A promotora Caroline Guzzi Zuan Esteves denunciou nesta segunda-feira (30) Gabriel Henrique Santos de Souza, 20 anos, João Victor Moraes da Silva, 20, Luana Ribeiro dos Santos, 21, e Cristian Deivid Santos Ferreira, 18, pela tentativa de latrocínio cometida contra um motorista do aplicativo Coolt. Ele foi espancado e abandonado na Estrada dos Periquitos, perto do Limoeiro, zona leste de Londrina, no dia 11 de julho. O trabalhador fraturou nariz, rosto e ficou ainda com 70% do braço esquerdo comprometido pelas agressões, que o afastaram por 30 dias do serviço.

Imagem ilustrativa da imagem MP denuncia quatro por tentativa de latrocínio a motorista de aplicativo
| Foto: Anderson Coelho/Grupo Folha


Silva é o único que continua foragido. Os outros três foram presos por investigadores da 10ª Subdivisão Policial e tiveram as detenções preventivas mantidas pela Justiça. Para a promotora, a manutenção do regime "garante uma investigação isenta de vícios". Segundo a polícia, o fugitivo teria sido reconhecido junto com Gabriel Souza em outro assalto a condutores que trabalham com aplicativos.

O quarteto também foi denunciado por associação criminosa. O MP solicitou ainda a quebra de sigilo dos telefones de Luana Santos e João Moraes. Os pedidos serão analisados pelo juiz da 4ª Vara Criminal, Luiz Valerio dos Santos.

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Como tudo aconteceu

De acordo com as investigações, tudo começou quando Luana pediu uma corrida no Terminal Rodoviário. Entretanto, quando a vítima chegou no endereço solicitado, deparou-se com Moraes e Souza, que seriam os primos da jovem. Os rapazes seguiram até o conjunto Eucaliptos, região leste.

Poucas palavras foram trocadas durante o trajeto. A surpresa veio tão logo quando o carro alcançou a avenida das Maritacas. Gabriel e João Victor comunicaram o assalto e abordaram o motorista, que passou a trafegar no banco do carona.

"Falei que eles podiam levar tudo, mas implorei que preservassem apenas a minha vida", declarou o motorista, que conversou com a FOLHA, mas não quis se identificar. Foram aproximadamente quarenta minutos entre o Eucaliptos e o Limoeiro. Antes disso, os criminosos passaram em um bar na rua Santa Terezinha, onde, segundo a polícia, teriam pegado Cristian. Longe da cidade, ele foi amarrado e amordaçado.

"Pensei que tudo já tinha acabado, mas mudei de ideia quando senti o primeiro soco". Foram vários até que ficasse inconsciente. "Não me recordo de nada. Vinte minutos depois da agressão, acordei e lembrei poucos detalhes do que havia sofrido". A advogada Bruna Fernanda Oliveira Ferraresso, que defende Moraes e Souza, disse não concordar com a denúncia de latrocínio tentado.

"Os acusados jamais tinham intenção de matar ninguém, sendo certo que não houve falecimento das supostas vítimas, que com todo respeito a vítima e sua família, mas sequer esteve na UTI ou à beira da morte, de modo que a denúncia encontra-se destoante da realidade dos fatos, a qual será devidamente comprovado nos autos", disse a advogada.

Ferraresso afirma também que Gabriel e João Victor trabalham e possuem família para sustentar. "Portanto, ausento qualquer intenção de Gabriel e João Victor em tirar a vida de ninguém, fato que será comprovado nos autos para desqualificar o crime de latrocínio a qual está sendo denunciado", pontuou.

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