturamento, mas bem tímido, de cerca de 1,5% sobre o mesmo período de 2025.
Proprietário do Empório San Giuseppe, Marcio Massaro ainda não viu o movimento na loja crescer por conta do Dia dos Pais, mas com a experiência adquirida ao longo do tempo ele espera receber entre 40% e 50% a mais de clientes entre o sábado e o domingo em relação aos dias comuns. “Por enquanto, as vendas ainda não aconteceram. Como são produtos alimentícios, as pessoas deixam para a véspera ou para o dia.”
Kits com vinhos, cervejas, cachaças ou licores, pastas, grissinis, queijos, embutidos e doces têm ótima saída nesta época. Além dos produtos coloniais artesanais vindos de diferentes regiões do Brasil e alguns do exterior, Massaro é produtor de linguiças frescais e do catálogo fazem parte dez tipos diferentes. O mix de produtos da loja agrada em cheio quem procura por novos sabores e também aqueles que se arriscam na cozinha, preparando pratos mais elaborados para a família e os amigos.
“A gente se prepara para essas datas, aumentando o nosso estoque”, comentou. “As pessoas buscam conciliar orçamento e surpresa para o presenteado. Temos uma variedade de produtos que não são comuns no mercado, como guanciale, sopressa italiana (um tipo de salame), presunto culatello, além das linguiças de fabricação própria. O que a gente vende se encaixa muito bem nessas datas, em específico.” Na loja, o tíquete médio fica entre R$ 200 e R$ 250 por presente.
A pesquisa de intenção de compras do Dia dos Pais elaborada pela Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Paraná) em parceria com o Sebrae PR indicou que 53,7% dos paranaenses planejam presentear seus pais neste domingo. O resultado ficou quase seis pontos percentuais acima do ano passado, quando esse índice era de 47,9%.
E se os resultados do estudo se confirmarem, Massaro pode se animar. Além de apurar que mais de 80% dos paranaenses deixarão a compra do presente para a reta final, alimentos e bebidas estão entre as três principais opções de presentes listadas pelos consumidores, com 6,4%, abaixo apenas de roupas e calçados, citados por 54,9% dos entrevistados, e de perfumes e cosméticos (12,9%). Em quarto e quinto lugares aparecem ferramentas e máquinas (5,2%) e livros e artigos semelhantes (5,1%).
Para o coordenador de Desenvolvimento Empresarial da Fecomércio PR, Rodrigo Schmidt, o aumento da intenção de compra reflete um ambiente mais propício ao consumo e cria boas perspectivas para o comércio. "Com a intenção de compra em alta e o Pix consolidado como principal meio de pagamento, o Dia dos Pais de 2026 promete aquecer o varejo paranaense em um cenário de mercado de trabalho favorável. As mulheres lideram a disposição para presentear e o tíquete médio subiu para R$ 164,46 neste ano", avaliou.
Pelos recortes regionais, Curitiba lidera, com crescimento de 19,5 pontos percentuais sobre o ano passado, alcançando 70,2% de intenção positiva de compra. Logo abaixo da capital, estão a Região Oeste, que passou de 44,7% para 53,3% de um ano para outro, e a Região Central, que subiu de 49,4% para 55,3% no período. O Norte do Estado teve aumento mais moderado, de apenas dois pontos percentuais, saindo de 47,7%, em 2025, para 49,7% neste ano.
O tíquete médio também cresceu no Paraná de um ano para outro, de R$ 161,24 para R$ 164,46. Por região, o maior valor apurado foi em Curitiba, R$ 193,30, seguida pela Região Oeste (R$ 167,31). A Região Norte ficou em quarto lugar, com R$ 159,54.
Gerente da loja de vestuário masculino Homem S/A, Leda Barbosa avaliou que o fluxo de clientes por conta do Dia dos Pais, até o momento, é semelhante ao do ano passado, mas acredita que deverá aumentar na véspera. A expectativa era de melhora a partir de quinta-feira (6). “Acredito que vamos ter um crescimento a partir de 10% neste ano sobre o ano passado”, calculou.
O otimismo demonstrado por Massaro e Barbosa contrasta com outros lojistas ouvidos pela reportagem que disseram estar desestimulados em razão do baixo desempenho do comércio observado ao longo do ano, especialmente em datas comemorativas, como o Dia das Mães. A celebração, que sempre foi considerada um segundo Natal pelo varejo, nos últimos anos tem deixado a desejar. Em 2026, a queda nas vendas foi de 9,2% sobre a mesma data em 2025. Um deles comentou que sequer preparou estoque para a data e também não investiu em divulgação por observar uma redução no potencial de consumo dos londrinenses.
Além de projetar um faturamento modesto, em torno de 1,5%, o presidente do Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina), Ovhanes Gava, também prevê um tíquete médio mais baixo do que o apurado na pesquisa da Fecomércio PR. Ele arrisca valores mais próximos de R$ 100. “Falta ao empresário preparar o estabelecimento para uma data como essa. Não é só vestuário, muitos pais gostam de ganhar ferramentas e lojas da (avenida) Duque de Caxias e da (rua) Guaporé que têm esse comércio mais pujante não investe em propaganda para aproveitarem a data. Sinto falta dessas empresas engajadas”, avaliou o sindicalista.
Para ajudar a impulsionar as vendas do Dia dos Pais, os comerciantes irão estender o expediente desta sexta-feira (7) até as 21 horas e, no sábado (8), até as 18 horas.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


