MP e Polícia Civil abrem investigações sobre câmeras em banheiros
Secretaria Estadual de Educação afasta direção do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, mas não informa situação de monitores militares
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Secretaria Estadual de Educação afasta direção do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, mas não informa situação de monitores militares
A 4ª Promotoria do MPPR (Ministério Público do Paraná) instaurou inquérito para investigar as circunstâncias da instalação de câmeras escondidas em sensores nos banheiros feminino e masculino do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina), descobertas pelos próprios alunos na última segunda-feira (19).
No fim da tarde desta quarta (21), a Seed (Secretaria Estadual de Educação) informou o afastamento provisório da direção escolar e que também pretende abrir um processo investigativo sobre a instalação e o encaminhamento das imagens nos locais privativos.
As minicâmeras foram encontradas após um aluno fotografar as imagens de áreas de uso comum dos banheiros reproduzidas em computadores na sala dos monitores militares. O registro começou a se espalhar entre a comunidade escolar por meio de aplicativos de mensagens e estudantes decidiram arrancar os equipamentos para verificar o que havia dentro.
De acordo com pais e alunos, a direção afirmava que os aparelhos seriam sensores de fumaça, para evitar o consumo de cigarro dentro dos banheiros.
A descoberta levou a protestos organizados pelos estudantes nas manhãs de terça (20) e quarta-feira. Pais e alunos querem saber quem instalou as câmeras, quando isso ocorreu e o que foi feito com as imagens registradas.
A PCPR registrou boletins de ocorrência denunciando a situação e instaurou inquérito. Policiais judiciários fizeram diligências na escola na manhã de quarta, acompanhados de representantes do NRE (Núcleo Regional de Educação), cuja visita já havia sido anunciada no dia anterior.
Por meio de nota, o MPPR confirma a instauração de procedimento para apurar os fatos pela 4ª Promotoria da comarca, que tem atribuição na área da educação. A nota informa que a instauração ocorreu ainda na terça e recorda que também há apuração criminal pela Polícia Civil, e conclui afirmando que não é possível fornecer mais informações, já que as apurações estão em fase inicial.
'Questão óbvia'
A crise que eclodiu por conta das câmeras escondidas nos banheiros escalou tanto que o secretário estadual de Educação, Roni Miranda, esteve na sede do NRE (Núcleo Regional de Educação) nesta quarta para acompanhar o caso mais de perto.
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Em um vídeo distribuído pela assessoria de imprensa da Seed, Miranda confirma a determinação de apuração interna e afastamento da direção. “É uma questão óbvia de não colocar câmeras dentro do banheiro.. Já temos leis federais sobre isso mas, para deixar isso bem claro a todos os diretores, também publiquei uma resolução proibindo, em qualquer ambiente escolar, câmeras em banheiros ou vestiários”, diz o secretário.
Porém, questionada pela reportagem, a assessoria de imprensa não negou, nem confirmou, que os monitores militares tenham sido afastados.


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.



