Namorada de homem morto em academia diz confiar na justiça
Jheniffer Balardin relata últimos momentos e fala sobre os sonhos do casal de formar uma família
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sexta-feira, 09 de janeiro de 2026
Jheniffer Balardin relata últimos momentos e fala sobre os sonhos do casal de formar uma família

“Vai dar certo, já já formamos a nossa família de verdade” e “te amo pra sempre, meu amor” foram as últimas mensagens que Jheniffer Balardin recebeu do namorado, David Schmidt Prado, 37, antes dele ser assassinado na segunda-feira (5). O homem foi emboscado pelo cambeense Lucas Wancler Ferreira dos Santos, 30, no estacionamento da academia em que treinava, na zona oeste de Londrina. O ataque continuou dentro do centro esportivo, para onde a vítima correu para pedir ajuda após ter levado as primeiras de cinco facadas no total. Mesmo com atendimento médico, o homem não resistiu e morreu no local. Santos segue preso e a Polícia Civil tem até a próxima quarta-feira (14) para concluir o inquérito.
Natural de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro) e pai de um menino, David era gerente financeiro de um posto de combustível e residia em Londrina há quase 20 anos. A namorada é conterrânea e se mudou para o município em julho do ano passado, sendo que conheceu o parceiro há cerca de quatro meses.
Balardin contou que o namorado sempre foi transparente e não escondia nada durante o relacionamento, o que a deixou confusa sobre o que motivou Santos a cometer o crime. “Quando comecei a ouvir boatos foi que entendi que era sobre essa pessoa, a ex (-esposa) do agressor. Mas enquanto o David estava comigo, eu tenho certeza do fundo do meu coração que ele não estava se relacionando com essa mulher”, pontuou a advogada.
Como atestado pela investigação policial, o crime foi motivado por ciúmes, por conta de um relacionamento amoroso entre David e a esposa de Santos quando os dois já não estavam mais juntos.
Planos interrompidos
Balardin disse ainda que seu namorado “nem imaginava que uma coisa dessa fosse acontecer" e, assim, não estava se sentindo ameaçado na segunda-feira. “Ele acordou igual ele sempre acordava, às 7h15 da manhã, nós tomamos um café e ele foi trabalhar super feliz, porque era a primeira segunda de 2026, então ele tinha muitos planos, que infelizmente foram interrompidos, ele não voltou”. A advogada informou que o casal trocou mensagens desde o momento em que David chegou na academia até logo antes do crime, “então eu tenho certeza absoluta que ele não tinha ideia de quem era esse agressor”.

O par passou a virada do ano em Balneário Camboriú, retornando com planos concretos de morar juntos. “O tempo que nós passamos foi pouco diante de algumas pessoas, mas pra gente era muito tempo, parecia que tínhamos nos conhecido de outras vidas, é uma coisa muito forte. A gente tinha reservado uma casa pra visitar, porque passávamos a maior parte do tempo juntos, só não estava junto no trabalho, quando ele estava trabalhando e eu também”, recordou a mulher.
Outro plano do casal era começar uma família, sendo que David sonhava em ser pai de uma menina e chamá-la de Malu. “Durante o tempo que a gente estava na praia, ele repetia várias vezes que tinha me escolhido pra ser mãe da filha dele, e com ele foi a primeira vez que eu pensei em ter outro filho”, rememorou.
‘Que a justiça seja feita’
Descrevendo o companheiro, disse que David “tinha todas as qualidades do mundo, era super tranquilo, tinha um coração enorme, ajudava todos, ele fazia o que podia para estar feliz”. A advogada contou que está “sem chão e se questionando o tempo todo”, afirmando que nunca imaginou enterrar o amor de sua vida. “É uma dor terrível, não desejo isso pra ninguém. Espero que com o tempo amenize ou que a gente tenha um entendimento de Deus, porque está muito difícil”, almejou.
Balardin ainda não retornou para o trabalho e para seu apartamento em Londrina, cheio de pertences e lembranças do namorado. No momento, ela diz confiar “na justiça do homem e de Deus”, acreditando que “tem mais coisa nisso tudo”.
Logo após a consumação do assassinato na segunda, Lucas Santos foi detido por um policial à paisana que treinava na academia. Ele foi preso em flagrante e autuado por homicídio qualificado, já que usou de meios cruéis para cometer o crime, o que dificultou a defesa da vítima. Na quarta (7), passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva. No momento, segue no CTL (Centro Integrado de Triagem de Londrina).
O corpo de David Schmidt Prado foi sepultado no cemitério de Cornélio Procópio na manhã de quarta, com a presença de familiares e amigos.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


