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Londrina

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m de leitura Atualizado em 27/02/2022, 22:08 assinante

Londrina tem missa bilíngue pelo fim da guerra na Ucrânia

Unidos pela fé e pela cultura, membros da comunidade se juntam para orar, se organizam para arrecadar doações e receber futuros refugiados

PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de fevereiro de 2022

Isabella Alonso Panho/ Especial para a FOLHA
AUTOR autor do artigo

Foto: Isabela Alonso Panho
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"Guerra é uma demonstração de poder”. O padre José Hadada conduziu desta forma uma missa bilíngue para um pequeno grupo de pessoas na tarde deste domingo (27), na Capela Santa Rosa de Lima, zona norte da cidade. O público é majoritariamente composto de descendentes de ucranianos que se reúnem uma vez ao mês para uma missa. Eles oram por parentes distantes e pelos que estão nos conflitos armados que acontecem na Ucrânia desde a última quinta-feira (24). O padre continua: “todo mundo está implorando pelo diálogo e pela paz, mas quem tem poder não quer”.

Ludmila Kloczak e Mariana Pinceta fazem parte da comunidade ucraniana de Londrina Ludmila Kloczak e Mariana Pinceta fazem parte da comunidade ucraniana de Londrina
Ludmila Kloczak e Mariana Pinceta fazem parte da comunidade ucraniana de Londrina |  Foto: Isabela Alonso Panho/ Divulgação
 

Alguns descendentes se identificam usando peças com os bordados ucranianos - em blusas, no barrado da batina e até nas máscaras de proteção. Alguns descendentes se referem ao bordado como “vyshyvanka”, expressão que pode servir também para a camisa típica. A pronúncia é algo próximo de “vechêvanca”, como explica a psicanalista e docente aposentada Ludmila Kloczak. Ela veste não apenas uma bata como também um colar vindos da Ucrânia. “Meus pais são imigrantes e eu fui a primeira filha deles, já nasci no Brasil. Lá tem uma tia minha, tem vários tios, primos...”, conta. Contudo, sua visão sobre o conflito se mistura com expectativas políticas frustradas. Para Kloczak, o momento “é de uma grande decepção, porque nós esperávamos que a Ucrânia finalmente ficasse livre da Rússia. Mas a Rússia não aceita essa regra”.

Folha de Londrina
  

Outros membros do grupo sentem-se mais tocados. É o caso da aposentada Lucia Cerconi, que desistiu de assistir aos noticiários: “eu começo a chorar. Parece que está acontecendo com a família da gente. Eu fico imaginando e me compadeço com tudo o que está acontecendo lá”. Ela, quem se emocionou durante alguns cânticos na missa, é bisneta de ucranianos. Usando uma bata com “vyshyvanka”, ela afirma à reportagem: “eu amo toda a cultura. Eu sei cantar um pouco, falar um pouco, acho tudo muito lindo e emocionante. A gente tem uma devoção muito fervorosa. Minha mãe era muito devota”.

Lucia Cerconi se emociona com os cânticos ucranianos da missa celebrada pelo padre José Hadada Lucia Cerconi se emociona com os cânticos ucranianos da missa celebrada pelo padre José Hadada
Lucia Cerconi se emociona com os cânticos ucranianos da missa celebrada pelo padre José Hadada |  Foto: Isabela Alonso Panho/ Divulgação
 

A missa bilíngue termina com um cântico ucraniano em homenagem aos que estão na guerra. Depois da cerimônia, o padre José Hadada, também descendente, tem parentes e amigos nas regiões de conflito da Ucrânia, país que já visitou três vezes. “O que a gente ouve deles é medo. Medo da guerra”, diz o clérigo.

Como o conflito é recente e a semana é de feriado para muitas pessoas, a comunidade londrinense, por enquanto, se mobiliza por meio da fé, das orações e do apoio fraterno. Mas a ideia é que a cidade também seja um dos braços das ações articuladas pela Representação Central Ucraniano-Brasileira.

DOAÇÕES PARA A UCRÂNIA

Vitorio Sorotiuk, da Representação Central Ucraniana: várias cidades paranenses estão ajudando com as doações Vitorio Sorotiuk, da Representação Central Ucraniana: várias cidades paranenses estão ajudando com as doações
Vitorio Sorotiuk, da Representação Central Ucraniana: várias cidades paranenses estão ajudando com as doações |  Foto: Divulgação
 

A entidade, que reúne pela cultura e pela fé famílias de origem ucraniana em todo o Brasil, está arrecadando doações. Como conta o presidente da organização, Vitorio Sorotiuk, os governos do estado de São Paulo e do Paraná já estão oficialmente comprometidos a auxiliar a iniciativa. Além deles, algumas prefeituras paranaenses – Curitiba, Maringá, Mallet, Campo Mourão e Prudentópolis – também já participam das articulações.

O objetivo é ir aos poucos construindo uma rede que possa prestar auxílio financeiro e conduzir refugiados. “Nesse grupo estão participando ONGs (Organizações não-governamentais) que já cuidaram da recepção de venezuelanos, sírios”, pontua Sorotiuk. Ele, cujos avós foram nascidos na Ucrânia, lamenta a guerra: “É uma tragédia e um crime contra a humanidade que está acontecendo. Toda ajuda será bem-vinda e a comunidade ucraniana agradece”.

Durante a missa deste domingo, é feito um apelo: que Londrina também possa se abrir para receber refugiados. Da parte da igreja, Hadada afirma que já está acontecendo a organização necessária para que as ações da Representação Central sejam feitas na cidade. Ele relembra a importância de que parte dos donativos fique por aqui, “que possam ser oferecidos para essas famílias que vão ser acolhidas. Com certeza vamos ter refugiados de guerra”.

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COMO AJUDAR?

Por enquanto, a Representação Central Ucraniana Brasileira está recebendo doações apenas em dinheiro, diretamente pelo Pix da entidade. É necessário que todos os valores tenham 01 centavo. Para doar dez reais, por exemplo, o Pix deverá ser de R$ 10,01. Desta forma, serão identificados os valores destinados exclusivamente para a guerra. O Pix é o CNPJ 78.774.668/0001-83.

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