Menino de Nova Fátima está em acompanhamento psiquiátrico
Advogado da família da criança que matou animais critica as pessoas que acusam o garoto de ser um serial killer
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de outubro de 2024
Advogado da família da criança que matou animais critica as pessoas que acusam o garoto de ser um serial killer
Bruno Souza - Especial para a FOLHA 

O advogado Ronan Wielewski, que defende da família do menino que matou diversos animais em Nova Fátima (Norte), no último domingo (13), informou que a criança está recebendo acompanhamento psiquiátrico.
"O menino faz o acompanhamento em Cornélio Procópio. Foi para psicólogo e psiquiatra. Mesmo que não precise, poderá ter um diagnóstico. Os animais não dá para salvar mais, porém ele a gente pode salvar, se é que ele tem alguma coisa. E se tiver algo errado, será tratado", contou o profissional, que começou a atuar na defesa da família há poucos dias.
O advogado ainda critica a mídia por ter afirmado que a criança não sentiu remorso após a prática. Segundo ele, o menino está abatido. Wielewski também volta a defender que o menino é uma "criança normal".
"Todo mundo está dizendo que ele é um serial killer, que vai fazer isso na escola, que é um psicopata. Inclusive, um programa de TV entrevistou um psicólogo falando que ele é um psicopata. Um absurdo! Isso sem estudar o menino. Não pode!"
FAMÍLIA COM MEDO
A família, segundo ele, está com medo das represálias. Na última quarta-feira (16), o Ministério Público anunciou que está investigando o caso e as diversas ameaças. Wielewski diz que as mensagens são assustadoras.
"Dizem 'vamos até lá, vamos massacrar o moleque.' É muito importante o Ministério Público investigar os dois lados. Saber o porquê de o menino ter feito isso, mas também ir atrás de pessoas que estão divulgando o nome do menino, foto, o local em que ele mora, fomentando crimes contra ele como se isso fosse a solução."
A criança de nove anos é filha de uma mulher que tem por volta de 30 anos, e que trabalhava em Cornélio Procópio (Norte Pioneiro). Ela está desempregada há pouco tempo. Na mesma casa, vivem os avós e tios do menino.
O advogado contou que decidiu ajudar no caso após a situação "passar do controle" com a divulgação do endereço da casa onde os familiares vivem. Mesmo sofrendo ataques e críticas, ele ressalta que o importante é garantir a segurança física e psicológica da criança.
CRÍTICAS
O advogado criticou a médica-veterinária Brenda Almeida, proprietária da clínica atacada. Segundo ele, ao contrário do que ela afirmou em uma reportagem, a criança não praticou a ação outras vezes.
Em entrevista ao Portal Metrópoles, Brenda afirmou que o menino já teria praticado maus-tratos outras vezes a animais, mas não deu detalhes. Ela ainda, segundo o portal, afirmou que não quer o mal do menino. “Espero que as autoridades responsáveis pela condução do caso consigam prestar o devido auxílio ao autor. Não queremos punição para ninguém, até porque isso não vai trazer os animais [de volta]”, disse a veterinária ao Metrópoles.
Wielewski destaca que esta é a primeira declaração oficial da família desde que tudo começou. O o advogado diz que os familiares seguiam o conselho do MPPR (Ministério Público do Paraná) sobre não comentar o assunto, que é tratado sob sigilo. Inclusive, a veterinária foi procurada para um possível acordo.
"Tentamos conversar com ela sobre um possível acordo de cooperação, até porque ela também está sendo criticada por divulgar a imagem do menino e chamá-lo de marginal numa publicação que já foi apagada", afirma o advogado.
No entanto, a tentativa foi frustrada após a reportagem supostamente "mentirosa" publicada neste sábado (19). "Hoje tivemos essa surpresa, em que ela altera os fatos, dizendo que ele [a criança] já fez isso antes. Não tem outro jeito a não ser se defender", rechaça. "[O acordo seria] Nós não a processarmos por ter divulgado a imagem do menino maldosamente e ela não fala mais nada sobre os animais. Mas ela fica publicando sobre o assunto".
A reportagem tentou ouvir Brenda Almeida por Instagram, Whatsapp e telefone das 12h45 às 16h de sábado, mas ela não atendeu aos chamados.
QUESTIONAMENTO
Wielewski também questiona o número de animais mortos que a mídia divulgou. A reportagem da FOLHA apurou com a Polícia Civil que 15 coelhos foram encontrados mortos. Outras reportagens divulgam que foram 23. O advogado, no entanto, pontua que foram "bem menos".
"A gente sabe que eram menos animais. A Polícia Civil fala em 15, mas recebemos conversas de que não eram nem 10. Claro, se fosse um só animal, já seria errado. Mas, a partir do momento que ela aumenta para muito mais, quer dizer que tem coisa errada também."
Wielewski salienta que o menino está com um porquinho-na-índia que foi levado para a casa dele no dia da ação. Entretanto, de acordo com o advogado, a clínica veterinária nega que o animal seja de lá.
"A mãe foi até a polícia para dizer que o porquinho apareceu lá. Levamos até a clínica veterinária e afirmaram que não era deles, porque eles não têm animais sem registro. Só que o menino disse que pegou no dia e que pegou para criar em casa", explica.


