Jorge Takeo Takano, fotógrafo guardião da memória de Uraí (Região Metropolitana de Londrina) e entusiasta da história da imigração japonesa ao Brasil, faleceu nesta sexta-feira (26), aos 90 anos. O homem compartilhava a idade com o município, fundado em 1936 sob o nome Colônia Pirianito, antes de ganhar a denominação atual. Takano marcou a história de Uraí, como curador de um acervo com mais de 25 mil fotografias que retratam a cidade ao longo das décadas. A Prefeitura decretou luto oficial de cinco dias pela morte do homem, que deixou filhos, netos e um legado marcante.

A parcela brasileira de Uraí se referia a ele como “Seu Jorge”, já os nipo-brasileiros e isseis - imigrantes que nasceram no Japão e se mudaram para o Brasil - o chamavam de “Takano san”. O próprio Jorge era nissei, filho de japoneses originais - que se fixaram no município em 1937 - e conhecedor do idioma. A paixão pela fotografia foi herdada do pai, Kiyoshi Takano, e também passada ao irmão mais velho, Toshiro Takano. Ambos os predecessores registraram o crescimento de Uraí, Assaí e outros municípios do Norte do Paraná em suas câmeras. Kiyoshi participou ativamente da construção da infraestrutura urbana, sempre fotografando.

Décadas de registros

Guardado a sete chaves e com negativos originais, o acervo de fotos que traça uma linha do tempo de Uraí foi produzido com apoio do pai e do irmão. Em 2012, quando a cidade completou 76 anos e Jorge foi entrevistado pela FOLHA, entre 10 mil e 15 mil registros compunham o arquivo, com dois mil selecionados e em condições de serem expostos. “É a história desde o fim de 1936 até hoje'', resumiu na época. Atualmente, são mais de 25 mil fotografias.

Ele começou a trabalhar com o pai aos 11 anos, na década de 1940, e manteve um longevo estúdio fotográfico no centro de Uraí, com máquinas expostas na vitrine. Sua coleção ia além, acumulando moedas, relógios, selos, livros e revistas. Por anos, capturou o desenvolvimento dos primeiros pés de rami, cultura que teve seu ápice no município e fez dele o maior produtor do Brasil.

Em 1952, Jorge fotografou o ramizal da família Takahashi, que tinha espécimes alcançando 3,5 metros de altura. Registrou a época da florada em outra fazenda quatro anos depois, e o último estágio de crescimento em 1964. Também acompanhou o processo de produção na década de 1970, com a chegada de novas máquinas para o desfibramento do rami, e a decadência do cultivo quando ele perdeu espaço para outras culturas.

Luto oficial

A Prefeitura de Uraí decretou luto oficial de cinco dias pela morte de Jorge “em reconhecimento à sua imensurável contribuição ao município e em sinal de respeito e solidariedade aos familiares e amigos". Em nota, recordou sua participação recente, em maio, como fotógrafo na comemoração de 90 anos da cidade. “Seu legado permanecerá vivo na história e na identidade do nosso município. Uraí perde um grande cidadão, mas sua dedicação, seu olhar sensível e seu amor por nossa terra jamais serão esquecidos”, completou.

O velório de Jorge Takano foi realizado na tarde desta sexta em Uraí, com o sepultamento marcado para o mesmo dia no Cemitério João Paulo II.

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