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Londrina

Geral

m de leitura Atualizado em 24/03/2022, 08:50

Médico denunciado por atender criança com Covid já tinha sido proibido de trabalhar

CRM impediu profissional de exercer a atividade por seis meses, mas acusado conseguiu autorização para voltar a atender

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de março de 2022

Rafael Machado - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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O médico ortopedista de Londrina denunciado pelo Ministério Público por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) por suposta negligência no atendimento a um garoto de 12 anos diagnosticado com Covid-19 ficou quase seis meses proibido de exercer a função pelo Conselho Regional de Medicina no ano passado, mas conseguiu reverter a decisão e está trabalhando normalmente. 

Imagem ilustrativa da imagem Médico denunciado por atender criança com Covid já tinha sido proibido de trabalhar Imagem ilustrativa da imagem Médico denunciado por atender criança com Covid já tinha sido proibido de trabalhar
|  Foto: Isaac Fonatana/FramePhoto/Folhapress
 

O profissional entrou com recurso na instância superior do órgão, o Conselho Federal de Medicina. Por maioria dos votos, sagrou-se vitorioso e obteve a autorização. A posição dos conselheiros federais foi comunicada no dia 11 de novembro ao presidente do CRM no Paraná, Roberto Issamu Yosida. 

As informações foram confirmadas à FOLHA pela advogada Renata Fernandes, que defende o médico no processo criminal. Procurada para comentar a denúncia, ela disse que, como não foi intimada, não poderia se manifestar. Por enquanto, a Justiça ainda não decidiu se vai aceitar as acusações. 

O CASO

O garoto que morreu em junho do ano passado por complicações da Covid-19 tinha várias comorbidades, como foi confirmado pela Secretaria Municipal de Saúde na época. Obtida pela FOLHA, a denúncia do MP narra que o médico prescrevia as receitas pelo WhatsApp e nunca atendeu a criança presencialmente. 

"A saturação dele (menino) ficava abaixo de 90%, o que já era preocupante, e mesmo assim o profissional não internava o paciente. Ele receitou remédios do chamado tratamento precoce que não têm eficácia comprovada contra a Covid-19", contou o advogado que representa a família da criança, Marcos Prochet. 

Além do homicídio culposo, o Ministério Público quer que o médico seja condenado por omissão de notificação de doença, exercício ilegal da medicina e outros crimes. 

MORTE

Uma adolescente de 16 anos faleceu ontem vítima de Covid-19, conforme boletim divulgado pelo Núcleo de Comunicação da Prefeitura. Ela estava internada em hospital filantrópico desde 22 de fevereiro, quando testou positivo para a doença. Segundo o município a paciente tinha comorbidades.