A Polícia Civil de Londrina concluiu nesta sexta-feira (20) as investigações do assalto ao motorista do aplicativo Coolt, que foi espancado e abandonado na Estrada dos Periquitos no dia 11 de julho, perto do Limoeiro, zona leste de Londrina. João Victor Moraes da Silva, 20, Gabriel Henrique Santos de Souza, 20, Luana Ribeiro dos Santos, 21, e Cristian Deivid Santos Ferreira, 18, o único que permanece foragido, terminaram indiciados por roubo qualificado, como informou o delegado Thiago Vicentini, responsável pelo inquérito. O trio passou por audiência de custódia, onde foram mantidas as prisões preventivas.

Imagem ilustrativa da imagem Motorista de aplicativo de Londrina fala sobre assalto e agressões
| Foto: Arquivo FOLHA


Em entrevista à FOLHA, a vítima - que não quis se identificar - relembrou os momentos anteriores ao roubo. Ele disse ter atendido um chamado de Luana no Terminal Rodoviário, mas no meio do caminho mandou uma mensagem ao condutor informando que não seria ela quem embarcaria, mas dois jovens que seriam seus primos. Assim que o carro estacionou na área de desembarque, a dupla seguiu até o conjunto Eucaliptos, endereço final da corrida. Poucas palavras foram trocadas durante o trajeto. A surpresa veio tão logo quando o carro alcançou a avenida das Maritacas. Gabriel e João Victor comunicaram o assalto e abordado o motorista, que passou a trafegar no banco do carona.

"Falei que eles podiam levar tudo, mas implorei que preservassem apenas a minha vida", declarou. Foram aproximadamente quarenta minutos entre o Eucaliptos e o Limoeiro. Antes disso, os criminosos passaram em um bar na rua Santa Terezinha, onde, segundo a polícia, teriam pegado Cristian. Longe da cidade, ele foi amarrado e amordaçado. "Pensei que tudo já tinha acabado, mas mudei de ideia quando senti o primeiro soco". Foram vários até que ficasse inconsciente. "Não me recordo de nada. Vinte minutos depois da agressão, acordei e lembrei poucos detalhes do que havia sofrido". Mesmo bastante machucado, o rapaz arrancou as tiras que vedavam sua boca e correu em direção ao farol de um carro. "Na hora, imaginei que os ladrões tinham voltado".

A tranquilidade veio quando o homem identificou-se como policial militar. Balbuciando algumas palavras, o motorista disse que tinha sido assaltado, mas o agente de segurança já tomava conhecimento da situação. "Assim que entrei na viatura, ouvi pelo Copom (Central de Operações da PM) que estava sendo encaminhado ao hospital. Fiquei tranquilo porque tive a certeza de que estava seguro", explicou. O carro da vítima foi abandonado pelos assaltantes na rua Santa Clara, Vila Santa Terezinha. Luana, Gabriel e João Paulo foram presos no dia seguinte por investigadores do setor de Furtos e Roubos da 10ª Subdivisão Policial de Londrina. A empresa responsável pelo aplicativo informou aos policiais a identidade da garota que pediu a corrida na rodoviária. Durante interrogatório, ela atribuiu o crime aos jovens que seriam seus parentes.

A ferramenta de transporte individual não é a única alternativa que o motorista tem para rechear a renda familiar. Durante o dia, ele exerce a mesma função em outra instituição e liga o aplicativo no término do expediente, às 18h. "Geralmente vou até de madrugada, sempre alternando entre a Coolt e o Uber. Depende muito da oferta de passageiros", disse. A esposa deixou o emprego para cuidar da filha mais nova do casal, cardiopata logo aos dois anos e dois meses de vida. "Boa parte do dinheiro que consigo com as viagens serve para pagar o tratamento dela. Eu tenho até um mês para me recuperar completamente, mas não posso ficar muito tempo parado". O rapaz teve o rosto desfigurado e ferimentos grandes no braço esquerdo, membro que ainda está impossibilitado de mexer integralmente.

Assim que foram presos, Gabriel e João relataram à imprensa que o motorista teria reagido ao assalto, versão rechaçada pela própria vítima. "Como eu reagiria a um roubo com uma faça no pescoço e três pessoas no meu carro? Não tem lógica, nexo. Eles disseram que também estavam trabalhando, mas que trabalho é esse?", questionou.

Campanha

A situação do condutor agredido sensibilizou outros integrantes da categoria. Pelo Facebook, o empresário César Lemos, iniciou uma corrente solidária para ajudar o amigo nas finanças. O prêmio a ser sorteado é uma cesta de comésticos, avaliada em R$ 500. Ele, junto com outros motoristas, também participou das incursões na mata do Limoeiro atrás do companheiro. Os pedidos da rifa, que custa R$ 10 cada, podem ser feitos pelo (43) 98462-9176.

O outro lado

Procurada pela reportagem, a advogada Bruna Fernanda Oliveira Ferraresso, que defende Gabriel e João, informou que "não se pode aferir de fato se eles Vitor concorreram para a prática delituosa, não havendo sequer denúncia por parte do representante do Ministério Público. Os indiciados irão apresentar sua defesa no processo, no decorrer da instrução processual. Por fim, os acusados serão processados, onde será respeitada nossa Constituição Federal e principalmente o princípios da ampla defesa e do contraditório, onde será oportunizado o direito dos acusados apresentarem suas versões dos fatos. Em atenção ao princípio da presunção de inocência esculpido pela Constituição Federal, tanto Gabriel como João Vitor são inocentes até a sentença transitada em julgado", completou.

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